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Como Anitta foi de criticada em 2018 à voz atuante contra Bolsonaro em 2022

Anitta passou de criticada em 2018 por se recusar a criticar Jair Bolsonaro a uma das vozes mais atuante contra o político entre as celebridades brasileiras - Anitta (Reprodução/Quotidien) e Bolsonaro (Evaristo Sa/AFP)
Anitta passou de criticada em 2018 por se recusar a criticar Jair Bolsonaro a uma das vozes mais atuante contra o político entre as celebridades brasileiras Imagem: Anitta (Reprodução/Quotidien) e Bolsonaro (Evaristo Sa/AFP)

Tiago Minervino

Colaboração para Splash, em Maceió

04/07/2022 04h00

Principal nome da nova geração da música brasileira, Anitta é, inquestionavelmente, um furacão por onde passa. A artista de 29 anos galgou vários degraus desde sua estreia no cenário musical ainda como MC na Furacão 2000, em 2010, até bater recorde e chegar ao topo do Spotify Global com o hit "Envolver", que consolidou seu nome no cenário internacional, além de ocupar o primeiro lugar em uma lista da Billboard.

Conforme Anitta, nome artístico de Larissa de Macedo Machado, foi conquistando espaço e fãs, naturalmente cresceram as críticas e as cobranças. Em 2018, a cantora foi o centro de uma polêmica quando se viu pressionada por seu público a se posicionar politicamente contra o então candidato à presidência da República, Jair Bolsonaro (à época no PSL), mas recusou-se a fazê-lo.

Criticada, a famosa deixou o tempo passar e, anos depois, buscou ajuda para aprender sobre política. Hoje, a carioca de Honório Gurgel se tornou uma das vozes mais atuantes do showbiz tupiniquim contra o atual mandatário, que busca a reeleição no pleito deste ano. Em julho, após ter dito que ainda buscava uma terceira opção, Anitta anunciou apoio à pré-candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência.

Mas como aconteceu essa transformação?

anitta - Reprodução: Instagram - Reprodução: Instagram
Anitta já foi criticada por não se posicionar contra Jair Bolsonaro em 2018
Imagem: Reprodução: Instagram

O cenário político brasileiro já estava polarizado em 2018 como está hoje. De um lado estava o PT, que tinha o ex-prefeito Fernando Haddad como candidato, substituindo o ex-presidente Lula, então preso em processos da Operação Lava Jato. De outro, o então deputado federal Jair Bolsonaro, candidato de perfil conservador, com declarações apontadas por críticos como machistas, racistas ou homofóbicas.

Com público majoritariamente composto por pessoas LGBTQIA+ — pesquisa da organização Vote LGBT mostrou que os membros dessa comunidade têm maior preferência por Lula a Bolsonaro —, Anitta foi cobrada a se posicionar contra o político de extrema-direita, mas se recusou. A funkeira foi acusada de querer se aproveitar do dinheiro desse público, mas se opôs a atender a demanda dos fãs. À época, chegaram a subir a hashtag "#AnittaDigaNãoaoFascismo" no Twitter.

Na mesma plataforma, a carioca disse que estava sendo pressionada para fazer algo que não queria, e classificou como incoerente a acusação de se aproveitar do dinheiro dos LGBTQIA+, sendo que faz parte da comunidade por ser bissexual.

"Não quero ser obrigada a fazer campanha política quando não foi esse o trabalho que escolhi", afirmou. "É totalmente incoerente dizer que eu apoio a morte da comunidade LGBTQ+ quando eu faço parte dela. Estaria apoiando a minha própria morte", completou, ressaltando, na ocasião, que foi "desrespeitada" e vítima de cyberbullying.

Anitta teve aulas com Gabriela Prioli

O tempo passou e Anitta decidiu estudar política de tanto que as pessoas a cobraram para que tenha um posicionamento sobre o tema. Em 2020, quando esteve no programa "Conversa com Bial", da TV Globo, a famosa explicou que aproveitou o confinamento imposto pela pandemia de coronavírus para ter aulas com sua amiga, a advogada e comentarista Gabriela Prioli.

"Na internet as pessoas cobram tanto que a gente tenha uma posição político que fez eu me questionar: 'como vou ter uma posição se eu não entendo nada do que estão me pedindo? Preciso começar a entender", disse a cantora, que salientou a necessidade de aceitar a própria ignorância sobre o assunto, para só então conseguir reverter o jogo.

