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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Cesar Grafietti: Clubes que não ajustarem suas finanças, perderão relevância

Do UOL, em São Paulo

02/04/2021 04h00

A situação financeira de alguns clubes do futebol brasileiro já era complicada antes da pandemia e se agravou com a paralisação dos jogos no ano passado e a perda de receitas pelo fato de não haver torcedores nos estádios desde que as competições voltaram a ser disputadas, alguns com dívidas que chegam a R$ 1 bilhão, e em alguns casos, também com a arrecadação menor de direitos de TV pela queda para a segunda divisão.

Em entrevista a Mauro Cezar Pereira no programa Dividida, do UOL Esporte, o economista Cesar Grafietti, especialista em gestão e finança do futebol, analisa a condição atual e não considera a falência, mas a perda de competitividade de alguns clubes tradicionais do país.

"Eu ainda acho que não vão falir. Nós não veremos clubes falindo, pelo menos no curto espaço de tempo, mas eu acredito que talvez a gente tenha alguns clubes que de fato virem irrelevantes do ponto de vista esportivo. Então nós não veremos alguns clubes serem campeões mais. Aquele que viu seu time campeão, alguns hoje na Série B, por exemplo, guarde o pôster porque talvez ele não veja mais", afirma Grafietti.

"Mas outros vão se recuperar, tem clube com muita capacidade de renascer, mas eu acho que esse vai ser um caminho natural daqui para a frente. Aqueles clubes que não conseguirem se organizar, talvez eles não quebrem, não acabem, mas eles certamente serão irrelevantes do ponto de vista esportivo no longo prazo", completa.

O especialista aponta a necessidade de os clubes terem uma gestão com o planejamento compatível à capacidade. Ele considera que o torcedor verá no Brasil o caso de clubes que antes brigavam por títulos mas passarão a disputar o Campeonato Brasileiro com o objetivo de não cair, principalmente os que tenham menor poder de arrecadação, como já ocorreu na Europa com clubes como o Torino, da Itália, e o Everton, da Inglaterra, que já foram os melhores de suas ligas.

"Você pode fazer tudo certo, mas o tudo certo vai te fazer ter uma receita de R$ 150 milhões, por exemplo. Com R$ 150 milhões, a sua expectativa também tem que ser correta, tem que ser a expectativa de um time que vai lutar para não cair para a Série B, para disputar ali o meio da tabela. Acho que o caminho a longo prazo, o que aconteceu com esses clubes [Torino e Everton] é justamente isso, eles ficaram no meio da tabela, foram para as segundas divisões de seu campeonatos, enfim, sobem e descem porque é o que eles conseguem produzir", diz Grafietti.

"Talvez no Brasil a gente veja isso, alguns clubes vão conseguir produzir para ser Série A, Série B, Série A, Série B, outros vão ficar para meio de tabela e alguns poucos vão ser aqueles sustentáveis, que vão disputar os títulos todos os anos", conclui.

O Dividida vai ao ar às quintas-feiras, às 14h, sempre com transmissão em vídeo pela home do UOL e no canal do UOL Esporte no Youtube. Você também pode ouvir o Dividida no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts e Amazon Music.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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