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Terreno do novo autódromo do Rio já foi área militar e pode ter granadas enterradas

Vinicius Konchinski

Do UOL, no Rio de Janeiro

09/11/2012 13h30

A área escolhida para a construção do novo autódromo do Rio de Janeiro é um ex-campo de treinamento militar. Há mais de 50 anos, as Forças Armadas realizam atividades no local e ainda é possível que armas ainda estejam enterradas ali.

AUTÓDROMO SUBSTITUI JACAREPAGUÁ

  • O Exército e o Ministério do Esporte assinaram nesta sexta-feira um convênio que garante ao Rio de Janeiro um terreno para a construção de um novo autódromo na cidade. Uma área de 2 milhões de m² que pertencia às Forças Armadas foi repassada ao ministério para que possa receber o Autódromo de Deodoro, que deve ser inaugurado em julho de 2014.

    O novo autódromo vai substituir o Autódromo de Jacarepaguá (foto), que foi desativado para dar lugar ao Parque Olímpico da Rio 2016. De acordo com o secretário nacional de Esporte de Alto Rendimento, Ricardo Leyser, a nova pista obedecerá padrões internacionais de qualidade e estará preparada para receber qualquer tipo de prova do automobilismo.

A informação é do general João Ricardo Evangelho, comandante da 1a Região do Exército. Evangelho assinou nesta sexta-feira um termo de cessão do espaço para o Ministério do Esporte para que seja construído ali o Autódromo de Deodoro. Antes das obras começaram, no entanto, o general disse que uma varredura na área ainda precisa ser concluída.

“Nós nos comprometemos em entregar uma área segura”, afirmou ele, logo após a cerimônia que oficializou a transferência da propriedade do terreno. “O Exército está comprando os equipamentos mais modernos do mundo para concluir a varredura necessária na área.”

O tereno do futuro autódromo tem 2 milhões de m² e fica na Zona Norte do Rio de Janeiro. Segundo Evangelho, ali, em 1958, o Exército já treinava suas tropas. Naquela época, uma grande explosão ocorreu no local e as atividades militares foram suspensas for 30 anos.

Na década de 1980, o Exército voltou a usar o terreno. Em 2012, porém, um acidente ocorrido voltou a levantar suspeitas quanto à segurança do local.

Em junho, uma explosão matou um militar que estava em treinamento no terreno. Evangelho explicou que uma granada abandonada no terreno na década de 1950 foi detonada após militares acenderem uma fogueira. A granada estava enterrada a pouco metros da superfície. Com o calor do fogo, ela acabou explodindo.

Evangelho disse que, desde então, o Exército tem procurado outras armas que podem ter sido abandonadas. Segundo ele, outros artefatos já foram encontrados ali durante esse processo. A varredura ainda não foi concluída e, portanto, ainda é possível que outras bombas estejam no local.

O general garantiu, porém, que o Exército está tomando todas as medidas necessárias para concluir essa pesquisa o mais rápido possível até para não atrapalhar o cronograma de construção do Autódromo de Deodoro. Evangelho evitou, contudo, dar prazos para o fim da varredura. "Nossa intenção é não atrapalhar as obras."

As obras em Deodoro devem começar em meados do ano que vem. Em julho de 2014, a pista deve estar pronta. Alguns equipamentos adicionais, porém, só serão entregues no início de 2015.

A pista de Deodoro é um compromisso olímpico do governo com a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA). Como o Autódromo de Jacarepaguá foi desativado para obras da Olimpíada de 2016, a entidade cobrou a construção de um novo local para corridas no Rio.

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