"Quando começaram a me cobrar, fui logo pedir a ela [Prioli] para me ensinar, para que eu pudesse aprender e saber como poderia me posicionar", continuou. "A Gabriela me ensina os dois lados [direita e esquerda] e eu escolho a minha maneira de pensar", completou.

Com o auxílio de Gabriela Prioli, Anitta passou a fazer lives por meio de seu perfil no Instagram, para que não apenas ela pudesse aprender um pouco mais sobre política, mas também seus fãs que não entendem muito do assunto.

"Assim como eu não entendia nada de política, tem muita gente que não entende também e não tem acesso a informação, porque o ensino no nosso país é muito complicado. É importante ficarmos informados, pois estamos vivendo em um momento difícil e com muita briga política acontecendo", ponderou.

anitta - Reprodução/Instagram  - Reprodução/Instagram
Gabriela Prioli e Anitta
Imagem: Reprodução/Instagram

Voz atuante contra Bolsonaro

Inteirada sobre o tema e capaz de discernir entre o que é ser de direita e o que é ser de esquerda, Anitta resolveu se posicionar de forma contundente contra Jair Bolsonaro. Nos últimos meses, ela tem sido notícia constante por suas declarações políticas nas redes sociais, na imprensa nacional e internacional, e até nos palcos.

Em abril, a cantora bloqueou o mandatário no Twitter, após ele ironizar uma postagem feita por ela a respeito da simbologia da bandeira nacional e das cores verde e amarelo. Desde então, a carioca intensificou as criticas ao político, a quem ela passou a chamar de Voldemort, vilão da franquia Harry Potter e "aquele que não deve nomeado", em recusa a ter que pronunciar o nome do político de extrema-direita.

Recentemente, por exemplo, Anitta foi a convidada do talk show de maior audiência da TV francesa, "Quotidien", do canal TF1, e não economizou nas criticas a Jair Bolsonaro, além de afirmar que ele "não representa" os brasileiros.

Se em 2018 a artista evitava falar sobre política, na TV francesa ela enfatizou a importância que o tema exerce sobre as vidas das pessoas, e destacou se tratar de algo particularmente importante para ela "como celebridade, como cantora", pois "o público está sempre vendo o que falo".

"Eu gosto de passar para o público o meu pensamento político também. E eu não concordo com muita coisa que esse presidente faz: acho que ele estimula o racismo, o preconceito, tudo de ruim", afirmou.

"O preconceito é inaceitável ao meu ver", continuou, para, em seguida, recorda a ocasião em que Jair Bolsonaro foi "deselegante" com a primeira-dama da França, Brigitte Macron, esposa do mandatário francês Emmanuel Macron.

"Ele [Bolsonaro] não representa de jeito nenhum os brasileiros, nós somos super respeitosos", ressaltou.

Dias depois, dessa vez durante passagem por Portugal, a brasileira falou com jornalistas e culpou Bolsonaro pelo "clima" de briga no Brasil, pois, segundo a funkeira, o presidente "estimula" esse tipo de comportamento.

"[Na atualidade] o clima no nosso país é tudo briga, briga, briga. E acho que isso tem muito a ver com quem está comandando a gente", disse.

Incentivo ao cadastramento de eleitores

Em março, Anitta liderou um movimento que tomou conta das redes sociais para incentivar os jovens a tirarem título de eleitor para votar no pleito de outubro — conforme o Datafolha, os jovens têm preferência por Lula e rejeitam mais Bolsonaro.

Tanto no Twitter quanto no Instagram, a funkeira se empenhou para encorajar os jovens a exercerem sua cidadania, e ganhou até o apoio de celebridades internacionais, como os atores Leonardo DiCaprio e Mark Ruffalo, ao mesmo tempo em que enfureceu os bolsonaristas.

Em maio, Bolsonaro ironizou Anitta após a famosa revelar conversa que teve com DiCaprio, e elogiar o norte-americano pelo fato saber "mais sobre a Amazônia" que o presidente. Em tom de deboche, Jair disse que ficou "feliz" porque a artista conversou com Leonardo, pois é um "sonho de todo adolescente falar com um ator de Hollywood".