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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Não é só sexo: sites pornôs usam até crimes para atrair você, aponta estudo

Gerd Altmann/ Pixabay
Imagem: Gerd Altmann/ Pixabay
Felipe Germano

Felipe Germano é jornalista que escreve sobre comportamento humano, saúde, tecnologia e cultura pop. Para encontrar as boas histórias, atravessa o planeta: visitou de clubes de swing e banheiros do sexo paulistanos à sets de cinema hollywoodianos. Já trabalhou nas redações da Jovem Pan, do site Elástica, na revista Época e na revista Superinteressante.

09/04/2021 04h00

Ninguém pode falar que não sabe que cigarro faz mal. Dá para falar que fumar um depois do almoço é maravilhoso? Claro que sim. Consegue dizer que o papo no fumódromo já garantiu sexo e vida social que não fumante nenhum jamais terá? Com toda certeza. Mas, "ai, eu não sabia"? Não tem como. Pois bem, mais do que nunca, pornô agora é cigarro.

Pesquisadores da Universidade de Durham (Inglaterra) decidiram estudar a pornografia. A fundo. Analisaram 131.738 vídeos pornôs —e fizeram o que hoje é a maior pesquisa sobre pornografia já feita.

As respostas? Bom devem agradar tanto quanto os maços com a advertência "você brocha" alegram fumantes Brasil afora.

Olhando com atenção as filmagens, que foram coletadas entre 2017 e 2018 em três grandes sites adultos (PornHub, XHamster e XVideos), os pesquisadores perceberam alguns padrões:

O termo "adolescente" apareceu em 7,7% dos conteúdos.

Em mais de 15 mil vídeos (12% do total) apresentavam títulos que indicavam algum tipo de violência sexual.

Na prática, 1 a cada 8 filmes pornôs analisados tinham no nome da filmagem termos como "abusada", "molestada" ou até "sequestrada".

E antes que você pergunte: não, nenhum conteúdo BDSM foi considerado violento. Só entravam na estatística filmagens que davam a entender que não havia consentimento nas ações.

Sites pornôs promovem vídeos criminosos, provam pesquisadores - Anna Shvets/Pexels - Anna Shvets/Pexels
Imagem: Anna Shvets/Pexels

Não para por aí. 5.785 vídeos (4,4% do total) tinham no descritivo alguma indicação de incesto. E de todo tipo: entre irmãos, tias e sobrinhos e, sim, pais e filhas.

2.966 dos vídeos (2,2%) também envolviam o que foi chamado de "abuso sexual baseado em imagem", que, nada mais é do que uma categoria para os vídeos que envolviam títulos como "câmera escondida" ou "espionando".

O Pornhub se defendeu dizendo à BBC que "adultos consentidos têm direito às suas próprias preferências sexuais, desde que sejam legais e consensuais, e todas as perversões que cumpram estes critérios são bem-vindas [no site]".

"Nosso estudo oferece evidências novas e convincentes de que a fronteira entre o que é e o que não é violência sexual é distorcida pelas principais plataformas de pornografia online", afirmam os pesquisadores, na conclusão do estudo.

É aquela coisa, cada vez mais dá para assistir pornô, mas falar que sabe o que ele apoia? É que nem fumar pelo filtro: não dá.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL