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Felipe Zmoginski

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Rico, mas gasta muito: TikTok busca novas formas de financiar sua expansão

Escritório da ByteDance em Londres - Divulgação/ ByteDance
Escritório da ByteDance em Londres Imagem: Divulgação/ ByteDance
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Felipe Zmoginski

Felipe Zmoginski foi editor de tecnologia na revista INFO Exame, da Editora Abril, e passou pelos portais Terra e America Online. Fundou a Associação Brasileira de Online to Offline, foi secretário-executivo da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e head de marketing e comunicações do Baidu no Brasil, companhia líder em buscas na web na China e soluções de inteligência artificial em todo o mundo. Há seis anos escreve sobre China e organiza missões de negócios para a Ásia.

22/09/2021 04h00

A ByteDance, corporação chinesa que controla o TikTok, vive a curiosa situação de ser muito rica e ter pouco dinheiro. Explicamos. Avaliada em mais de US$ 250 bilhões, a companhia que possui outros apps bem-sucedidos em seu mercado doméstico, como o aplicativo de notícias TouTiao, já é uma das maiores empresas de tecnologia de todo o mundo.

Apesar do sucesso extraordinário, a empresa disputa um lugar ao sol em um mercado ultracompetitivo, em que é preciso gastar —e muito— em marketing e captação de novos usuários para manter seu ritmo de crescimento.

Tradicionalmente, empresas como a ByteDance encontram em fundos de investimento e na abertura de capital (o conhecido IPO) a fonte de recursos de que precisa.

Ocorre que, desde o início de 2021, o cenário está nebuloso para companhias chinesas que planejam abrir capital.

Algumas desistiram de fazê-lo, voluntariamente, caso da própria ByteDance, e outras "foram desistidas" de realizar tal operação, em função das crescentes pressões regulatórias de Pequim.

O fato objetivo é que, após anos de faroeste digital, a China decidiu regulamentar o funcionamento de suas big techs e o fez com extremo rigor.

Há poucos meses, por exemplo, a empresa líder em mobilidade no país, a Didi, que no Brasil controla a 99, teve seu app suspenso das lojas de aplicativos dentro da China. A razão de tal "castigo" foi o fato de a Didi ir buscar capital para financiar sua expansão em Nova York.

Em crescente conflito comercial e tecnológico com os Estados Unidos, tudo o que Pequim não deseja é ver suas estrelas tech buscando dinheiro —e cedendo ações— para investidores americanos.

A razão para tal comportamento é o medo de que estes "acionistas estrangeiros" usem sua influência para obter dados sensíveis coletados por tais plataformas —e os repassem às autoridades americanas.

Mais ou menos é um argumento similar ao que Trump usava para defender restrições à atuação da ByteDance nos Estados Unidos.

Serviços especializados em análise financeira, como Bloomberg e Forbes, afirmam que representantes da companhia circulam por financeiras negociando empréstimos ou mesmo a venda de ativos da empresa que lhes permita captar US$ 4 bilhões.

O dinheiro seria necessário para a ByteDance quitar compromissos de "curto prazo" e manter seus planos de investimento inalterados.

As dificuldades no front não são poucas.

Além dos obstáculos para se financiar, esta semana a companhia aderiu a um novo protocolo que fará seu app ser menos usado por crianças e adolescentes em seu principal mercado, a China. Por lá, meninos e meninas terão um limite máximo de 40 minutos de diversão no app a cada dia. O limite faz parte do esforço de Pequim para fomentar uma juventude mais atlética e estudiosa.

Apesar dos pesares, a ByteDance parece longe de reduzir seu apetite por novos negócios —e investimentos.

Esta semana, por exemplo, o site chinês 36Kr divulgou que a corporação planeja lançar, ainda neste ano, um app de streaming de música, ou seja, um "Spotify chinês". Por lá, este mercado já é dominado pela Tencent, que detém mais de 70% de market share neste segmento.

A luta pelos ouvidos dos consumidores deverá consumir mais alguns bilhões da empresa antes de tornar-se uma operação lucrativa.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL