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Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Paulo Gustavo evitou o caminho mais fácil e fez fama longe da TV aberta

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

04/05/2021 22h08

Mais bem-sucedido humorista da atualidade, Paulo Gustavo se manteve, desde o início da carreira, distante da TV aberta. É uma trajetória que contraria o senso comum, segundo o qual é preciso mostrar a cara nos principais canais de televisão para ser, de fato, conhecido pelo público no Brasil. O ator morreu nesta terça-feira (04), aos 42 anos, em consequência da covid-19.

Do teatro para a TV paga e o cinema, Paulo Gustavo se tornou uma figura querida - e um campeão de bilheteria e Ibope - desenvolvendo um trabalho muito pessoal, que dificilmente teria conseguido emplacar, com estas características, na Globo.

A Dona Hermínia, de "Minha Mãe É uma Peça", é a sua criação mais famosa e popular. "Essa personagem mudou a minha vida para sempre", disse uma vez. Não consigo imaginar uma mãe tão polivalente no horário nobre da Globo: desbocada, sacana, fumante, politicamente incorreta e, ao mesmo tempo, amorosa e acolhedora do filho gay, entre outras características.

Paulo Gustavo - Divulgação - Divulgação
Dona Hermínia (Paulo Gustavo) em cena de "Minha Mãe é uma Peça 2"
Imagem: Divulgação

O segundo dos três filmes, o melhor deles, na minha opinião, teve mais de 8 milhões de espectadores, em 2016. O terceiro, a maior bilheteria do cinema brasileiro, alcançou mais de 9 milhões, em 2019. O primeiro, de 2013, teve 4,6 milhões de espectadores.

Ainda que tenha mantido distância da Globo, Paulo Gustavo tornou-se uma das caras do Multishow, um dos canais do grupo na TV por assinatura. Fez muita coisa lá, mas três programas, em particular, garantiram índices de audiência ótimos para a empresa.

Desde 2011 até os dias atuais, com "220 Volts", "Vai que Cola" e "A Vila", o humorista firmou a reputação de criador de tipos, hábil improvisador e rei da comédia de situações.

Diferentemente de outros comediantes de sucesso da sua geração, Paulo Gustavo apostou num tipo de humor mais tradicional, popular e, de certa forma, sem maiores ousadias em suas experiências no Multishow.

Em 2014, numa entrevista, falou da distância que mantinha da TV aberta: "O 'Fantástico' me propôs ter um quadro. Uma hora vou topar um desses convites, mas eu não preciso dessa audiência da TV aberta. Essa [vontade] de migrar da TV fechada para a aberta eu não tenho. Meu forte é o teatro".

Só em 2020, com a proposta de um especial de fim de ano, o humorista levou para a Globo alguns de seus personagens preferidos, Dona Hermínia, Senhora dos Absurdos, Maria Enfisema, o Playboy e o Sem Noção. O "220 Volts - Especial de Fim de Ano" foi o ensaio de uma aproximação que, infelizmente, não terá desdobramentos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL