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Wagner Moura sobre ameaças em 'Marighella': 'Não tenho medo, são covardes'

Wagner Moura falou sobre as ameaças sofridas durante a produção de "Marighella" - Bob Wolfenson/Divulgação
Wagner Moura falou sobre as ameaças sofridas durante a produção de "Marighella" Imagem: Bob Wolfenson/Divulgação

Colaboração para Splash, em Alagoas

02/11/2021 09h02

O ator e diretor Wagner Moura, de 45 anos, falou sobre as ameaças sofridas durante a produção de seu filme "Marighella", que conta a história do guerrilheiro Carlos Marighella, um dos principais nomes no combate à ditadura militar no Brasil.

Em entrevista ao programa "Roda Viva", da TV Cultura, Moura afirmou não ter medo "dessa gente" classificada por ele como "fascista" e "covarde" e ponderou que, ao seu ver, as ameaças não se restringem ao perigo físico, mas também à tentativa de censura do filme por órgãos do governo, como o fato de a Ancine ter cancelado recursos já autorizados para o longa.

"Eu não tenho medo dessa gente porque eles são covardes, dizem que vão lá ameaçar", iniciou Wagner Moura para, em seguida, destacar que fazer um filme como "Marighella" no Brasil de hoje é também uma forma de "enfrentamento" do qual, afirma, tem "orgulho de participar".

"Acho que nós precisamos fazer esse enfrentamento contra o fascismo. Os ataques foram todos. A questão com a Ancine é uma clara censura. O 'Marighella' tinha sido contemplado com os fundos setorial para complementação da produção e não recebemos o dinheiro porque foi negado pela Ancine, no momento em que o Bolsonaro falava abertamente em filtragem na Ancine", declarou, pontuando que outros editais, sobretudo aqueles com temática LGBTQIA+ foram cancelados após censura do presidente.

Na entrevista, Wagner Moura disse que esse "enfrentamento" precisa ser feito por todos os setores da população, e citou o episódio ocorrido no último final de semana, em Roma, na Itália, quando seguranças do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) agrediram fisicamente alguns jornalistas brasileiros, inclusive o colunista do UOL, Jamil Chade, e o mandatário voltou a hostilizar a imprensa ao ser confrontado com seu isolamento durante a reunião de líderes na COP26.

"Não pode esses caras chegarem em Roma e agredirem jornalistas dessa maneira, não pode darem permissão a essa militância covarde de fazer esse tipo de coisa, esse enfrentamento tem que ser uma coisa de todos nós", relatou, salientado seu sentimento de felicidade por saber que seu filme "esteja sendo abraçado, que estejam vendo isso no filme, que o filme é um produto da cultura brasileira disposto ao enfrentamento".

"Marighella"

Protagonizado por Seu Jorge, "Marighella" retrata a história de Carlos Marighella, um dos principais opositores da ditadura militar no Brasil. Guerrilheiro, ele foi o responsável por liderar um dos maiores movimentos de resistência contra os ditadores, até ser assassinado em 1969, durante uma emboscada feita por policiais.

Completam o elenco nomes como Bruno Gagliasso, Luiz Carlos Vasconcellos, Herson Capri, Humberto Carrão e Adriana Esteves, entre outros.

"Marighella" será lançado nos cinemas de todo o país em 4 de novembro.