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André Barcinski

Documentário diz: o apocalipse ambiental está mais perto do que imaginamos

Incêndio no Pantanal - Mayke Toscano/Secom-MT
Incêndio no Pantanal Imagem: Mayke Toscano/Secom-MT
André Barcinski

André Barcinski é jornalista, roteirista e diretor de TV. É crítico de cinema e música da ?Folha de S. Paulo?. Escreveu sete livros, incluindo ?Barulho? (1992), vencedor do prêmio Jabuti de melhor reportagem. Roteirizou a série de TV ?Zé do Caixão? (2015), do canal Space, e dirigiu o documentário ?Maldito? (2001), sobre o cineasta José Mojica Marins, vencedor do Prêmio do Júri do Festival de Sundance (EUA). Em 2019, dirigiu a série documental ?História Secreta do Pop Brasileiro?.

Colunista do UOL

20/10/2020 06h00

Resumo da notícia

  • O documentarista inglês David Attenborough, 94, lança filme assustador sobre o efeitos do aquecimento global e a destruição do meio ambiente

Se você pudesse ser outra pessoa, do passado ou presente, quem seria?

A minha resposta é fácil: eu queria ser David Attenborough.

"Sir" David tem 94 anos e é considerado um tesouro nacional na Inglaterra. Por sete décadas, tem produzido, dirigido e apresentado documentários na BBC, quase todos sobre o tema mais importante que existe: o meio ambiente.

Nesses quase 70 anos, Attenborough deu várias voltas ao mundo documentando as maravilhas da natureza e de nossos povos: filmou as geleiras da Antártida e as florestas de Bornéu, escalou montanhas no Nepal e mergulhou na Austrália. Conheceu a Amazônia e mostrou sua beleza e pujança.

David Attenborough é um documentarista tão bom, e faz documentários há tanto tempo, que é a única pessoa na história a ganhar o BAFTA - espécie de Oscar inglês - por filmagens feitas em preto e branco, a cores, em HD, 3D e 4K.

Em 2020, Attenborough lançou seu mais recente - e, possivelmente, último - filme documental: "David Attenborough: Uma Vida no Nosso Planeta", em cartaz no Netflix. O filme deveria ser obrigatório em escolas, igrejas, clubes e associações de bairro.

O documentário lembra passagens marcantes do trabalho de Attenborough nesses quase 70 anos e mostra como a ação do homem vem destruindo a natureza.

A conclusão é simples: se não agirmos agora, nossos filhos já viverão num mundo distópico à la "Mad Max".

Attenborough compara imagens que fez há 70, 50 ou 30 anos de florestas e geleiras, com as cenas apocalípticas que temos visto em tempos mais recentes.

Ele mostra imagens das imensas florestas de Bornéu, feitas há meio século, e compara com a mesma floresta hoje, praticamente transformada numa monocultura de dendê. Depois, volta à Antártida e mostra os efeitos catastróficos do aquecimento global nas montanhas de gelo, que diminuem ano após ano.

Mas David Attenborough diz que nem tudo está perdido, e mostra também soluções engenhosas, realizadas em várias partes do mundo, que podem ajudar a conter o cataclisma ambiental, como imensas usinas de energia solar no Marrocos e experiências de proibição de pesca em regiões da Oceania que multiplicaram a quantidade de peixes em regiões próximas.

Não vou falar mais. Assista ao filme. Não é uma experiência agradável, mas é necessária para nos tirar desse estado catatônico e complacente em que vivemos e que permite que quase 20% do Pantanal queime enquanto gastamos tempo demais em redes sociais.

Uma ótima semana a todos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.