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Não tem como fugir de dólar alto, diz Band

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Imagem: Divulgação
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

05/10/2015 13h28

Uma das emissoras que mais investe em conteúdo e produtos internacionais, seja de entretenimento ou competições esportivas, a Band sofre com a alta do dólar mais do que sua concorrente mais próxima, a RedeTV!

Por meio de sua diretoria de Comunicação, a Band confirma que o câmbio atual já está  encarecendo muito os produtos internacionais, e que o objetivo agora é procurar "a melhor equação para manter a qualidade de programação".

"O dólar estava defasado antes e agora está supervalorizado, o que encarece muito os direitos sobre os produtos adquiridos."

Para a emissora, o mundo do conteúdo (de TV) está internacionalizado. "Uma parcela do nosso custo é em dólar, não tem como fugir."

Questionada se o atual dólar em alta não pode fazer com que emissoras voltem a procurar formatos próprios, a Band diz que isso é possível só até certo ponto:

"Se conseguirmos substituir por produção nacional, ótimo, mas o conteúdo nacional também será contaminado pela alta do dólar", pondera a emissora.

Reflexos da alta do dólar

De todas as emissoras abertas, a que está mais fragilizada com a alta do dólar é a Band. A emissora tinha dívidas já antigas em dólar (não revela quanto) e há alguns anos tenta resolver essa equação: reduzir o déficit em dólar e ampliar as receitas em reais.
 
Para isso, a emissora no ano passado vendeu suas antenas, e hoje é uma das que mais vende horários para produções independentes e igrejas. Sua principal cliente é a Igreja Universal, que paga alto pelas madrugadas e também pelo canal 21 (UHF).
 
O "Masterchef", por exemplo, é um sucesso de público, faturamento e crítica, mas até isso pode prejudicar a emissora.
 
A produtora holandesa Eyeworks ainda estaria esperando o pagamento dos royalties deste ano, e ainda há o risco dela aumentar o preço cobrado para a edição 2016, colocando ainda mais pressão sobre a Band.
 
A próxima edição do "Masterchef", portanto, ainda não está 100% garantida, justamente pela incerteza em relação ao dólar. Agora os direitos e produção são da Endemol Brasil.
 
A Band ainda tem outros produtos comprados em moeda norte-americana, como os direitos do desenho "Simpsons", e seriados como "iCarly" e "Wendell & Winnie" (Nicleodeon), além de filmes.