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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Suruba, aglomeração e câmera flagrando tudo: o que está liberado no Airbnb?

Montagem sob foto de Dainis Graveris/Unsplash
Imagem: Montagem sob foto de Dainis Graveris/Unsplash
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Felipe Germano

Felipe Germano é jornalista que escreve sobre comportamento humano, saúde, tecnologia e cultura pop. Para encontrar as boas histórias, atravessa o planeta: visitou de clubes de swing e banheiros do sexo paulistanos à sets de cinema hollywoodianos. Já trabalhou nas redações da Jovem Pan, do site Elástica, na revista Época e na revista Superinteressante.

16/04/2021 04h00

Uma vez uma amiga me mandou a real: "pegar um Airbnb para um fim de semana e levar o boy é a melhor coisa". As vantagens, de acordo com ela, eram muitas: conhecer melhor outras partes da cidade, ter uma vista diferente do horizonte, para variar (isso era pré-pandemia, eu imagino), e, claro, transar em um lugar novo. Traz aquele arzinho de novidade e, ao mesmo tempo, não tem aquela decoração batida de motel.

Esses passeios da minha amiga, no entanto, ficariam no chinelo perto da farra que um xará meu supostamente fez num Airbnb. A suruba do Felipe tomou o Twitter depois que dois áudios e algumas imagens circularam pela internet. Em teoria, o cara organizou um bacanal dentro de uma locação da plataforma. A dona não curtiu, e rolou um bate boca digital, com defensores de ambos os lados.

Independente se você apoia a proprietária ou o inquilino —ou mesmo se essa história toda é verdade—, a questão de fato ficou no ar: é liberado organizar surubas no Airbnb? Fui descobrir.

O primeiro que eu fiz foi, claro, perguntar à plataforma. Pode sexo grupal nas acomodações? Ficaram sabendo do caso do Felipe? Esse tipo de ação, de fato, viola alguma regra?

A resposta, no entanto, foi pouco esclarecedora.

"O Airbnb informou que está apurando o possível caso mencionado pela reportagem, destacou que possui regras e Termos de Serviço e que anfitriões ou hóspedes que desrespeitem as políticas de uso estão sujeitos às medidas cabíveis", respondeu a assessoria.

Não entendi, e questionei, novamente: mas organizar festas de sexo fere as políticas? Se sim, quais? E quais as medidas cabíveis?

A plataforma, no entanto, se recusou a responder diretamente as questões.

Fui, então, às políticas de uso.

A verdade é que sexo é algo pouco discutido dentro dos termos.

Nos termos de serviço as únicas menções à palavra "sexual" se referem ao fato de que a plataforma se permite conferir se o inquilino está vinculado a quaisquer tipos de "registros públicos de condenações criminais ou crimes sexuais". Nada mais que isso.

Em praticamente mais nenhum de seus documentos o sexo é descrito. Nem mesmo na parte de higienização do imóvel.

Logo, a pergunta tem uma resposta presumida: pode fazer sexo no Airbnb? Como ninguém está dizendo que não, pode.

Mas aí entramos em alguns outros detalhes. O mais claro deles é que uma suruba como a retratada ali é mais do que sexo. É uma aglomeração. E isso já não pode. Desde agosto, a plataforma proíbe "todas as festas e eventos" dentro de suas acomodações.

Mas... nos áudios fala-se que Felipe organizou uma suruba para 15 pessoas. E o rapaz parece ter sido preciso no número. O Airbnb proibe "encontros com mais de 16 pessoas". Cirúrgico. Se é um encontro com menos de 16, ou uma festa com 15 pessoas, é onde há espaço para debate.

Outro detalhe importante é a questão das câmeras. Reza a lenda que dona Verônica tinha descoberto o bacanal por meio das imagens de câmera de segurança da casa. Mas, isso é permitido?

É, desde que se sigam algumas regras: a primeira é a transparência. O dono da casa tem que deixar bem claro para o usuário onde estão as câmeras da casa. E o objetivo deve ser a segurança do hóspede, e não a vigilância do mesmo. Além disso, em qualquer situação é proibido o uso de câmeras escondidas dentro da casa. E não pode haver filmagens em quartos e banheiros.

Como a festa parece ter sido levada à piscina, é natural que alguma câmera de segurança possa mesmo ter captado coisa ou outra.

Por fim, é bom lembrar uma coisa: o Airbnb tem uma questão muito particular: tem gente que mora nas casas que aluga. Então, é válido manter um pouco o nível e não esculhambar o imóvel que você está alugando. Com isso em mente, aproveite a estadia. E use camisinha.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL