PUBLICIDADE
Topo

O mundo em casa: conheça colecionadores de souvenirs de viagens

De China a Namíbia: Claudia Ferraz, do blog do "Felipe, O Pequeno Viajante", tem o planeta em suas coleções - Arquivo pessoal
De China a Namíbia: Claudia Ferraz, do blog do "Felipe, O Pequeno Viajante", tem o planeta em suas coleções Imagem: Arquivo pessoal

Adriano Ferreira e Bruno Saviotti

Colaboração para Nossa

17/08/2020 04h00

Memórias marcantes são sempre bem-vindas, por isso, visualizar aquele item de uma viagem nostálgica traz tanta satisfação que colecionadores de diversos objetos relembram experiências além do que se pode tocar.

A blogueira do "Felipe, O Pequeno Viajante", Claudia Ferraz, por exemplo, tem diversas lembranças materiais de suas viagens como tapete, guias e obras de arte colecionadas por sua passagem em mais de 80 países.

Cada máscara, tapeçaria e estatueta tem uma história por trás dela", conta a colecionadora.

Onde viu, porque escolheu a peça em especial, como foi a negociação para conseguir desconto e até o perrengue para carregar dão a graça das coleções. As etiquetas de preços não foram retiradas porque diversos detalhes fazem parte da história da viagem.

A caprichada coleção de Claudia Ferraz, do blog "Felipe, O Pequeno Viajante" - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
A caprichada coleção de Claudia Ferraz, do blog "Felipe, O Pequeno Viajante"
Imagem: Arquivo pessoal

"Temos um tapete comprado na região de Caxemira, na Índia, que levamos três dias negociando e tomando muito chá com o vendedor, até convencê-lo a diminuir o valor para um preço que podíamos pagar", explica Claudia.

Uma peça da coleção e "companheira de viagem" foi uma almofada tailandesa, que viajou 18 horas de avião no colo por causa do formato diferenciado. Em outra ocasião, uma réplica artesanal da cara de uma zebra gigante, comprada em um impulso na Namíbia, não pôde ser facilmente carregada, então foi necessário enrolá-la em um plástico bolha e conseguir uma autorização para trazer o objeto dentro do avião, pois não era possível despachá-lo.

Almofada em formato inusitado, da Tailândia, trazida por Cláudia Ferraz - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Almofada em formato inusitado, da Tailândia, trazida por Cláudia Ferraz
Imagem: Arquivo pessoal
Zebra gigante, uma lembrança de Cláudia Ferraz de sua viagem para a Namíbia - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Zebra gigante, uma lembrança de Cláudia Ferraz de sua viagem para a Namíbia
Imagem: Arquivo pessoal

Um guerreiro de Xian, comprado na China, teve todo o cuidado especial para ser levado e evitar que fosse quebrado pelo resto da viagem. No entanto, o esforço não deu muito certo porque "o guerreiro sofreu fraturas", mas nada que uma boa cola para encaixar as partes quebradas nos devidos lugares.

A blogueira até hoje tem a chave de um guarda-volumes que esqueceu de devolver de um hammam (os turísticos banhos turcos) de Istambul. Ela só percebeu quando abriu a mochila em casa. Existem também os presentes dos amigos, mostrando que nem todos são comprados em lojas de conveniências, como o riquixá, lembrança que um amigo deu para o filho na Índia.

Guerreiro de Xian, souvenir da viagem de Cláudia à China - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Guerreiro de Xian, souvenir da viagem de Cláudia à China
Imagem: Arquivo pessoal

Chave de um guarda-volumes da Turquia - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Chave de um guarda-volumes de um banho turco, em Istambul, na Turquia
Imagem: Arquivo pessoal

Pedaços de história

A criadora de conteúdo do canal Impressões do Mundo, Tânia Ramos, tem uma estante com diversas estatuetas e pedras naturais. Ela coleciona objetos que representam algum momento especial ou paisagem marcante das viagens.

Pedras recolhidas da Península de Gaspé, no Canadá - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Pedras recolhidas da Península de Gaspé, no Canadá
Imagem: Arquivo pessoal

No acervo, existem pedras recolhidas da Península de Gaspé na província de Quebec. Na região, o termo Inukshuk traduz a utilidade das pedras, que são uma espécie de marco guia, para sinalizar um trecho seguro de um percurso. Quando voltou para casa, a viajante passou a montar os seus próprios Inukshuk e presenteou os amigos.

Uma de suas esculturas de destaque é a Vitória Alada da Samotrácia, que marcou a primeira visita à França e ao famoso museu do Louvre. A visão da obra de arte original fez parte de um momento intenso, especial e de uma beleza "palpável". Tânia se recorda da sensação "de perder o fôlego" quando viu a estátua solitária no alto da escadaria, no meio do caminho do andar superior do museu, acompanhada por uma placa de identificação e por sua história.

