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Google Stadia, uma semana depois: fracasso ou ainda tem futuro?

Google Stadia foi lançado, mas ainda não mostrou a que veio - Reprodução
Google Stadia foi lançado, mas ainda não mostrou a que veio Imagem: Reprodução

Giovanna Breve

Colaboração para o START

25/11/2019 13h03Atualizada em 25/11/2019 15h16

O tão aguardado Google Stadia, promessa da empresa para revolucionar o mercado de games, foi lançado na semana passada em 14 países. Até o momento, porém, os reviews não são bons: a maioria dos veículos concorda que o Stadia é uma boa ideia, mas que ainda enfrenta muitos problemas na prática.

Enquanto a plataforma de games na nuvem do Google não chega ao Brasil, compilamos as opiniões da imprensa para entender melhor: o Stadia funciona? É um fracasso ou ainda precisa de mais tempo para se provar?

As promessas

Phil Harisson (ex- Xbox e PlayStation) é o principal nome a frente do Google Stadia - Justin Sullivan/Getty Images/AFP
Phil Harisson (ex- Xbox e PlayStation) é o principal nome a frente do Google Stadia
Imagem: Justin Sullivan/Getty Images/AFP

Em março, o Google revelou sua plataforma de streaming de games. O usuário, em vez de fazer downloads em um console, conseguiria jogar através da nuvem em rede. Para isso, acessaria o Stadia em plataformas como PC, mobile e até TV, ligada aos Chromecasts da empresa. O Google prometia uma extensa biblioteca de jogos com resolução em 4K a 60 frames por segundo, sendo alguns deles exclusivos. Ou seja: a aposta é que você não precisaria mais comprar PlayStation, Xbox, Nintendo Switch ou mesmo um PC Gamer.

Apesar dessa grande aposta, antes mesmo do pré-lançamento a empresa confirmou que para o Stadia mostrar toda a sua potência em alta qualidade havia dois pré-requisitos: uma conexão de internet com pelo menos 10 megabits por segundo na resolução básica de 720 pontos, e de 35 Mbps na versão em 4K.

Google Stadia acompanha um controle e um Chromecast - Divulgação
Google Stadia acompanha um controle e um Chromecast
Imagem: Divulgação

Por enquanto, está disponível apenas o serviço Premiere Edition, que custa em torno de US$ 129 (cerca de R$ 540) que acompanha o controle, o Chromecast Ultra (um dispositivo para conectar e jogar na TV) e uma assinatura de três meses. A versão gratuita só estará disponível em 2020.

O Stadia foi lançado apenas em 14 países, entre eles Estados Unidos, Canadá, Alemanha e Reino Unido. No Brasil ainda não existe uma data de lançamento.

Perrengues

Às vésperas do lançamento, alguns problemas começaram a surgir. Segundo o site Kotaku, algumas pessoas que fizeram a compra antecipada não receberam o código de acesso ao Stadia a tempo. Usuários publicaram no forúm Reddit que "continuaram esperando um e-mail do Google com suas informações de login um dia após o lançamento do serviço de streaming."

Muitos ficaram desapontados pois compraram o acesso com meses de antecedência e não puderam usufruir antes do lançamento. O gerente de comunidade do Stadia respondeu no fórum online que houve "um problema em que uma pequena fração dos códigos de acesso ao Stadia foi enviada fora de ordem".

Segundo anúncio no Twitter, o problema foi resolvido dois dias depois.

Avaliações

Segundo a maioria dos sites especializados em games, o Stadia carrega uma boa intenção, mas falha na execução.

Muitos dos serviços exclusivos ainda não foram disponibilizados, há muita queda de serviço de rede (mesmo utilizando uma internet com boa conexão) e muitos que testaram estranharam a qualidade de imagem quando comparando com versões de PC e console.

Google Stadia sendo testado em feiras - Justin Sullivan/Getty/AFP
Google Stadia sendo testado em feiras
Imagem: Justin Sullivan/Getty/AFP

O Ars Technica publicou que sofreu quedas constante de internet e, ao jogar "Destiny 2", as imagens em 4K do Stadia eram menos nítidas comparadas à versão de PC. O jornalista descreveu que "parece que alguém borrou uma fina película de vaselina na lente da câmera antes de enviar a imagem para o monitor". E ressaltou que muitos serviços do Stadia ainda não estão disponíveis.

Como está no lançamento, o Stadia é muito limitado e pouco confiável, com muito pouca vantagem para desistir da maneira tradicional de jogar. Embora existam alguns benefícios adicionais interessantes para uma vida de jogo na nuvem do Google (e o potencial para mais no futuro), hoje esses benefícios não valem as dores de cabeça e os riscos associados à transição para a plataforma do Google
Kyle Orland, do Ars Technica

A Wired e o Washington Post apontaram que o tempo de resposta do jogo é muito longo, frustrando a experiência de jogar, seja ao dar tiros decisivos em "Destiny" ou tentar fazer combos certeiros no "Mortal Kombat 11".

Jess Grey, da Wired, lembrou que o usuário não tem o jogo, mas apenas o acesso a ele e "mesmo que pague o preço total de varejo". Caso o Google decida tirar do ar o serviço, todo os progressos, troféus e jogos na biblioteca vão junto. Considerando que a empresa tem fama de abandonar projetos que não começam com o pé direito, parte da comunidade já fica apreensiva.

A jornalista também estranhou as imagens em 4K, tornando o jogo monótono e cansativo de ver. Apesar disso, há elogios de que o Stadia não esquenta tanto no notebook quanto o mobile, uma vez que a plataforma trabalha na nuvem, o hardware não precisa renderizar o jogo.

O Google tem muitos recursos a serem desenvolvidos e problemas a resolver, mas o Stadia cumpre pelo menos algumas de suas ambições elevadas. Está posicionado para levar os jogos a mais pessoas em mais plataformas do que nunca, e há algo muito interessante nessa perspectiva
Jess Grey, Wired

Gene Park, do Washington Post, descreveu que quando jogou em uma resolução 4K parecia um "projeto de pós-graduação de vanguarda, repleto de bugs". Muitos games sofreram com o tempo de resposta grande tanto em "Destiny 2" quanto em "Gylt", o indie exclusivo do console.

Não obstante, as críticas foram focadas no Chromecast Ultra, enquanto no celular rodou liso na maior parte do tempo. "Em todos os casos, o telefone superou a experiência em navegadores e TVs."

O Stadia está com certeza pavimentando um novo tipo de estrada de informações para jogos
Gene Park, do Washington Post

O site Polygon destacou que muitos recursos foram deixados de fora, como compartilhamento familiar, lista de amigos visível ou mesmo a transmissão de jogos no aplicativo iOS. Até questiona se é um lançamento, dada a falta de exclusividades. Segundo o site, "para chamar isso de lançamento completo é necessário um asterisco gigantesco."

No momento, precisamos apenas de um serviço de streaming em nuvem que funcione e que funcione bem
Chris Plante, Polygon

Apesar das fortes críticas, a maioria dos sites vê com bons olhos o futuro do Stadia. Há boas avaliações sobre jogar no smartphone, e elogios para o controle do Stadia, que consegue ser básico, e ao mesmo tempo sobressair se comparado aos controle da Sony e Microsoft.

Os especialistas reforçam que se o Google persistir, atualizar a plataforma e consertar o que precisa, pode ser que mude a forma como jogamos videogames.

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