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Morte de filho de lutador revela negligência, traição e violência doméstica

Uma sequência de eventos trágicos, atos de violência e traições marcou a vida e a carreira do lutador de MMA Joel "Tigre" dos Santos. Em 2018, ele foi preso sob a acusação de matar o próprio filho, Rodrigo, um bebê de menos de um ano, encontrado com inúmeros hematomas pelo corpo. Após sair da cadeia, o lutador viu sua então companheira, Jéssica Ribeiro, ser condenada pelo mesmo crime.

Alerta: esta reportagem aborda temas sensíveis, que podem ser perturbadores para algumas pessoas.

A tragédia que abalou a cidade de Dourados (MS) é o tema do documentário "Nocaute: Golpes de Uma Tragédia" que o UOL Play lança nesta segunda-feira (11). O vídeo -que você pode ver acima- é resultado de um trabalho de reportagem que analisou milhares de páginas do processo judicial, além dos depoimentos de acusados e testemunhas. O UOL entrevistou os principais envolvidos no caso para reconstituir os eventos que antecederam e sucederam a morte de Rodrigo.

Quando os paramédicos chegaram à residência do casal, na manhã de 18 de agosto de 2018, encontraram o corpo de Rodrigo nos braços de Jéssica. Era a madrasta que cuidava do bebê enquanto o pai trabalhava e treinava. Joel, um conhecido lutador da região, estava com viagem marcada para a África do Sul, onde faria sua estreia no MMA internacional.

Nervosa, Jéssica disse aos paramédicos que o bebê tinha se engasgado ao tomar leite. Mas os profissionais desconfiaram de hematomas na língua, na cabeça, no pescoço e no abdômen, com diferentes tonalidades. Eram um indício forte de maus-tratos, que teriam se estendido por semanas ou até meses. A polícia foi chamada. Joel e Jéssica foram levados à delegacia. O delegado Francis Flávio Araújo Freire viu inconsistências no depoimento do casal e pediu a prisão de ambos.

Rodrigo morreu com o fígado lacerado por uma "ação contundente", que pode ter sido um soco ou um chute, por exemplo.

No documentário, Joel relata o tom das conversas que teve com a polícia horas depois do crime. "O policial falou pra mim: 'Fala logo que foi você que chutou seu filho, que você acordou mais cedo e fez isso porque você é lutador e sabe onde bater'."

Joel sempre negou ter maltratado o filho, mas os investigadores relutavam em acreditar que ele nada sabia a respeito dos hematomas. Testemunhas ouvidas pela polícia negaram que o casal maltratasse a criança.

Quando estava preso, Joel soube que Jéssica tinha mudado o teor de seu primeiro depoimento. Antes ela negava qualquer participação na morte do bebê. Depois, seu discurso era diferente: "Eu tenho que falar a verdade, por mais que a verdade doa", disse ela em um dos depoimentos à Justiça mostrados no documentário.

A verdade que Jéssica relatou acabou levando à sua condenação a 17 anos de prisão pelo homicídio de Rodrigo, após um julgamento de mais de 15 horas. Ela disse que não soube como agir para fazer cessar o choro da criança, que havia caído, e acabou apertando demais seu corpo, acreditando que Rodrigo estava com dor de barriga. Sua defesa argumentou em vão que, naquela época, Jéssica estava sobrecarregada com os cuidados do filho, do marido e da casa.

Ela confirmou que Joel não estava no momento da morte, mas o lutador acabou condenado. O júri considerou que ele foi negligente no cuidado com o filho, a quem ele tinha a obrigação legal de proteger. Em juízo, Joel preferiu não recorrer da condenação por homicídio culposo, no qual não há intenção de matar.

Em "Nocaute: Golpes de Uma Tragédia", Joel e Jéssica refletem -em entrevistas e depoimentos à Justiça- sobre suas ações e omissões que possam ter levado à morte de Rodrigo. Outras testemunhas contam o que viram e o que souberam sobre os eventos trágicos que se abateram sobre a família. Advogados, jornalistas, amigos e familiares tentam responder duas questões. Afinal, quem matou Rodrigo? Alguém poderia ter salvado a criança?

O documentário "Nocaute: Golpes de Uma Tragédia" está disponível para para assinantes UOL e assinantes UOL Play.

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