PUBLICIDADE
Topo

Ricardo Feltrin

Música: Pagamentos de direitos autorais devem cair até 85% este ano

Carnaval do Baixo Augusta - Marcelo Justo/UOL
Carnaval do Baixo Augusta Imagem: Marcelo Justo/UOL
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

06/05/2021 00h09

Se o ano passado foi péssimo para a música e para os músicos do Brasil e do mundo, 2021 pode ser ainda pior.

Sem vacinação em massa, com um governo negacionista e nenhuma previsão de quando os shows com público presencial voltarão, a arrecadação de direitos autorais já caiu 15% no país no primeiro trimestre —na comparação com o mesmo período no ano passado. Mas isso é só a ponta de um "iceberg invertido", porque as coisas vão piorar.

Os dados desta reportagem são do Ecad (Escritório Central de Arrecadação de Direitos Autorais).

O cálculo da entidade é que, com a pandemia de coronavírus, o país tenha perdido em média 6.000 shows e festas por mês, causando uma crise sem precedente nas artes musicais.

E principalmente no bolso dos artistas e funcionários da música —muitos já em estado de pobreza, como esta coluna publicou.

Desabou

De janeiro a março, o Ecad diz ter distribuído R$ 191,2 milhões a 159 mil autores, músicos, intérpretes, editoras e produtores fonográficos, além das associações de música.

Isso significa 15% a menos que o primeiro trimestre do ano passado, quando foram distribuídos cerca de R$ 226,1 milhões —ainda sem contarmos com o impacto e as perdas causadas pela Covid-19.

2020 foi um ano de agrura: os direitos autorais despencaram 20% no país.

O pior entre os piores

Além do impacto causado na música como um todo, um segmento deverá terá perdas "medonhas": o das músicas de Carnaval.

A expectativa é que este ano os autores e intérpretes de músicas carnavalescas (e de festas de fim de ano) arrecadem 85% a menos que no ano passado, por causa da suspensão de quaisquer tipos de eventos do tipo.

Já no segmento de shows o cálculo é de uma redução de 81%. No segmento de cinema, -85%.

"É uma batalha complicada, mas temos feito o possível para amenizar o impacto da pandemia. Estamos trabalhando, por exemplo, para incrementar os rendimentos em direitos autorais por meio de negociações com as plataformas de streaming", diz a superintendente executiva do Ecad, Isabel Amorim.

No ano passado o Ecad anunciou um acordo inédito com o Grupo Globo a respeito do pagamento de direitos autorais em internet e streaming.

Ricardo Feltrin no Twitter, Facebook, Instagram e site Ooops