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Meteoros: O que são, por que são diferentes de meteoritos e outras dúvidas

Chuva de meteoros Leonídeos de 2001, registrada em Duluth, nos EUA - Brian Peterson/AP Photo/Minneapolis Star Tribune
Chuva de meteoros Leonídeos de 2001, registrada em Duluth, nos EUA Imagem: Brian Peterson/AP Photo/Minneapolis Star Tribune

Vinícius de Oliveira

Colaboração para Tilt

17/11/2020 04h00

Quando a gente vê uma "estrela" caindo do céu — a famosa estrela cadente — tem sempre alguém do lado para que dizer "corre, faz um pedido". Superstições à parte, você sabe o que é aquele astro brilhante cortando o céu noturno? Já te adiantamos que não se trata de estrela, mas de um corpo celeste conhecido como meteoro.

O que é meteoro?

Meteoro é a "explosão" que acontece quando um detrito cósmico entra na atmosfera e provoca um efeito luminoso no céu. Esses pequenos objetos são chamados de meteoroides, materiais que se separaram de asteroides ou cometas e acabam conseguindo entrar na nossa atmosfera.

O que causa os meteoros?

O atrito dos meteoritos com os gases da alta atmosfera faz com que as partículas do corpo celeste alcancem altíssimas temperaturas e, literalmente, incendeiem. Esse rastro luminoso é o que chamamos de meteoro.

Onde estão localizados os meteoros?

Os meteoros podem ser avistados em qualquer planeta ou lua com atmosfera suficientemente densa para gerar fogo em partículas de corpos celestes.

Qual a composição de um meteoro?

Meteoros são pequenos pedaços de rochas e poeira espacial que, ao entrar em contato com a atmosfera da Terra em alta velocidade, entram em combustão. Os mais comuns são os rochosos, mas há também os ferrosos e os ferrosos-rochosos.

Qual a diferença entre um meteoro e um meteorito?

Um meteoroide é um corpo celeste que orbita o espaço, mas muito pequeno para ser chamado de asteroide ou cometa. Quando esse material entra em rota de colisão com o planeta Terra e atinge a superfície, sem ser vaporizado completamente, ele recebe o nome de meteorito. Já meteoro descreve a faixa de luz produzida pela fricção do meteoroide com a atmosfera terrestre.

FAQ - Quem é quem no espaço - Arte/UOL - Arte/UOL
FAQ - Quem é quem no espaço
Imagem: Arte/UOL

Qual a velocidade de um meteoro no espaço?

Segundo a ESA (Agência Espacial Europeia), a velocidade de um meteoro na atmosfera terrestre pode chegar até 30 mil quilômetros por hora.

Qual é a cor do meteoro?

Os meteoros podem apresentar cores que vão do esverdeado ao avermelhado e, até mesmo, ao azulado. Tudo vai depender da composição química desses objetos e sua interação com a atmosfera da Terra.

Onde caiu o meteoro que matou os dinossauros?

Não foi um meteoro que matou os dinossauros, mas um asteroide. Ele caiu onde hoje é a Península de Yucatán, no Golfo do México. Chamada de Chicxulub, a cratera tem cerca de 200 km de diâmetro e fica parcialmente submersa. Ela foi descoberta nos anos 1970, quando geofísicos procuraram por petróleo e encontraram um arco submarino de 70 km de diâmetro, estranhamente simétrico.

O que é chuva de meteoros?

Quando a órbita da Terra cruza a órbita de um cometa, por exemplo, a taxa de meteoros aumenta, resultando em uma chuva de meteoros. Esse evento fica ativo durante vários dias. As chuvas de meteoro Eta Aquáridas e Orionídeas, por exemplo, são compostas de resquícios do Cometa Halley.

Como posso ver uma chuva de meteoros?

Você não precisa de um telescópio nem de um binóculo para ver uma chuva de meteoros. Para assisti-la, o ideal é estar em uma região bem escura, longe das luzes da cidade, e ter a sorte de o céu estar sem nuvens. Olhe para o céu em direção oposta à Lua e deixe seus olhos se acostumarem com a escuridão.

Qual o melhor horário para ver uma chuva de meteoros?

Cada chuva de meteoro tem sua particularidade, mas elas são visíveis durante à noite com céu escuro. Algumas mais cedo, outras de madrugada. A Orionídeas, por exemplo, teve sua melhor visibilidade horas antes do amanhecer.

Quais são os tipos de meteoritos?

Os meteoritos que caem na Terra são classificados em três tipos: rochosos, ferrosos rochosos (1,5%) e ferrosos (5,7%). Os mais comuns são os rochosos condritos (85,7%), que possuem 4,5 bilhões de anos -- mesma idade aproximada que o Sistema Solar. Já os rochosos acondritos (7,1%) são formados pelo derretimento ou recristalização de corpos originais do meteorito.

Meteoritos ferrosos são classificados em 13 categorias principais e consistem basicamente em ligas de níquel-ferro, com quantias secundárias de carbono, enxofre e fósforo. Os meteoritos ferrosos rochosos, por sua vez, possuem olivina, um grupo de minerais da família do magnésio e do ferro, no interior do metal.

Como identificar um pedaço de meteorito?

Os meteoritos de ferro são os mais fáceis de serem encontrados no campo, pois são os que mais se diferem das rochas terrestres. São bem pesados e possuem o interior igual ao aço. Em geral, apresentam uma superfície sem calombos, mas com depressões e sulcos chamados regmaglitos. Apresentam uma fina camada preta por fora, fruto do atrito com a atmosfera, e o interior claro ou cor de aço.

Segundo o Serviço Geológico do Brasil, a maioria dos meteoritos que caíram na Terra se parecem mais com um pedaço de concreto de construção. Isto é, um pedaço de reboco de parede pintado de preto por fora e cinza, por dentro, com pitadas de ferrugem.

Meteorito Allende, que caiu no México em 1969 - Cortesia da Sociedade Planetária  - Cortesia da Sociedade Planetária
Meteorito Allende, que caiu no México em 1969
Imagem: Cortesia da Sociedade Planetária

Qual o valor de um pedaço de meteorito?

Os valores dos meteoritos variam de acordo com o material, a origem, classificação, localidade atingida, contribuição científica, importância histórica, estado de conservação, etc. O Museu Nacional, no Rio de Janeiro, possui uma coleção de mais de 400 meteoritos.

O meteorito Bendegó resistiu ao incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro, em 2018 - Clever Felix/Estadão Contedúo - Clever Felix/Estadão Contedúo
O meteorito Bendegó resistiu ao incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro, em 2018
Imagem: Clever Felix/Estadão Contedúo

O mais famoso é conhecido como Bendegó, composto de mais de 5.000 quilos de ferro e níquel. Foi descoberto em 1784 no sertão do estado da Bahia. Porém, o mais valioso é o Angra dos Reis, um meteorito 76 mil vezes menor —- são apenas quatro centímetros de largura e 70 gramas.

O Angra dos Reis é avaliado em R$ 3 milhões, pois foi responsável por dar origem a uma nova classe de meteoritos: os angritos. Foram rochas como essa que trouxeram para a Terra os elementos que tornaram possível a vida no planeta. Muito rara, essa classe conta hoje com 22 exemplares confirmados.