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Felipe Zmoginski

REPORTAGEM

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Empresa 'ressuscita' rainha do pop da Ásia para virar avatar no metaverso

Teresa Teng canta nos anos 90: artista morreu em 1995 e "voltou à vida" agora com ajuda de ferramentas de inteligência artificial - Reprodução
Teresa Teng canta nos anos 90: artista morreu em 1995 e "voltou à vida" agora com ajuda de ferramentas de inteligência artificial Imagem: Reprodução
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Felipe Zmoginski

Felipe Zmoginski foi editor de tecnologia na revista INFO Exame, da Editora Abril, e passou pelos portais Terra e America Online. Fundou a Associação Brasileira de Online to Offline, foi secretário-executivo da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e head de marketing e comunicações do Baidu no Brasil, companhia líder em buscas na web na China e soluções de inteligência artificial em todo o mundo. Há seis anos escreve sobre China e organiza missões de negócios para a Ásia.

19/02/2022 04h00

A empresa sino-americana Digital Domain, responsável pelos efeitos especiais de grandes sucessos do cinema, como os filmes da Marvel, decidiu utilizar a experiência acumulada na criação de animações realistas para produzir "humanos virtuais", um tipo de criação que, acreditam os diretores da empresa, se transformará em produto com alta demanda em até cinco anos.

Para dar visibilidade à sua tecnologia, a Digital Domain decidiu "trazer de volta à vida", nas palavras de Daniel Seah, CEO da empresa, a cantora Teresa Teng, uma celebridade conhecida como "rainha do pop da Ásia" nos anos 90.

Teresa morreu aos 42 anos, em 1995, no auge de sua popularidade, durante uma súbita crise de asma. A morte prematura e inesperada contribuiu para transformar a cantora nascida na ilha de Taiwan em um ícone da música chinesa, admirado até hoje, 27 anos após seu falecimento.

Para "recriar Teresa", os algoritmos da Digital Domain ouviram todas as entrevistas, discos e gravações que contêm a voz de Teresa, bem como processaram todas as fotos e vídeos públicos da artista.

O resultado da análise destes dados permitiu que aplicações de inteligência artificial (AI, na sigla em inglês) criassem um avatar de Teresa que vive em plataformas de metaverso e pode ser acessado por usuários de internet que falem chinês.

A cantora interpreta músicas de sua autoria e, no mundo virtual, é capaz de interpretar canções que só foram compostas nos anos 2000, após sua morte.

Em eventos de demonstração da "Teresa Virtual", o avatar da cantora interagiu com a plateia e respondeu perguntas feitas ao vivo por fãs de sua música.

De acordo com a Digital Domain, nem todas as respostas dadas por Teresa são formuladas pelo algoritmo. Em algumas situações, um "intérprete humano" opta por responder perguntas para as quais não há respostas previstas. As expressões faciais e a voz, no entanto, são moduladas como Teresa faria.

A criação da cantora busca dar visibilidade para um novo tipo de produto digital, chamado de "avatares humanos", que a Digital Domain espera poder desenvolver, de forma personalizada, para milhões de usuários na internet e vendê-los, para que sejam utilizados no metaverso.

Em conferência à imprensa, essa semana, Daniel Seah defendeu que avatares holográficos que pensem e reajam como seu equivalente no "mundo físico" serão itens valiosos e importantes em breve.