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Papo de autoajuda? Estudo mostra que amar a si mesmo melhora a transa

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Imagem: Freepik
Felipe Germano

Felipe Germano é jornalista que escreve sobre comportamento humano, saúde, tecnologia e cultura pop. Para encontrar as boas histórias, atravessa o planeta: visitou de clubes de swing e banheiros do sexo paulistanos à sets de cinema hollywoodianos. Já trabalhou nas redações da Jovem Pan, do site Elástica, na revista Época e na revista Superinteressante.

22/10/2020 04h00

RuPaul é a mais importante drag queen do mundo. Foi seu reality show (RuPaul's Drag Race) que inspirou a mais seguida queen do planeta, nossa Pabllo Vittar, a colocar uma peruca pela primeira vez. O legado, no entanto, está longe de se limitar a isso.

Entre um episódio e outro, a rainha das drags fala frases que funcionam como verdadeiros mandamentos para a comunidade LGBTQIA+. O maior deles talvez seja a frase que, sem falta, encerra todos os 200 episódios da série. "Se você não consegue se amar, como é que vai conseguir amar outra pessoa?" Amém.

Pois bem, um novo estudo mostra que a frase de Mama Ru não é só blablablá de autoajuda —na verdade, ela tem apoio da ciência. Uma pesquisa feita pela Universidade do Missouri, nos EUA, revelou que quanto mais você se ama, mais prazer tende a ter na cama.

Para chegar a essa conclusão, pesquisadores reuniram 243 adultos com vida sexual ativa, e usuários de apps de relacionamento, como o Tinder. Os participantes, então, responderam perguntas que, na mão dos cientistas, viraram medidores sobre amor-próprio.

Na prática, afirmações como "eu respeito meu corpo" e "eu gosto que meu corpo permite que me comunique e interaja com outros" eram mostradas aos voluntários —e cabia a eles concordar ou discordar das frases em uma escala de 0 a 5, em que 0 significava "nunca" e 5, "sempre".

No meio do questionário também havia perguntas que procuravam medir a "autoconsciência da imagem corporal". Em bom português, elas tentavam entender quão ligadas as pessoas ficavam durante uma transa, se conseguiam relaxar e deixar a coisa fluir, sem necessariamente pensar demais no sexo. Esses questionamentos apareciam na forma de frases como "a ideia de fazer sexo sem me cobrir me causa ansiedade".

Quer transar melhor? Se ame mais, diz estudo - Colagem de Rafaella Robba/Canva - Colagem de Rafaella Robba/Canva
Imagem: Colagem de Rafaella Robba/Canva

Depois disso, uma segunda bateria de perguntas era feita. Dessa vez, o grupo (composto apenas por pessoas cis) era separado por gênero. Homens respondiam uma leva de perguntas e mulheres, outras.

Essa parte era dedicada a entender questões fisiológicas sobre a vida sexual dos participantes. E as perguntas foram elaboradas e distribuídas de acordo com a genitália de cada grupo.

Mulheres, por exemplo, respondiam perguntas como "nas últimas quatro semanas, quão frequentemente você se sentiu excitada durante uma relação sexual"? Ou "com qual frequência você sentiu dor" durante o sexo? E em relação à lubrificação?

Os caras, por outro lado, responderam questionamentos como "no último mês, sem usar drogas como Viagra, com qual frequência você conseguiu ter uma ereção" quando quis? Ou "quantas vezes você conseguiu ejacular" quando teve vontade?

Os dados, então, foram cruzados e os resultados foram claros.

Quanto mais as pessoas curtiam o próprio corpo, maiores os índices de satisfação sexual, tanto entre os homens quanto entre as mulheres.

Isso pode até ser óbvio para muita gente — e não necessariamente significa que quem se curte mais transa melhor, certo? Não.

O estudo também apontou que havia uma ligação clara entre a falta de amor ao próprio corpo —e a tal consciência— que deixava você mais travado na cama. Pior: quanto maior a consciência, maior a chance das mulheres sentirem dor, e dos caras não conseguirem uma ereção. As pessoas, inevitavelmente, acabam transando pior.

"Os resultados nos ajudam a entender melhor como a autoimagem pode desempenhar um papel na vida sexual das pessoas", afirmam os pesquisadores no estudo.

Putz, mas quem não manda bem na transa pode acabar se sentindo ainda pior em relação ao corpo e criando um ciclo sem fim, certo? É, faz sentido. Nesse caso, os pesquisadores sugerem que você deite em um outro tipo de cama: no divã. "É possível que esforços para melhorar a autoimagem possam afetar positivamente a vida sexual dessas pessoas", completa.

Não é fácil, mas procure ajuda e um dia você vai poder olhar para suas inseguranças e dizer o mesmo que RuPaul fala para as queens eliminadas de seu programa "Sashay Away": algo como "pode ir embora!"... ou, nas legendas de português de Portugal, "vai te embora, ninguém te adora". O idioma fica a seu critério. O que importa é que a vida entre quatro paredes vai melhorar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL