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Delivery atrasou? No Alasca, entrega é feita com avião e pode demorar dias

Avião; Geleira Ruth; Alasca - R Lolli Morrow/Getty Images/iStockphoto
Avião; Geleira Ruth; Alasca Imagem: R Lolli Morrow/Getty Images/iStockphoto

De Nossa

13/05/2022 04h00

Sabe aquele medo do pedido de seu prato preferido chegar frio? No Alasca, o risco é real — e não é apenas graças à paisagem gelada. Entregas de aplicativos como Uber Eats e DoorDash em porções remotas do estado americano precisam ser feitas de avião e, mesmo assim, podem demorar dias para chegar.

Segundo uma reportagem do jornal "The New York Times", os serviços não trocaram motoboys por pilotos na região nem possuem aviões; moradores destas áreas distantes têm atualmente a opção de fazer pedidos que serão entregues aos aeroportos de centros urbanos como Anchorage. Estes terminais geralmente contam com serviços de translado de passageiros e suprimentos essenciais a endereços mais distantes, que completam o trajeto da entrega.

Caixas de pizza, frango frito, tacos e outras delícias entram, frequentemente, em uma fria: eles são armazenados em uma geladeira no hangar aguardando o próximo voo para o seu destino final.

Natalia Navarro, funcionária de uma clínica em Nikolai, um vilarejo de 100 pessoas, contou ao jornal que onde mora as opções de pratos são escassas: não há restaurantes ou grandes mercados por ali. Para variar o cardápio de sopas e ensopados de frango ou alce, ela pede duas vezes ao mês comida de grandes cadeias de restaurantes ou fast food.

Geralmente, ela tem que requentar os pratos. "É legal ter a opção de receber algo assim. Não está quente, não é fresco. Mas, ao mesmo tempo, tem o sabor que você está querendo", comentou à publicação.

Robert Golike, piloto da Alaska Air Transit, uma das pequenas companhias aéreas regionais que realizam este serviço, diz que se sente o entregador mais caro do mundo. Uma pesquisa realizada pela publicação concluiu que este tipo de entrega custa entre US$ 10 e US$ 30 — ou seja, entre R$ 50,50 e R$ 151,50 — dependendo do conteúdo.

Hidroaviões também são parte das frotas em Anchorage (foto), maior centro urbano do Alasca - Alaska_icons/Getty Images/iStockphoto - Alaska_icons/Getty Images/iStockphoto
Hidroaviões também são parte das frotas em Anchorage (foto), maior centro urbano do Alasca
Imagem: Alaska_icons/Getty Images/iStockphoto

Entre os pedidos com que ele voa diariamente estão DVDs da Netflix — sim, por lá, pessoas ainda alugam filmes de maneira física — pizzas, Big Macs, pedidos de supermercado. No entanto, há um hit em seu avião: frango frito do KFC.

O motivo do sucesso de fast foods que parecem estar em toda parte é, justamente, o fato de não haver estradas que possam ligar os moradores destas cidades ao restaurante mais próximo por razões geográficas. Conseguir chegar ao local, também voando, acaba ficando mais caro do que a contratação do serviço.

De olho nesta demanda, uma comerciante da região, Kristen Taylor, adquiriu um fast food durante a pandemia em Anchorage e criou um segundo negócio chamado Alaska Sky Pie, em que ela manda pizzas congeladas, bolos e decorações para outras partes do estado. Clientes que encomendam mais de 10 pizzas não pagam frete.

Um dia, ela recebeu um bilhete de uma garota que havia feito um pedido em um vilarejo na porção ártica do Alasca, agradecendo-a pelo serviço. "Já tinha visto pizza na tevê, mas nunca havia provado uma antes", dizia o recado.