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O 'pior hotel do mundo' está em Amsterdã: 'Venha com baixas expectativas'

Fachada do Hans Brinker, em Amsterdã: se autodenominar "o pior" virou estratégia de marketing - Reprodução
Fachada do Hans Brinker, em Amsterdã: se autodenominar 'o pior' virou estratégia de marketing Imagem: Reprodução

Marcel Vincenti

Colaboração para Nossa

08/11/2022 04h00

A frase do título é uma das mensagens nada empolgantes que o hostel Hans Brinker, localizado na cidade de Amsterdã, estampa em sua página na internet.

Sugerir que o hóspede não tenha lá muitas expectativas é, realmente, nada animador, mas condizente com a maneira que o estabelecimento adotou para se promover.

O Hans Brinker é chamado na internet de "o pior hotel do mundo", um título que o próprio hostel já utilizou em campanhas de marketing.

"Aqui, você recebe o que paga. E porque você não paga muito, você não vai ter nenhuma das seguintes coisas: piscina, serviço de quarto, suítes de lua de mel, academia, frasquinhos de xampu, banheira de hidromassagem ou mensageiros com chapéus bobos", informa a empresa de hospedagem holandesa.

Há diárias no hostel custando 20 euros, para estadia em quartos compartilhados que recebem até 8 pessoas. E 30 euros para quartos individuais.

Quarto compartilhado do hostel: acomoda até 8 pessoas em beliches - Divulgação - Divulgação
Quarto compartilhado do hostel: acomoda até 8 pessoas em beliches
Imagem: Divulgação

As acomodações compartilhadas são extremamente básicas, com apertados beliches de metal, magros armários também de metal e quase nenhuma decoração — e pensadas principalmente para mochileiros que, em Amsterdã, só estão buscando um lugar barato para dormir e para fazer amizade com outros viajantes.

Mas, fora dos quartos, até que o hostel conta com uma boa infraestrutura em suas áreas sociais, mesmo não tendo piscina, academia, sauna ou a presença de mensageiros com chapéus engraçados.

O bar do hotel: ponto de encontro dos mochileiros - Divulgação - Divulgação
O bar do hostel: ponto de encontro dos mochileiros
Imagem: Divulgação

"Em nosso edifício, há um bar, área de jogos e um espaço para refeições em grupo. Há também um grande pátio que fica no centro do hostel, onde as pessoas podem fumar e apreciar uma cerveja", explica Sage Scott, gerente do Hans Brinker. "E temos um bar no andar de baixo que chamamos de discoteca e que pode ser usado para eventos como festas temáticas e música ao vivo. O espaço fica aberto até as 4 da manhã para os hóspedes aos fins de semana".

Nem tão 'pior' assim: a simpática área aberta do Hans Brinker - Divulgação - Divulgação
Nem tão 'pior' assim: a simpática área aberta do Hans Brinker
Imagem: Divulgação

Dificilmente o pior

O Hans Brinker não é, definitivamente, o melhor hotel de Amsterdã. Mas também dificilmente é o pior do mundo.

O site do hostel tem, sim, fotos um tanto estranhas, mostrando hóspedes em situações esquisitas como uma festa de aniversário em que os participantes cantam parabéns ao redor de um bolo de papel de higiênico.

Ou imagens em que uma jovem aparece deitada em um chão sujo com pedaços de salgadinho, dando a impressão de que o hostel é um chiqueiro.

Mas tudo é mais estratégia de promoção do que um retrato da realidade.

O título de pior hotel do mundo chama a atenção e desperta o interesse das pessoas. Muitos viajantes ficam curiosos em viver a experiência da hospedagem conosco" Sage Scott

"Mas, depois que chegam aqui, eles percebem que, no fundo, somos um bom hostel. E, com isso, nunca frustramos as expectativas de ninguém. Acho que é mais interessante se rotular como o pior hotel do que o melhor. Sempre estamos cheios de hóspedes", diz Scott.

Detalhe do banheiro do hostel... - Divulgação - Divulgação
Detalhe do banheiro do hostel...
Imagem: Divulgação
... e da colorida área social - Divulgação - Divulgação
... e da colorida área social
Imagem: Divulgação

E os turistas parecem gostar da estadia no local, elogiando sua boa localização (fica em uma área central de Amsterdã, perto dos principais atrativos da capital holandesa), preços baixos e ambiente favorável à socialização.

"Hostel de ótimo custo-benefício", elogia uma hóspede britânica em depoimento escrito no site do Hans Brinker. "Mas teve um ponto negativo: um pouco de fedor no quarto".

Mas, quando se fala de hostel, cheiro ruim nas habitações compartilhadas não é privilégio único do Hans Brinker.