Vitória Alada da Samotrácia, lembrança do Louvre - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Vitória Alada da Samotrácia, lembrança do Louvre
Imagem: Arquivo pessoal
Rocha do Vesúvio, na Itália - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Rocha do Vesúvio, na Itália
Imagem: Arquivo pessoal

Em uma paisagem natural, especificamente na "boca do vulcão" Vesúvio, na Itália, foi possível contemplar uma beleza ao passear pela borda do vulcão e observar os vapores que saíam de lá, enquanto uma neblina cobria os visitantes do local.

Foi irresistível coletar um exemplar daquela rocha que um dia foi expelida dali", relembra Tânia, que mantém a recordação protegida em uma redoma.

Coleção variada

Lucilia Abreu Allevato, professora que viajou o mundo, tem sua coleção bem variada - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Lucilia Abreu Allevato, professora que viajou o mundo, tem sua coleção bem variada
Imagem: Arquivo pessoal

Um convite para dar uma pequena volta ao mundo é um dos ''roteiros'' do apartamento da professora de inglês e português Lucilia Abreu Allevato. Centenas de objetos de diversos países, ímãs e miniaturas decoram o apartamento no centro de Barbacena, município de Minas Gerais.

Pequenos budas, réplicas de construções de monumentos históricos como o Coliseu de Roma e a Torre Eiffel de Paris enfeitam a mesma estante ao lado de souvenirs de diferentes partes do mundo. Pirâmides do Egito, animais, barcos e xícaras representam símbolos dos lugares colocados de forma enfileirada na sala. No total, são 300 peças e 700 ímãs.

A coleção de miniaturas de várias viagens pelo mundo de Lucilia Abreu Allevato - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
A coleção de miniaturas de várias viagens pelo mundo de Lucilia Abreu Allevato
Imagem: Arquivo pessoal

Lucilia espalha em casa lembranças pela paixão de viajar por meio dos objetos, que a fazem recordar o desejo de conhecer o mundo. São tantas viagens que quase se perde nos cálculos do número de países visitados. "Salvo alguma omissão, foram 100", tenta lembrar.

Os 700 ímãs de viagem da professora Lucilia Abreu Allevato - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Os 700 ímãs de viagem da professora Lucilia Abreu Allevato
Imagem: Arquivo pessoal

No passaporte, estão carimbados também 42 cruzeiros marítimos e a ida ao seu país favorito, a Grécia (mais de 20 vezes), em que somente as Ilhas Gregas conheceu 16.

Conhecer novas culturas e lugares era um sonho de infância para ela. As viagens começaram quando foi estudar na Inglaterra.

A partir daí, nunca mais parei. Surgiu a ideia das peças para registrar as minhas andanças e a concretização do meu sonho", relembra.

Lucilia não tem uma peça favorita, pois segundo a colecionadora, todas remetem a mesma ideia, à história de olhar e pensar ''eu já estive aí''.

''Para mim viajar está na sensação de liberdade. Eu me sinto igualmente feliz pelas amizades que faço e o conhecimento que descubro.

Cada souvenir que trago é um mosaico com o qual me identifico, e simboliza a minha passagem por este mundo'', recorda.

Lembranças inspiram planos

Abridores magnéticos, lembranças de viagem Irineu Eduardo Pimentel - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Abridores magnéticos, lembranças de viagem Irineu Eduardo Pimentel
Imagem: Arquivo pessoal

O servidor público federal Irineu Eduardo Pimentel junta abridores magnéticos das regiões visitadas. A coleção começou quando fez a primeira viagem internacional com os amigos para a Espanha em 2015. Comprou os primeiros abridores para recordar do país e dos três municípios visitados, Barcelona, Madrid e Ibiza. Desde então, leva uma pequena lembrança dos 31 países. Normalmente, coleciona um de cada nação e de um município em especial.

Um abridor magnético simbólico de Pimentel foi comprado no Havaí e o agrada esteticamente e positivamente. '

Esse é o meu preferido por trazer boas lembranças da viagem, tem um formato chamativo, colorido e traz a palavra Aloha.

Ela representa uma forma de cumprimentar, traz um estado de espírito, de boas energias, de viver a vida de uma maneira sempre positiva e para cima. Sempre que olho lembro dessa viagem'', afirma.

Mais lembranças de viagem Irineu Eduardo Pimentel - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Mais lembranças de viagem Irineu Eduardo Pimentel
Imagem: Arquivo pessoal

A coleção não se resume aos abridores. Ele também guarda lembranças de viagens por meio das moedas dos lugares frequentados. ''Na Europa, é interessante notar que a moeda de 1 euro, produzida na Espanha, é diferente daquela cunhada em Malta ou na Itália, por exemplo, pois tem a marca do país'', diz.

Além das coleções, ele tem um mapa do mundo em casa no formato de raspadinha no qual ele raspa cada país visitado. ''Quando olho, me estimula para produzir no meu dia e me inspira a trabalhar para poder viajar. Percebo que tem muita coisa boa para conhecer ainda'', destaca.