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Por que casais que ficaram juntos na pandemia podem ter tido menos transas?

cottonbro/Pexels
Imagem: cottonbro/Pexels
Felipe Germano

Felipe Germano é jornalista que escreve sobre comportamento humano, saúde, tecnologia e cultura pop. Para encontrar as boas histórias, atravessa o planeta: visitou de clubes de swing e banheiros do sexo paulistanos à sets de cinema hollywoodianos. Já trabalhou nas redações da Jovem Pan, do site Elástica, na revista Época e na revista Superinteressante.

01/10/2020 04h00

Não sei se você se lembra, parece que fazem anos, mas quando a pandemia começou, a ideia de quarentena não era de todo ruim. Principalmente para os casais. O home office pouparia o tempo do trânsito, daria finalmente para fazer aquela faxina em casa e, na vida a dois... o confinamento em casal poderia dar espaço a todo tipo de estripulia sexual. Bom, mas aí aconteceu a vida real.

Um novo estudo da Universidade de Indiana mostrou que a proximidade não ajudou. Casais quarentenados acabaram transando menos durante a pandemia. Um dos motivos? Porque começaram a discutir muito mais.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores entrevistaram 742 pessoas heterossexuais entre 18 e 94 anos, que estavam em algum tipo de relacionamento amoroso-sexual. Os cientistas, então, questionavam como estavam os hábitos sexuais deles, e se essa vivência conjunta forçada que a quarentena impôs tinha aumentado as discussões e discordâncias. O resultado foi categórico.

Mais de um terço dos casais passaram a brigar mais durante a quarentena. E, quem estava nesse grupo tinha 4.1 vezes mais chances de transar menos.

E esse número nem envolve todo tipo de sexo, só a penetração vaginal. As brigas, no entanto, afetavam todas as práticas sexuais. Quem discutia tinha 6.7 vezes menos chances de fazer ou receber sexo oral, 4.6 vezes menos chance de tocar as partes íntimas do parceiro —e até mesmo 3.2 vezes menos chance de dar as mãos, abraçar ou só ficar de conchinha com a outra metade da laranja.

"Há uma série de fatores relacionados à atual pandemia que podem aumentar o estresse diário e os conflitos de relacionamento, incluindo interrupções na vida sexual das pessoas", afirmou na conclusão do estudo Maya Luetke, do departamento de Epidemiologia Bioestatística da Universidade de Indiana.

E isso não necessariamente é culpa do casal, ou significa que os parceiros não se conheciam bem o suficiente antes de ficarem trancados em casa. Direto e reto, o mundo desmoronou, e às vezes a relação acabou servindo como saco de pancadas.

"A vida da maioria das pessoas passou por mudanças dramáticas na rotina. Ou seja, acesso reduzido à atividade física, escassez de meios sociais fora de casa, acesso limitado a cuidados de saúde mental (seja terapia individual ou terapia de casal) e outros serviços de saúde considerados não essenciais", diz Luetke.

"Essas interrupções da rotina de indivíduos e famílias podem contribuir para o aumento do estresse geral e agravamento do conflito entre parceiros românticos", completa.

Os pesquisadores, no entanto, deixam claro que nada está perdido. Há pesquisas dedicadas especificamente a estudar como relacionamentos reagem a situações de estresse. A conclusão, em geral, é que o cenário melhora quando o relacionamento permite mais autonomia para cada parte do casal, ao mesmo tempo em que tentam criar conexões com o parceiro. Não é fácil, mas também não é impossível.

Respira, conversa, tira aquela faxina do papel. E, quem sabe, a comemoração do dia pode ser na cama.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL