Rio Open tem torneio de tênis em cadeira de rodas em meio ao crescimento da modalidade

Realizado pela primeira vez em dez edições do Rio Open, o Wheelchair Tennis Elite reúne nesta quinta-feira quatro dos melhores tenistas em cadeira de rodas do mundo. O torneio contará com a presença do japonês Shingo Kunieda, dono de 50 títulos de Grand Slam e quatro ouros paralímpicos; dos britânicos Alfie Hewett, atual número 2 do mundo, e Gordon Reid, 5º do ranking; e do brasileiro Daniel Rodrigues, que é top 20 no mundo. A competição acontece em um momento em que o tênis em cadeira de rodas busca se expandir no País.

Daniel é uma das esperanças brasileiras de medalha nos Jogos Paralímpicos de Paris. E vibrou com a chance de mostrar seu jogo para o público do Rio Open. "É um torneio fantástico, e uma oportunidade incrível de mostrar e incentivar o esporte. É o maior ATP da América do Sul e estarmos aqui, com os melhores do mundo, é maravilhoso. Muito bom dizer que estou em casa e que o Brasil está liderando algo assim", declarou nesta quarta-feira, em entrevista coletiva.

Apesar de ser considerado uma potência paralímpica, o Brasil nunca conquistou uma medalha no tênis em cadeira de rodas nos Jogos Paralímpicos. A modalidade, contudo, vem crescendo nos últimos anos e os pódios aos poucos começam a aparecer. No Parapan de Santiago, no ano passado, foram cinco medalhas. E duas delas tiveram Daniel Rodrigues como protagonista, com um bronze em simples e uma prata nas duplas, na qual competiu ao lado de Gustavo Carneiro.

O crescimento do tênis em cadeira de rodas no País não é à toa: ele coincide com um maior investimento da Confederação Brasileira de Tênis (CBT) na modalidade. Uma década atrás, a entidade aplicava apenas os recursos repassados pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), mas nos últimos anos passou a destinar também parte da verba da confederação adquirida com patrocinadores privados.

"Atualmente são cerca de R$ 4 milhões anuais no tênis em cadeira de rodas. Desse total, 2,8 milhões vêm do CPB e R$ 1,2 milhão são da própria CBT, por meio dos nossos patrocinadores", explica o presidente da confederação, Rafael Westrupp. "Todo esse dinheiro é investido diretamente no departamento de tênis em cadeira de rodas. O calendário internacional é totalmente subsidiado pela confederação, com passagens aéreas, logística, hospedagem, transporte terrestre e alimentação. Geralmente, a gente contrata um treinador também."

Além de bancar a participação de atletas brasileiros nos torneios mundo afora, a CBT tem investido na formação de atletas. Segundo Westrupp, a confederação auxilia federações estaduais para a aquisição de cadeiras de rodas e com cursos de capacitação.

"É bem diversificado o investimento, e os resultados começaram a aparecer. Só para fazer um comparativo: em 2019, nos Jogos Parapan-americanos de Lima, nós tivemos uma medalha de bronze. Ano passado, no Parapan de Santiago, foram cinco medalhas. Em termos absolutos, isso dá um crescimento de 400%", compara.

Westrupp agora mira um novo patamar para a modalidade com os Jogos de Paris. "A gente tem como meta classificar sete atletas, que seriam cinco homens e duas mulheres. E, quem sabe, conquistarmos nossa primeira medalha", diz o dirigente. As vagas na Paralimpíada dependem de ranking e posição em torneios internacionais, e serão definidas até o meio deste ano.

Enquanto isso, o presidente da CBT vibra com a realização de um torneio de tênis em cadeira de rodas em meio ao Rio Open, competição de nível ATP 500 e, como tal, a mais importante da América do Sul. "É uma forma de aproximar o público e mostrar que essa também é uma categoria profissional, e que existe toda uma estrutura por trás", ressalta Rafael Westrupp.