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Pedro Antunes

MC Maia vem aí? Rodrigo Maia solta rap de despedida, mas só passa vergonha

Rodrigo Maia no clipe 'A História de Um Homem Comprometido com o Brasil'
Rodrigo Maia no clipe 'A História de Um Homem Comprometido com o Brasil'
Reprodução
Pedro Antunes

Pedro Antunes, ou "Pô Antunes" pra quem só me conhece pelo Instagram, é jornalista, apresentador, curador e crítico de música e cultura pop desde 2010. Escreveu no Jornal da Tarde, Estadão e foi editor-chefe da Rolling Stone Brasil. Fez mais entrevistas do se lembra, tem um "novo disco favorito" por semana e faz mini-análises de álbuns no programa Tem um Gato na Minha Vitrola, no perfil @poantunes.

Colunista do UOL

19/01/2021 10h56

Eu deveria ter menos de 12 anos quando, em alguma atividade da escola, tive que brincar de fazer um rap. Comecei assim: "Presta atenção na história que aqui eu vou contar para vocês".

Depois, eu seguia com uma sequência de rimas simples de verbo com verbo sobre qualquer mínimo draminha na minha vida estudantil razoavelmente privilegiada da época.

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MC Maia vem aí?

Calma, é mais ou menos isso. Rodrigo Maia celebrou o que chama de "o legado dele como presidente da Câmara dos Deputados", com um videoclipe publicado nas redes sociais hoje (19), mas não é ele quem canta na faixa, infelizmente.

Assista ao vídeo abaixo:

É bom lembrar, politizado leitor, que Maia assumiu a presidência da Câmara depois daquela assombração horripilante chamada Eduardo Cunha. No dia 1º de fevereiro, será realizada uma nova eleição para a escolha do novo presidente.

Voltemos à música, jingle ou a forma como você quiser chamar essa obra cujo título é "A História de Um Homem Comprometido com o Brasil".

Com rimas pobres (quando as palavras rimadas são da mesma categoria gramatical), batidas mais molengas do que aquela cenoura depois de quatro dias esquecida no fundo da geladeira, o som que Maia tenta reproduzir é um pastiche de rap e trap.

Mas o faz com uma fluência de nível escolar, de criançada que ainda está aprendendo a fazer rimas. Se me dissessem que é uma letra criada por um pré-adolescente, faria mais sentido.

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São rimas sequenciais que oferecem zero desafio para quem escreve e questiona a inteligência de quem ouve. Um verso termina com "vocês", seguido de outro com "dois mil e dezesseis", "legado" rima com "deputado", e segue por aí.

Os beats, parte primordial de qualquer rap/trap/R&B que se preze, parecem feitos por algum app de celular gratuito (e realmente não me importa se foi isso, mesmo, ou se foi com uma mesa de última geração).

Por fim, os efeitos de voz (que é anônima, já que não há créditos por essa pérola).

É algo como "queria ser Kanye West, mas acabei soando como se tivesse inspirado gás hélio".

É bom lembrar, também, na na apropriação de um gênero que, salvo engano, veio de uma periferia e representa parcela da sociedade a qual Maia não só não convive como provavelmente nunca visitou - a não ser em tempos de campanha, talvez. E sequer escute.

Ou seja, é um marketing que deu errado.

Maia quis falar do legado, do que fez na presidência da Câmara, mas, basta ler os comentários no Facebook ou no Instagram para perceber que o pedido do pessoal é outro.

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Ao fazer um vídeo para agradecer a si próprio, Maia acabou só passando vergonha, mesmo.

E mostra que, de rap, ele realmente não entende.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL