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Mauro Cezar Pereira entrevista personagens de destaque do universo esportivo


Cesar Grafietti: Futebol vai diminuir, terá menos dinheiro após a pandemia

Do UOL, em São Paulo

01/04/2021 15h30

A pandemia do novo coronavírus afetou diversos setores econômicos e não foi diferente no futebol, em especial no Brasil, onde muitos clubes já acumulavam problemas financeiros anteriores ao período que teve paralisação e jogos sem a presença de torcedores, o que só agravou a situações, levando a dívidas bilionárias clubes tradicionais. Especialista em gestão e finanças do esporte, Cesar Grafietti é o entrevistado de Mauro Cezar Pereira no programa Dividida, do UOL Esporte, e faz uma projeção do que o torcedor deve esperar do cenário econômico do futebol.

Grafietti explica a necessidade dos clubes em retomarem as atividades e prevê um período pós-pandêmico com um futebol menor em termos de valores, com os clubes tendo a necessidade de gastar menos em contratações e salários, apostando mais em jogadores revelados pelas categorias de base em busca de uma situação sustentável.

"O futebol já vinha em uma situação difícil antes da pandemia, passou este primeiro ano de pandemia numa situação bastante desconfortável. A gente falava lá atrás que ele não aguentava dois ou três meses sem partidas, e foi o que aconteceu, logo as partidas tiveram que voltar para o dinheiro especialmente da TV retornar ao caixa dos clubes, encerraram o primeiro ano agora em fevereiro em uma situação ainda desconfortável, mas já tentando se equilibrar", diz Grafietti.

"A expectativa de pós-pandemia, vamos imaginar que lá no final de 2021 a situação esteja melhor, é de um futebol menor, um futebol com menos dinheiro, um futebol onde os investidores passem a olhar com um pouco mais de ceticismo esses gastos exagerados e certamente vai forçar que controlem um pouco mais os seus gastos", completa.

O economista cita as declarações de dirigentes que assumiram recentemente clubes adotando o discurso de gestões mais cautelosas em relação às finanças e diz que não há outro caminho, até devido ao tempo em que o futebol levará para recuperar algumas receitas que estão ausentes no momento devido à pandemia.

"A gente tem visto muito dirigente recém-eleito falar em austeridade, controle de gastos, essa é uma tônica que não tem outro caminho, outra alternativa, porque o futebol vai diminuir de tamanho mesmo", diz Grafietti.

"Dado que as receitas não vêm, algumas receitas como bilheteria, sócio-torcedor, elas certamente não se recuperarão tão rapidamente, você acaba dependendo ainda muito mais de um pouco de publicidade, mas basicamente de TV e eventualmente de venda de atleta. Então, o que você tem que trabalhar e controlar são os custos, o que é uma grande dificuldade, porque custo no futebol é de longo prazo, quando você contrata um atleta, normalmente você tem ali dois ou três anos de contrato para honrar", completa.

Salários de jogadores devem ser afetados em novo cenário econômico

Este novo cenário deverá afetar também a bolha salarial do futebol, com a necessidade de os dirigentes firmarem contratos com valores inferiores aos praticados anteriormente ao período pandêmico, movimentação que já é estudada por entidades como a Uefa e a Fifa para a implementação de uma espécie de teto salarial.

"Dado este cenário, especialmente agora no ano de 2021, os dirigentes teriam que estar remodelando elenco. Não renovando contratos caros, tentando evitar ao máximo contratações que atrapalhem o fluxo de caixa futuro, que ainda é incerto. O grande trabalho é exatamente controlar custos, cortar custos e usar o quanto mais a base possível, porque ela é um custo relativamente mais barato do que contratar atleta formado", explica.

"A dinâmica do futebol vai mudar. Seja porque, de fato, um futebol com menos dinheiro significa necessariamente menos gasto com salário. Não tem alternativa, você primeiro vai gastar menos contratando e segundo você vai gastar menos pagando salários menores. Além disso e até por conta disso, a gente tem isso na Europa que tanto a Fifa quanto a Uefa trabalhando já uma possibilidade de controles salariais um pouco mais drástico, então vai sobrar no bolso do atleta necessariamente um enxugamento de custos que significa menos salário", conclui.

O Dividida vai ao ar às quintas-feiras, às 14h, sempre com transmissão em vídeo pela home do UOL e no canal do UOL Esporte no Youtube. Você também pode ouvir o Dividida no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts e Amazon Music.