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Akin Abaz

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Tecnologia também faz parte das regras de segurança em sets de filmagem

Cartaz cobra segurança em sets de filmagem durante homenagem à Halyna Hutchins, que morreu após disparo acidental de Alec Baldwin - Kevin Mohatt/ Reuters
Cartaz cobra segurança em sets de filmagem durante homenagem à Halyna Hutchins, que morreu após disparo acidental de Alec Baldwin Imagem: Kevin Mohatt/ Reuters
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Akin Abaz

Akin Bakari D'Angelo dos Santos é fundador da InfoPreta e homem trans. Um curioso nato e um amante do desconhecido, sempre se interessou por montar, desmontar e entender o funcionamento dos eletrônicos. Fez cursos técnicos na adolescência e, aos 15 anos, já atuava na área da indústria com manutenção eletrônica de maquinário pesado. Em 2011, começou a consertar computadores em seu quarto e dois anos depois fundou a InfoPreta, empresa de serviços de manutenção que tem por objetivo inserir pessoas negras, LGBTQI+ e mulheres no mercado tech, aliando lucros a projetos sociais de grande impacto.

Colunista do UOL*

04/11/2021 04h00

Depois do incidente fatal no set de filmagem de "Rust", produzido e estrelado por Alec Baldwin, no qual, infelizmente, a diretora de fotografia Halyna Hutchins foi atingida por um tiro e morreu, além de deixar o diretor Joel Souza ferido, muito foi falado nos noticiários e redes sociais sobre a presença ou a falta das medidas de segurança no cinema.

A minha intenção com esse texto não é abordar esse triste acontecimento em si, mas sim falar sobre a relação da tecnologia com tudo isso, e como graças a ela, ao longo das décadas, várias medidas de segurança foram criadas para o universo das produções audiovisuais (cinema, novelas, séries, etc.), no intuito de proteger todos os envolvidos em cenas que abordam qualquer tipo de ação ou violência.

Apesar das circunstâncias do que de fato aconteceu e o porquê da arma estar carregada ainda estarem em investigação, muitas dúvidas surgiram nos últimos dias sobre as regras da indústria cinematográfica americana e internacional para segurança dos profissionais durante atuação com armas ou explosivos.

As recomendações nesse tipo de cenário costumam ser semelhantes em todo mundo, mas, claro, há casos de países que possuem regras mais frouxas para essas situações.

Para os que seguem, as principais medidas são:

  • Limitar ao máximo o número de pessoas que terão contato com as armas;
  • Disponibilizar de tempo suficiente para explicações dos itens ao elenco;
  • Revisão completa dos materiais e objetos;
  • Usar técnicas de filmagem já disponíveis com os avanços da tecnologia, que visam minimizar os riscos;
  • Oferecer proteção física para equipe técnica e atores;
  • Ter um responsável para cuidar das armas e/ou explosivos;
  • Em muitos países, já é utilizado também armas feitas de plástico ou borracha durante cenas fechadas ou em "close-up".

Medidas de segurança no Brasil

Aqui no Brasil, temos uma série de normas que define quem pode possuir e circular com armas de fogo, mesmo aquelas que não funcionam mais e que serão destinadas à cenografia. Apesar de que, em fevereiro deste ano, o presidente Jair Bolsonaro editou quatro decretos para flexibilizar ainda mais as regras de aquisição, registro e porte de armas no país.

Em produções para televisão brasileira, são usadas armas falsas, réplicas atuais, que são leves, com espoleta de pólvora para fazer o barulho do tiro.

É um método mais avançado e seguro do que o usado nos Estados Unidos, que se utilizam de revólveres reais, mas que devem estar sem balas e sim com materiais de papel ou algodão. O que nem sempre acontece, como no caso recente de "Rust" e casos mais antigos como o que vitimou o ator Brandon Lee, em 1993.

O Brasil é exemplo de que a tecnologia pode e deve ser utilizada como uma grande aliada das medidas de segurança em set. A prova disso são os trabalhos utilizados em nossas novelas, onde, através dos efeitos especiais e da segurança é criado uma rechecagem, análise de risco técnica e algumas modelagens matemáticas para interpretar os alcances.

Assistir a cenas de lutas, corridas e todo tipo de cenário imaginário ou real recheado de ação, quando bem feito e executado, é sempre um recorde de audiência, bilheteria e assinaturas para quem realiza, além de um belo trabalho para quem assiste.

Porém, nada disso pode ser feito sem seguir protocolos, com cuidado redobrado aos envolvidos. E a tecnologia permite e mostra que é possível oferecer ao público as cenas mais reais possíveis, com o máximo de segurança em cada ato.

* Colaborou Gabriela Bispo, jornalista, planner e redatora da InfoPreta

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL