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Prepare-se para beber (muito) café gelado, nova tendência nas cafeterias

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Imagem: iStock

Juliana Bianchi

Colaboração para o UOL

18/01/2018 04h00

Não adianta torcer o nariz ou virar a cara. Ainda que você tenha sido criado com a certeza de que café só se toma quente, neste ano será difícil passar batido pela crescente oferta de cafés gelados nas principais cafeterias do país. Principalmente se você é curioso.

Apontada como a nova onda entre os especialistas, a bebida gelada já é facilmente encontrada nos Estados Unidos, Europa e Ásia e, se vencer a barreira do preconceito, tem tudo para se fortalecer por aqui, especialmente no verão. “Somo um país com clima tropical, caliente. Tem tudo a ver”, afirma Isabela Raposeiras, proprietária do Coffee Lab.

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Assim como ela, outras casas, como Suplicy, Santo Grão e Starbucks, já começam a oferecer a bebida, puxadas principalmente pela popularização do método de extração a frio chamado “cold  brew”. Nele, os grãos moídos são imersos em água fria ou em temperatura ambiente para que os compostos sejam extraídos lentamente, em um processo de gotejamento que pode levar de seis a 24 horas, dependendo do tipo de grão, da torra e da espessura da moagem. O resultado é um café mais suave, menos amargo, de baixa acidez (há controvérsias se com menos cafeína) e levemente doce. No Santo Grão, por exemplo, será comercializado em garrafinhas de vidro retornáveis. Assim como as da True  Coffee  Inc., uma das primeiras empresas a comercializar esse tipo de café por aqui.

Mas se todo café feito com o método gera uma bebida a ser consumida fria, nem todo café gelado é necessariamente um “cold brew”, já que é possível obtê-lo a partir de qualquer método. E aí é que recomeça a aventura. “A chamada terceira onda, ou geração, do consumo do café passa por um consumidor que busca qualidade e grãos de origem produzidos de forma sustentável. Ele já tem grande conhecimento sobre o produto e agora está buscando novas experiências com o café, com novos métodos e formas de consumo”, explica Marco Suplicy.

Nessa toada começam a surgir diferentes variações para se tomar café frio: puro, com gelo, leite, suco de fruta, misturado a água tônica, em drinques alcoólicos ou não, feito a partir de lotes especiais e o nitro, no qual a bebida passa por uma espécie de chopeira engatada com um tubo de nitrogênio para ganhar mais cremosa. “Apesar de não alterar o sabor, tem gente que diz que sente que a bebida fica mais doce”, conta Suplicy.

Café gelado nitro - Divulgação/ Rodrigo Zorzi - Divulgação/ Rodrigo Zorzi
Cold brew nitro, uma das opções do Suplicy Café
Imagem: Divulgação/ Rodrigo Zorzi

Algumas marcas, como a Nespresso, também já apontam para a possibilidade de lançar um blend especial em cápsula para ser resfriado após a extração regular na máquina.

Com maior possibilidade de conservação em garrafas ou latas, o café frio ainda traz outra vantagem. Por ser uma bebida pronta, permite aos baristas controlarem melhor o que o cliente tomará. “Hoje, vendemos uma promessa de bebida boa. Mas o preparo do café não depende apenas de grãos de qualidade, de boa procedência e com torra adequada, têm muitas outras variáveis que a gente não consegue controlar na casa das pessoas”, diz Isabela. Tanto é que a 3 Corações já oferece há algum tempo três versões de cappuccino pronto para beber em embalagem individual descartável.

Outras tendências em torno do café

Ainda que o consumo de cafés especiais no Brasil represente menos de 5%, a expectativa é de que cresça a oferta de microlotes com características particulares e vindos de fazendas singulares. Mesmo que tratados como artigo de luxo, vendidos em pequenas quantidades e por tempo limitado.

Além disso, a história por trás do café, de onde ele vem, como é produzido e em que condições, se é sustentável e sua cadeia respeita a questão de gênero, por exemplo, também deverá se tornar cada vez mais importante, garante Isabela.

Por fim, com a expectativa de crescimento desse público geek, deve se ampliar ainda mais a gama de equipamentos e produtos para se obter o café perfeito sem sair de casa. Novas máquinas para torra, moagem e diferentes processos de extração -- até mesmo a frio -- em pequenas quantidades deverão chegar ao mercado, fazendo a festa dos amantes do café. É esperar para ver. Agora sem medo de o café esfriar.