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Vogue Paris se torna Vogue France e é acusada de 'perder sua alma'; entenda

Adeus, Vogue Paris: Revista agora se chama Vogue France, mas mudança não foi bem recebida por parte dos fashionistas franceses - @vogueparis
Adeus, Vogue Paris: Revista agora se chama Vogue France, mas mudança não foi bem recebida por parte dos fashionistas franceses Imagem: @vogueparis

De Nossa

28/10/2021 09h14

A Vogue Paris, uma das mais antigas e respeitadas publicações da moda mundial, já não existe mais. Ao menos, não com este nome, que carregou por 100 anos.

Desde terça (26), ela deu lugar à Vogue France, em uma decisão estratégica divulgada pela Condé Nast International, que publica a revista.

A mudança, no entanto, parece não ter sido bem recebida por parte dos fashionistas no país. Nas redes sociais, diversos comentários protestaram o anúncio da troca de nomes, enquanto o jornal Le Figaro dedicou um editorial inteiro a esmiuçar — e criticar — o que foi considerado um "apagamento" da identidade francesa.

Para a jornalista Hélène Guillaume, que assina a crítica do Le Figaro, Anna Wintour — Chefe de Conteúdo Global da Condé Nast e famosa como provável inspiração para "O Diabo Veste Prada" — está promovendo uma espécie de pasteurização na voz e personalidade marcante que era característica do título.

Enquanto outras edições da revista traziam o nome do país de origem, como é o caso da Vogue Brasil e da Vogue Japão, por exemplo, a versão francesa carregava uma exceção que exaltava a "capital da moda" mundial. A troca seria então um sintoma de mudanças internas que já acontecem na redação.

"É o fim de uma exceção cultural desejada por Anna Wintour, sob um disfarce de racionalização econômica e diversidade", escreve Hélène, que ainda acusou Wintour de "esmagar o espírito elitista parisiense" e "retirar Paris do mapa".

A agora Vogue France trocou de editora-chefe em setembro: saiu Emmanuelle Alt, depois de uma década no cargo, para assumir Eugénie Trochu, que hoje tem como chefes diretos Anna Wintour e Edward Enninful, diretor editorial para toda a Europa.

Em meio a essas mudanças, a proposta seria — segundo o Le Figaro — deixar a ex-Vogue Paris mais próxima da americana e do que é considerado uma "pretensa consciência" para causas sociais.

A revista, nos EUA, vem se aproximando de influenciadores e de movimentos como Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), como observou o Daily Mail.

O Baile do Met, organizado por Wintour, teve este ano entre seus mestres de cerimônia Amanda Gorman, a jovem poetisa negra que participou da posse do presidente Biden, além de Billie Eilish, a cantora que frequentemente ocupa manchetes questionando padrões corporais.

Ao anunciar a mudança de nome, a direção da publicação descreveu que, com a Vogue France, viria uma "liberdade de se vestir como quiser, de pensar diferente" e que sua primeira edição "celebraria a individualidade, um passaporte para ser você mesmo, se posicionar e ignorar clichês".

Enquanto isso, Adele se tornou no último mês a primeira estrela a ocupar as capas da Vogue americana e britânica ao mesmo tempo. Fica a pergunta: mesmo com a promessa de diversidade, o que será da "alma" da nova Vogue francesa?