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Globo e Record revivem guerra dos anos 90 com reportagens em dominicais

No "Domingo Espetacular", Record acusa a Globo de perseguição relagiosa  - Reprodução
No "Domingo Espetacular", Record acusa a Globo de perseguição relagiosa Imagem: Reprodução
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Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

14/09/2020 01h14

Resumo da notícia

  • Record acusou a Globo de perseguir a Igreja Universal e Marcello Crivella sem ter provas
  • Já a Globo exibiu trechos de mensagens trocadas entre o prefeito do Rio e suposto "homem bomba"
  • Briga entre as emissoras remete aos anos 90, quando ambas se atacavam abertamente

Quem viveu os anos 90 da TV brasileira lembra bem de um período em que Globo e Record viviam em pé de guerra. Na época, em uma série de reportagens, o "Jornal Nacional" mirou na Igreja Universal, mostrando trechos de conversas de Edir Macedo orientando pastores a pedir o dízimo e exibiu um bispo chutar a imagem de uma santa. Em 1995, a emissora colocou no ar "Decadência", uma minissérie escrita por Dias Gomes sobre um líder evangélico que explorava seus fiéis. Logo depois, Edir Macedo decidiu processar o canal e o dramaturgo por danos morais, uma vez que trechos de uma entrevista dada pelo religioso à revista "Veja" foram transformados em diálogos. Por meio do programa "25ª Hora", a Record partiu para o ataque contra a rival e ressaltou sua relação com governos militares.

Desde então, ainda que em alguns períodos uma trégua entre as partes ocorra, volta e meia alguma denúncia surge. Em 2009, a Record exibiu reportagem questionando a compra da então TV Paulista, que viria a originar a Globo. Neste domingo (13), mais um capítulo da briga entre as emissoras veio a público. Durante toda a última semana, a Globo exibiu reportagens sobre uma investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro que mira um suposto esquema de corrupção envolvendo o prefeito Marcello Crivella. Segundo as matérias, a Igreja Universal teria recebido grandes quantias da prefeitura - a instituição nega. O caso voltou a ser assunto no "Fantástico", mas, antes mesmo da exibição da reportagem, o "Domingo Espetacular" colocou no ar uma espécie de resposta ao material jornalístico da concorrente.

Com a legenda "Globo ataca Igreja Universal sem provas", o programa ouviu o prefeito e líderes da Igreja, que falaram em perseguição religiosa. Na reportagem, questionou-se como a emissora teve acesso a documentos sigilosos e falou-se em tentativa de influenciar o resultado das próximas eleições. Foram mostradas ainda acusações do doleiro Dario Messer contra a família Marinho e a controvérsia gerada pela reforma do apartamento de uma das herdeiras da Globo. Não houve citação, no entanto, a Rafael Alves, que, segundo o MP, seria o braço direito de Crivella e exerceria grande influência sobre a prefeitura e alguns dos supostos esquemas.

Exibida posteriormente ao material levado ao ar no "Domingo Espetacular", a reportagem do "Fantástico" trouxe mensagens de texto que teriam sido trocadas entre prefeito e Rafael e também entre o suposto braço direito e o marketeiro da campanha de Crivella. Segundo a Globo, embora não tivesse cargo público, Rafael, tratado como "homem bomba", chegava a despachar de uma sala da Riotur, órgão da prefeitura, e teria influenciado até mesmo no resultado dos desfiles de escola de samba. A Igreja Universal foi igualmente citada como parte do esquema.

Independente do andamento das investigações, o que as duas atrações dominicais mostraram é que as emissoras estão dispostas a partir para a briga e uma trégua parece distante. Ao acusar a Globo de interesses ilícitos e de fazer jornalismo sem provas, a Record chama a rival para o duelo de maneira muito direta. Esta, por sua vez, não parece disposta a baixar o tom. Essa novela parece estar longe de acabar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL