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Como preparar a casa para receber um novo cãozinho ou bichano

Com a chegada de Léo, Talitha Cristina Braga teve que repensar espaços e rotinas da casa - Fernanda Luz/UOL
Com a chegada de Léo, Talitha Cristina Braga teve que repensar espaços e rotinas da casa
Imagem: Fernanda Luz/UOL

Juliana Finardi

Colaboração para Nossa

22/12/2020 04h00

Ter uma caminha, esconder os fios, providenciar um cobertor, espalhar brinquedos pelo ambiente...

Apesar de não existir uma receita padrão a ser seguida para o preparo da casa antes da chegada de um novo pet, é possível levar em consideração fatores como a natureza e personalidade do animal, além de particularidades do local, e fazer adaptações para que o bichinho sinta-se bem recebido no aconchego do novo lar.

Para a chegada de um cachorro, o ideal é mantê-lo, inicialmente, em um ambiente controlado, sem muitos estímulos, para que ele possa ir se adaptando.

Então, aos poucos, pode-se abrir para outros locais conforme ele vai acertando o xixi no lugar certo", aconselha o comportamentalista canino e adestrador, Rapha Aleixo, do programa "Radar Pet" (National Geographic Brasil).

Outra dica é tirar do alcance do cão todos os objetos com os quais ele não deverá interagir. "Eles têm um olfato muito apurado e estão descobrindo um mundo novo naquele ambiente. Então, fios, coisas que estão atrás da TV, às vezes livros e revistas, devem ser tirados do alcance", recomenda.

Para evitar problemas na chegada de um novo bicho, é recomendado distrações saudáveis, como brinquedos - Fernanda Luz/UOL - Fernanda Luz/UOL
Para evitar problemas na chegada de um novo bicho, é recomendado distrações saudáveis, como brinquedos
Imagem: Fernanda Luz/UOL

O ideal é, logo de cara, mostrar os brinquedos e objetos com os quais eles podem brincar. "Se você não fizer isso, aquele cachorro vai ficar ali em um ambiente pobre de estímulos e vai pegar o que não pode", diz Aleixo, que indica os mesmos procedimentos para cães filhotes e adultos.

Foi exatamente o que a gerente comercial Talitha Cristina Braga, 41 anos, fez quando o simpático Léo, um buldogue francês, chegou ao apartamento de 49 m² em Santos, no litoral paulista.

Ele era muito pequenininho, tinha 3 meses. A primeira coisa que eu fiz foi tirar tudo que ficasse ao alcance e que ele pudesse mastigar, arrastei os móveis para ele circular melhor pelos espaços e coloquei uma gradinha para impedir o acesso aos fios do ar condicionado na varanda", disse.

Ela também espalhou tapetinhos higiênicos e brinquedos pelo ambiente, além de comprar uma escadinha para que o Léo pudesse acessar o sofá. "Com as patinhas curtas, ele não conseguia subir. Também encostei a minha cama na parede para que ele não tivesse o risco de cair durante a noite."

De toca a "babá" virtual

Na hora de comprar os brinquedos, atenção: o adestrador afirma que muitos pet shops vendem apenas os de criança, que não estimulam os instintos de caça nos animais.

Léo ganhou escada para descer e subir no sofá - Fernanda Luz/UOL - Fernanda Luz/UOL
Léo ganhou escada para descer e subir no sofá
Imagem: Fernanda Luz/UOL

E Talitha conta com uma câmera para saber cada passo do cão - Fernanda Luz/UOL - Fernanda Luz/UOL
E Talitha conta com uma câmera para saber cada passo do cão
Imagem: Fernanda Luz/UOL

Ele também recomenda uma caixa de transporte ao invés de uma caminha. "A caixa se parece mais com uma toca, que eles teriam disponível na natureza. Eu que trabalho com adestramento e comportamento, utilizo a caixa em um processo de associação positiva, como uma zona de conforto", disse.

A última aquisição de Talitha foi uma câmera wi-fi que pode ser ativada através de um aplicativo no celular. Quando está fora de casa, ela consegue continuar de olho nas peripécias do cãozinho com o apartamento todo só para ele. "Uma vez só o chamei pela câmera quando ele desapareceu do meu campo de visão. Mas logo cheguei em casa e ficou tudo bem".

Cuidados para felinos

Foi aos 26 anos, em meio à pandemia, que a analista de RH Samantha Hessel teve a primeira oportunidade da vida de ter um pet. "Meus pais nunca concordaram em ter. Então, ao vir morar sozinha, já tinha a adoção nos planos. A pandemia só antecipou", disse. Decisão tomada, começaram as adaptações do apartamento para receber a gatinha Margot, de 2 anos.

Samantha Hessel e sua gatinha Margot - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Samantha Hessel e sua gatinha Margot
Imagem: Arquivo pessoal

A primeira providência foi fechar a varanda toda e a janela basculante do banheiro com telas de proteção. "Inclusive tive de discutir no condomínio porque estavam bastante resistentes com relação a entrada dos prestadores de serviço por conta da pandemia. Acabei os convencendo e telei tudo antes da chegada dela", disse Samantha.

Com a chegada de Margot, vieram os outros itens.

Depois providenciei arranhadores, brinquedos e costumo deixar alguns escondidos para aguçar o instinto de caça dela. Mas ainda quero gatificar mais o ambiente e pretendo montar alguns parquinhos verticais para ela subir."

Arquitetura especial

'Casa dos gatos" projetada pela arquiteta Shirlei Proença - Caio Guatelli - Caio Guatelli
'Casa dos gatos" projetada pela arquiteta Shirlei Proença
Imagem: Caio Guatelli

O termo "gatificar" utilizado por Samantha, significa adaptar o ambiente ao que os felinos mais gostam: escalar e explorar as alturas.

Os tais parquinhos verticais aos quais ela se refere são a especialidade do arquiteto Josenilton de Almeida Araújo, da ArquiCat's, que mapeia ambientes para construir circuitos suspensos em meio aos móveis e a decoração da casa.

Busca-se introduzir nesse enriquecimento ambiental trajetórias que promovam o exercício pela circulação, arranhadores e cantinhos mais propícios e reservados para aquela soneca", disse.

Araújo costuma trabalhar também na adaptação de residências que já têm um gatinho e preparam-se para receber o segundo felino.

"O gato é um ser territorialista e este detalhe é mais evidenciado na inserção de um novo indivíduo no ambiente. Dessa forma, temos que minimizar ao máximo a possibilidade de conflitos", conta. Para isso, são criadas rotas de fuga, e incorporadas mais caixas de areia, cantinhos que promovam a sensação de abrigo e mais arranhadores — que também ajuda a delimitar o espaço de cada bichano.

No mercado desde 2015, a ArquiCat's já projetou 62 "parquinhos" para felinos. Feito sob encomenda, os custos de um projeto como este variam de acordo com a dimensão e análise do local. O valor inicial é de R$ 5,3 mil.

A comportamentalista de felinos, Any Correa, explica que a verticalização é importante para os gatos, principalmente em locais pequenos. "Recomendo verticalizar com prateleiras e nichos para se conseguir 'aumentar' o ambiente", disse.

Uma das primeiras providências ao pensar em preparar a casa para receber um gatinho, de acordo com Any, é estudar sobre a espécie e suas particularidades. "Porque muitas pessoas acham que gatos são como cães pequenos. Também é necessário telar todas as janelas e varandas, mesmo aquela janela que nunca se abre", disse.

Para promover um ambiente agradável aos felinos, ela também recomenda que sejam disponibilizados locais seguros como tocas e caminhas em locais altos, além de mais de uma opção e local de comedouro, água e caixa de areia.

É importante ter arranhadores e estimular o comportamento de caça com brincadeiras e brinquedos apropriados. E também nunca forçar a interação entre gato e humano, sempre com carinho e respeito."