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Aline Ramos

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Pornô ou erotismo? Cenas de sexo em Elite desafiam moralismo

Reprodução/ Netflix
Imagem: Reprodução/ Netflix
Aline Ramos

Aline Ramos é jornalista, mas tá mais pra palpiteira, por isso cria conteúdo na internet desde 2014. Você com certeza já fez algum teste dela no BuzzFeed, onde foi redatora por dois anos. É especialista em diversidade e dá consultoria para marcas em temas como raça e gênero. Mas o que ama mesmo é escrever sobre entretenimento e dar opinião sobre tudo, se bobear até sobre a sua vida.

Colunista do UOL

21/06/2021 12h00

Elite é mais uma série teen totalmente distante do que é a vida de um adolescente comum. Isso está longe de ser um problema. Com muito sexo, assassinatos, dramas, crimes e traições, a produção espanhola da Netflix se firmou como uma das queridinhas do público jovem e chegou à sua quarta temporada.

Se as temporadas anteriores já eram capazes de chocar um público mais conservador, a quarta chegou com os dois pés na porta. A quantidade de cenas de sexo fez a série ser comparada ao site de vídeos pornográfios Xvideos. No momento, falar de Elite é falar de sexo.

Sexo casual em evidência

Mesmo que, de modo geral, a gente acredite que adolescentes são mais liberais, as críticas feitas ao teor sexual da última temporada podem indicar o contrário. Há um certo moralismo quando se compara Elite ao pornô. Sempre houve sexo na série. Mas o que mudou agora?

As três primeiras temporadas são carregadas de drama e tudo parece muito intenso. Na quarta, há diferenças. Com a chegada de personagens novos e que não possuem relação prévia com os colegas, os vínculos estabelecidos são mais frágeis e superficiais. E isso se estende ao sexo.

Sendo assim, podemos dizer que anteriormente o sexo carregava mais sentimentos. A existência de vínculos afetivos entre os personagens atenuava a forma como o público recebia as cenas quentes. A partir do momento em que as relações sexuais se tornaram, em sua maioria, casuais e focadas no prazer, passaram a ser mais condenáveis.

Relações homossexuais ganham destaque

Apesar de ainda contar com relacionamentos heterossexuais, a atual temporada focou ainda mais nas relações homossexuais. Se antes o trisal era formado por dois homens e uma mulher, agora são três homens gays. Além disso, a formação de um casal de mulheres é novidade, assim como as cenas de sexo entre elas.

E mais, um dos garotos gays é adepto da cachorrada e passa a maior parte do tempo procurando por sexo casual. As relações heterossexuais definitivamente ficaram para trás na quarta temporada de Elite.

Erotismo x pornografia

Há um debate antigo sobre as diferenças entre pornografia e erotismo. É sempre difícil definir o que é uma coisa e o que é outra, já que os conceitos são abstratos e mudam de acordo com os costumes de cada época. Isso é o que pode explicar por que a atual temporada de Elite se tornou tão polêmica.

De maneira geral, séries, filmes e novelas reproduzem relações sexuais heterossexuais, classificadas como eróticas e artísticas. É com esse modelo que o nosso olhar foi acostumado.

Já o sexo homossexual, não monogâmico e casual, ainda é tabu para muita gente, assim como para a maioria das produções de dramaturgia. Por isso, ganha a fama de pornográfico.

O lado bom disso tudo é que o que é considerado pornográfico hoje pode ser considerado apenas erótico amanhã. O tempo absolverá Elite.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL