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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Batman pode até ser um bom filme, mas é uma péssima fantasia de Carnaval

Uadjuana quílmi? - Reprodução
Uadjuana quílmi? Imagem: Reprodução
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Textos semanais escritos pelos roteiristas do canal de humor Porta dos Fundos, responsáveis por mais palavrões ditos por famosos que a coluna do Léo Dias. "Roteiristas são como duendes: ninguém nunca os vê, mas fazem coisas mágicas por um prato de comida" (antigo provérbio chinês)

Colunista do UOL*

28/02/2022 11h00

Desde a origem do Carnaval muita coisa mudou: evoluímos e aprendemos sobre o conceito de assédio, que não é não, o que é golden shower e que algumas fantasias que vestimos podem ser bem problemáticas, como o black face e indumentárias indígenas. E não acho que esteja exagerando ao afirmar que fantasias de Carnaval são mais importantes que filmes de Hollywood, uma vez que nos filmes, se for ruim, você pode colocar a culpa no diretor ou no Robert Pattinson. Na fantasia de Carnaval, é sua cara que está dentro da fantasia, afirmando que você literalmente se identifica com aquilo.

Abolir um tipo de fantasia que se prende a estereótipos é extremamente importante para refletirmos e melhorarmos nossa consciência social, e pensando em tudo isso eu sugiro que esqueçamos mais uma fantasia a partir desse ano: a do Batman.

Quem é o Batman? Um bilionário. E sinceramente, em pleno 2022, quem ainda idolatra bilionários? Tirando os liberais de 16 anos de idade que se masturbam pensando em Elon Musk, ninguém mais. Pular carnaval vestido de Batman é gritar para o mundo que os bilionários venceram e você está feliz com isso, é incentivar o comportamento abusivo de um cara que ao invés de ajudar as classes mais pobres, prefere colocar uma fantasia de gótico com chifrinho (morcego nem tem chifrinho!) e fazer parkour em edifícios residenciais à noite.

Eu não vou julgar a obsessão de Bruce Wayne por morcegos, porque bilionários são excêntricos mesmo. Jeff Bezos, por exemplo, tem uma estranha obsessão por foguetes e explorar mão de obra.

Tem quem diga que combater o crime é o suficiente, mas quando se gasta milhões com um tanque de guerra para andar pela cidade e aliciar menores para o trabalho infantil (cadê a assistente social do Robin?), combater o crime e doar uma cesta básica é o mínimo que um playboy poderia fazer. E quem cai nesse papo de super-herói? Todos sabemos o motivo de um bilionário só sair a noite: para evitar testemunhas caso ele atropele alguém embriagado. E acho incrível como o batmóvel só atropela criminosos sexta-feira à noite na saída das baladas de Gotham, se é que me entendem.

Então, nesse Carnaval, esqueça o Batman. Se for pra se vestir como um bilionário, escolha o Bill Gates, sei lá, ele pelo menos fez uns computadores legais.

*Jhonatan Marques é comediante e roteirista do Porta dos Fundos. No Instagram: @ojhonatanmarques