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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Robocop digital: IA identifica traficantes sexuais em anúncios online

Creedi Zhong/Unsplash
Imagem: Creedi Zhong/Unsplash
Felipe Germano

Felipe Germano é jornalista que escreve sobre comportamento humano, saúde, tecnologia e cultura pop. Para encontrar as boas histórias, atravessa o planeta: visitou de clubes de swing e banheiros do sexo paulistanos à sets de cinema hollywoodianos. Já trabalhou nas redações da Jovem Pan, do site Elástica, na revista Época e na revista Superinteressante.

01/05/2021 04h00

Um número pavoroso: 24,9 milhões de pessoas trabalham, atualmente, forçadamente. Dessas vítimas, 55% são mulheres ou crianças, traficadas sexualmente.

Agora um fato pavoroso: essas vítimas são comumente vendidas online. Como um sapato usado.

É nesse cenário que pesquisadores das Universidades de McGill, do Canadá, e Carnegie Mellon, dos EUA, se juntaram. Os cientistas trabalharam em cima de um algoritmo feito para detectar falhas humanas, daquelas que, inevitavelmente, uma hora aparecem quando pessoas fazem trabalhos de grande escala: erros de digitação em planilhas ou números trocados em contas.

Mas dessa vez o trabalho do robozinho era detectar pontos em comum entre anúncios de tráfico humano. Deu certo.

"O algoritmo consegue juntar milhões de publicidades e destacar suas semelhanças", afirma em comunicado Christos Faloutsos, professor da Carnegie e um dos responsáveis pelo projeto.

"Se o anúncio tem muitas coisas em comum [com anúncios de tráfico humano], não é garantido, mas há uma alta chance de ter algo suspeito nele", acrescenta.

Traficantes sexuais anunciam online - mas novo algoritmo pode caçá-los   - cottonbro/Pexels - cottonbro/Pexels
Imagem: cottonbro/Pexels

Batizado de InfoShield, esse Robocop digital conseguiu identificar as propagandas criminosas com 85% de precisão. É mais do que qualquer outra inteligência artificial já havia conseguido até então.

Notícia melhor ainda é que não houve nenhum caso de falso positivo. Alertas falsos são justamente os que costumam travar o andamento de investigações do tipo.

A ideia é que o algoritmo ajude a mostrar para policiais onde estão as maiores chances de encontrarem os verdadeiros criminosos. Economia de tempo, o que é importantíssimo para as vítimas.

Os pesquisadores perceberam que uma mesma pessoa costuma escrever de quatro a seis anúncios de tráfico. Esses trejeitos de escrita, então, eram identificados e facilitavam a descoberta das outras propagandas criminosas.

"O tráfico humano é um problema social perigoso e difícil de resolver", dizem Meng-Chieh Lee e Catalina Vajiac, autores principais do estudo.

"Ao procurar pequenos grupos de anúncios que contenham frases semelhantes, estamos encontrando aqueles que têm mais probabilidade de serem atividades organizadas: um forte sinal de tráfico humano", completam.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL