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Ariane, símbolo da autonomia espacial europeia, faz 40 anos

Foguete Ariane - HO/CNES/AFP
Foguete Ariane Imagem: HO/CNES/AFP

Em Paris

23/12/2019 09h03

Há 40 anos, o foguete Ariane decolou pela primeira vez da Guiana Francesa, dando à Europa sua autonomia no campo espacial, onde a competição mundial não parou de crescer.

Eram 14h13, horário local, de 24 de dezembro de 1979: o Ariane decolou da base de Kuru para seu voo inaugural, sem nenhum satélite operacional a bordo.

Foi o culminar de uma estrada cheia de obstáculos e contratempos.

"Desde o lançamento e depois com os incêndios e as sucessivas separações das três partes, os espectadores não esconderam sua grande alegria quando viram o Ariane subir ao céu claro da Guiana", escreveu o enviado especial da AFP.

Na sala de controle do centro espacial, Yves Sillard, então diretor-geral da CNES, a agência espacial francesa, declarou a missão cumprida, sem esperar pelo diagnóstico do satélite.

"Foi um sucesso total, deu origem a uma alegria indescritível", lembra Sillard hoje, entrevistado pela AFP.

"Na sala havia risos, lágrimas ... como depois de um feito esportivo!", Diz Guy Dubau, ex-chefe de operações do centro de lançamento. Dessa forma, sua equipe superou a falha de alguns dias antes, em 15 de dezembro, quando o foguete teve problemas de ajuste dos motores que ninguém previa.

O fiasco do Europa

Por motivos técnicos, só puderam tentar novamente o lançamento nove dias depois, trabalhando 24 hora por dia.

Na véspera de Natal, o Ariane decolou. "Foi um milagre. Se tivéssemos que esperar mais duas horas, o foguete acabaria no lixo", segundo Dubau.

"Um fracasso poderia ter tido consequências dramáticas, incluindo o final do programa", segundo Sillard.

Na memória coletiva, o fiasco do foguete Europa ainda estava vivo, um ônibus espacial desenvolvido na década de 1960 que nunca decolou devido à falta de coordenação entre os países e à ausência de uma única direção.

O programa Europa foi abandonado em 1973, o ano da criação da Agência Espacial Europeia (ESA).

A ESA confiou o projeto Ariane a uma única entidade responsável, o CNES.

O desafio foi significativo: os Estados Unidos haviam acabado de lançar seu próprio programa "explicando que permitia reduzir o custo do lançamento cinco vezes em comparação com um ônibus convencional e que esse modelo iria desaparecer", lembra Sillard.

Embora o Ariane fosse provar o contrário, o ceticismo cercou o projeto.

Filho do Ariane

Sob responsabilidade francesa, mais de 50 empresas de 10 países trabalharam no desenvolvimento do novo foguete chamado Ariane, em referência ao fio da mitologia grega, "que nos tiraria do labirinto da complexidade das discussões europeias", segundo Gérard.

Com o Ariane 1, pela primeira vez no mundo ocidental o monopólio de lançamento de satélites dos Estados Unidos foi rompido.

A Europa adquiriu sua independência e se estabeleceu no quadro espacial global.

"Este lançamento nos deu credibilidade comercial", diz Brachet. "Se não houvesse essa decolagem há 40 anos, não haveria uma indústria espacial europeia como existe agora", de acordo com Jean-Yves Le Gall, atual presidente do CNES.

A aventura de Ariane e suas cinco gerações foi um sucesso global, apesar de algumas falhas, como a do primeiro voo do Ariane 5, que explodiu no ar.

Dos modelos 1 ao 5, a carga transportada foi multiplicada por 10, diz Stéphane Israël, presidente da Arianespace, grupo responsável pela comercialização dos serviços de transporte.

Mas o Ariane enfrenta uma concorrência muito mais dura há vários anos, essencialmente do americano Space X, que tem um serviço de transporte reutilizável e se beneficia de ordens institucionais lucrativas.

O contra-ataque é o chamado Ariane 6: o futuro ônibus espacial que voará em 2020 será mais competitivo graças a uma racionalização drástica dos custos de fabricação.

O Ariane 6 será versátil, com um motor capaz de dar partida várias vezes, o que lhe permitirá depositar várias cargas em órbitas diferentes durante uma única missão, algo apreciado pelos clientes em um contexto de multiplicação de satélites em miniatura e suas aplicações (meteorologia do espaço, geolocalização, objetos conectados...).

O próximo desafio será desenvolver o Prometheus, um motor potencialmente reutilizável.