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REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Tinder acusa Google e Apple de deixarem menores entrarem no app

David Larivière / Unsplash
Imagem: David Larivière / Unsplash
Felipe Germano

Felipe Germano é jornalista que escreve sobre comportamento humano, saúde, tecnologia e cultura pop. Para encontrar as boas histórias, atravessa o planeta: visitou de clubes de swing e banheiros do sexo paulistanos à sets de cinema hollywoodianos. Já trabalhou nas redações da Jovem Pan, do site Elástica, na revista Época e na revista Superinteressante.

24/04/2021 04h00

Quem nunca mentiu na internet que aceite o primeiro termo de uso. A web-lorota é tão recorrente quanto fácil. Geralmente um clique e pronto: você jura ter lido a política do usuário, promete que não vai quebrar nenhuma regra moral ou, no pior dos casos, garante que tem mais de 18 anos.

Agora, a Match Group, Inc (empresa-mãe de marcas como Tinder, OkCupid e ParPerfeito) está cravando que essa última mentira em específico poderia ser evitada. O conglomerado afirma que o Google e a Apple conseguem impedir o acesso de menores de idade a redes voltadas para adultos, mas não o fazem.

A afirmação apareceu no meio de uma discussão ainda maior. Eis que senadores americanos estão reunidos para analisar se a Apple e o Google estão dominando, de forma ilegal, o mundo dos apps.

A investigação partiu depois de críticas, da própria Match, inclusive, de que as duas gigantes quebram as regras de antitruste no mundo digital, criando um monopólio que não deveria ser permitido por lei. Naturalmente, os acusadores foram chamados para depor. E é nesse cenário que a acusação pinga.

Prestando depoimento ao senado norte-americano, Jared Sine diretor jurídico da Match, foi questionado se o domínio da Apple e da Google não acontecia para garantir segurança e proteção para os usuários dos sistemas operacionais comandados pelas gigantes. Sine não só negou, como acusou.

"A segurança na verdade é prejudicada pelo sistema atual. Nem a Apple nem o Google estão dispostos a nos ajudar nem mesmo com os recursos de segurança mais básicos. E por causa do domínio da Apple e do Google sobre os consumidores e seus dados, é difícil para nós realizar até mesmo algumas das verificações de segurança mais básicas", afirmou, de acordo com reportagem do The Telegraph.

Mais especificamente, "esses [usuários indevidos] são repassados para nosso aplicativo e, em seguida, temos que filtrá-los por meio de nossos vários sistemas de restrição de idade para garantir que não tenhamos usuários menores de idade em nossas plataformas", completou.

Vale lembrar que o Tinder já permitiu menores na rede. Adolescentes que tinham entre 13 e 17 anos podiam acessar a plataforma, mas só conseguiam ver (e dar match) com outros adolescentes. Em 2016, no entanto, o cenário mudou.

Desde então, pelas regras de uso, o Tinder é sim restrito para maiores de 18 anos. Quem loga com um Facebook atrelado a um menor de idade, ou coloca uma data de nascimento anterior à maioridade, vê na tela de login uma contagem regressiva até seu aniversário de 18 anos.

Mas, na vida real, não demora muito para você encontrar menores pelo app.

Numa rede social extremamente sexual, é um problema.

Entrei em contato tanto com a Apple quanto com o Google, mas até o momento nenhuma das duas empresas emitiu comentário sobre as acusações. Caso a situação mude, atualizarei essa notícia.