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Por que carnes como a picanha "mito" de Bolsonaro custam tão caro?

"Tchê" ao lado de Bolsonaro: foto publicada nas redes sociais - Reprodução
"Tchê" ao lado de Bolsonaro: foto publicada nas redes sociais Imagem: Reprodução

De Nossa

12/05/2021 13h59

O Dia das Mães não passou batido no Palácio da Alvorada. Na residência oficial, Bolsonaro se reuniu com amigos para comemorar a data. O encontro chamou a atenção não só pela aglomeração em meio à pandemia, como também por um item do menu: uma picanha cujo quilo sai a R$ 1.799,99.

Em uma foto postada nas redes sociais, o presidente aparece com "Tchê", churrasqueiro dos artistas, segurando a "picanha mito", criada pelo Frigorífico Goiás durante a campanha de 2018. O preço da carne, no entanto, não se justifica pelo nome, muito menos pela charge de Bolsonaro estampada na embalagem.

Por que, afinal, carne desse tipo é tão cara?

O corte

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Picanha é valorizada até hoje, mas outros cortes ganharam espaço
Imagem: Mariana Pekin/UOL

A picanha por si só é um corte de alto valor comercial. Sua popularização começou na década de 1960, quando o imigrante húngaro László Wessel atendeu à demanda de clientes alemães no bairro do Bigixa, em São Paulo, e acabou conquistando outros clientes.

A paixão pela picanha foi avassaladora porque, na época, era uma das poucas partes macias do boi, além do filé-mignon. Os tempos áureos do corte fizeram a peça ir parar em cardápios de casas de carne internacionais.

Mesmo com o passar dos anos e a melhora genética dos animais, a picanha segue um objeto de desejo caro — ainda mais quando é extraída de um animal especial, como é o caso da carne que Bolsonaro ganhou.

A raça

Wagyu japonês: quase rosa de tanto marmoreio - Juergen Sack/Getty Images - Juergen Sack/Getty Images
Wagyu japonês: quase rosa de tanto marmoreio
Imagem: Juergen Sack/Getty Images

A chamada "picanha mito" é da carne do boi mais desejado do mundo: o wagyu. Também conhecido como Kobe beef, ele foi levado da Península Coreana ao Japão no século II para ajudar no cultivo do arroz.

Um dos fatores que contribuem para a excelência do animal é o trabalho de análise desenvolvido pela "Japan Meat Grading Association". Ela avalia aspectos como coloração, quantidade de gordura e grau de marmoreio, que é a gordura entremeada nas fibras, capaz de tornar as peças muito mais macias e saborosas.

As carnes são precificadas de acordo com essa classificação. Na escala de marmoreio criada no Japão, há tipos de bife que vão de 1 a 12, divididos ainda em cinco níveis: ruim, regular, bom, muito bom e excelente.

Comparação: picanha do Frigorífico Goiás e wagyu de alto marmoreio - Reprodução/Getty Images - Reprodução/Getty Images
Comparação: picanha do Frigorífico Goiás e wagyu de alto marmoreio
Imagem: Reprodução/Getty Images

Segundo o Frigorífico Goiás, a carne é importada do Japão. Isso significa que o custo é mais alto pelos trâmites de importação e pela própria procedência da carne, que pode chegar ao nível máximo de excelência de acordo com os métodos de criação e a linhagem dos bois.

Em uma comparação de imagens, e de acordo com o padrão da Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos da Raça Wagyu, a picanha "mito" teria marmoreio tipo 3 ou 4, considerado bom.

A título de comparação, outros açougues especiais pelo Brasil vendem a picanha de wagyu da mesma categoria por cerca de R$ 650 o quilo, menos inflacionadas que a "mito".