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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Produtos químicos estão deixando homens com pênis cada vez menores

Charles Deluvio / Unsplash
Imagem: Charles Deluvio / Unsplash
Felipe Germano

Felipe Germano é jornalista que escreve sobre comportamento humano, saúde, tecnologia e cultura pop. Para encontrar as boas histórias, atravessa o planeta: visitou de clubes de swing e banheiros do sexo paulistanos à sets de cinema hollywoodianos. Já trabalhou nas redações da Jovem Pan, do site Elástica, na revista Época e na revista Superinteressante.

03/04/2021 04h00Atualizada em 04/04/2021 10h09

Barbie que me perdoe, mas a vida em plástico não é fantástica. Pesquisadores estão chegando à conclusão que a poluição está fazendo com que homens nasçam com pênis cada vez menores.

O papo ressurgiu na última semana, depois que a famosa ecologista Erin Brockovich escreveu um artigo para o The Guardian.

Batizado com o autoexplicativo título "Contagens de espermatozoides em queda, pênis encolhendo: produtos químicos tóxicos ameaçam a humanidade", o texto se debruça sobre um novo livro chamado "Countdown" (Contagem Regressiva, em tradução livre), da epidemiologista reprodutiva Shanna Swan.

Swan já era autora de um estudo de 2017 repleto de números absolutamente aterrorizantes. O texto cravava, por exemplo, a queda de quase 60% na contagem de espermatozoides desde 1973. Pior: se a situação se mantiver, até 2045 o número chegará a zero. É o fim da reprodução humana.

Outros documentos falavam sobre os tamanhos. A pesquisadora percebeu que bebês têm nascido com pênis menores do que seus pais e avôs.

A mulherada também não se salvou. As pesquisas apontaram que a taxa de natalidade global está despencando. Em 2018, calculou-se que a média mundial de nascimentos atualmente é de 2,4 nascimentos por mulher. Em 1964 esse número era mais que o dobro: 5,06. Hoje, mais da metade dos países giram em torno dos 2,1.

Parece papo de quem está tentando te aterrorizar, né? Mas a conta faz sentido. A verdade é que plásticos e compostos químicos estão por todo lugar.

Quando soltamos esses componentes no lixo, eles seguem para a natureza. Mas não só naquelas ilhas de plástico, ou nas tartarugas enforcadas de documentários mar adentro. Em toda natureza. Inclusive na natureza que você consome. Os vegetais que você come podem estar banhados em partículas químicas microscópicas. E os carnistas podem parar de rir, porque as suas proteínas também estão poluídas. Mesmo as mais industrializadas.

Nesse TikTok, por exemplo, dá para ver quanto plástico pode ter dentro do seu atum enlatado.

É justamente esse tipo de componente que atrapalha nosso organismo. Moléculas e moléculas acabam se acumulando no nosso corpo. Aumentando os poluentes, e diminuindo nossa fertilidade e, sim, genitália.

Quem diria que, nesse Barbie mundo, estamos cada vez mais próximos do Ken. E quem pode nos salvar dessa brincadeira, são justamente as crianças?


(Vejo vocês na próxima manifestação climática, diz Greta Thunberg, ativista ambiental de 18 anos)

Errata: o texto foi atualizado
Ao contrário do que dizia uma versão anterior deste texto, no quarto parágrafo, o estudo de Swan não cravava a queda de quase 60% na contagem de "espermas" desde 1973, mas sim de espermatozoides. O texto foi corrigido.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL