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'Continua me devendo e continuo querendo receber', diz Denilson sobre Belo

Belo e Denilson se enfrentam na Justiça há mais de 20 anos - Divulgação e Photo Rio News
Belo e Denilson se enfrentam na Justiça há mais de 20 anos Imagem: Divulgação e Photo Rio News

Leandro Pinheiro

Do UOL, em São Paulo

24/06/2021 04h00Atualizada em 24/06/2021 22h51

A briga judicial entre Denilson e Belo teve um novo capítulo. O TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) ordenou que o dinheiro arrecadado com a venda dos ingressos de dois shows realizados pelo cantor em comemoração ao Dia dos Namorados fossem bloqueados e transferidos para o pagamento da dívida com o ex-jogador e atualmente comentarista da Band.

Em contato com o UOL, Denilson disse que a medida foi mais uma tentativa para receber os valores determinados pela Justiça. A condenação saiu em 2004 e não cabem mais recursos.

"A decisão da Justiça já tem há anos. Um assunto que não mudou dos últimos anos. [O Belo] continua me devendo e eu continuo querendo receber. Simples assim... Não tenho mais nada pra falar desse assunto", disse, por meio de mensagens.

"Isso [bloqueio pelo TJ-SP] é o que estamos tentando fazer pra receber. O que não dá é ficar olhando ele fazer a vida normal me devendo milhões. Isso não dá", acrescentou.

A decisão, a que o UOL Esporte teve acesso, diz que "cabe o cumprimento da determinação judicial de p. 2625 no sentido de promover a transferência dos valores obtidos com a venda dos ingressos referentes a apresentação de nome 'Belo in Concert'".

Segundo o despacho, assinado pelo Juiz Carlo Mazza Britto Melfi, no dia 17 de junho, a transferência dos valores deve ser feita em cinco dias.

"Não obstante a manifestação da Empresa Brasileira de Comercialização de Ingressos S/A, cabe o cumprimento da determinação judicial de p. 2625 no sentido de promover a transferência dos valores obtidos com a venda dos ingressos referentes a apresentação de nome "Belo in Concert", nos exatos termos daquela decisão, no prazo improrrogável de cinco dias", ordenou.

Os shows aconteceram nos dias 11 e 12 de junho, no Espaço Hall, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Por meio de sua assessoria de imprensa, Belo esclarece que o "bloqueio judicial de valores determinado recentemente pela Justiça de São Paulo se refere somente a juros de uma dívida já quitada anteriormente". Além disso, o cantor acrescenta que a sua defesa "está confiante que irá reverter a determinação". (Veja o posicionamento completo abaixo).

"Em relação ao ex-jogador Denilson de Oliveira, Belo opta por parafrasear as entrevistas do próprio à imprensa nesta quinta-feira: 'A decisão da Justiça já tem há anos. Um assunto que não mudou dos últimos anos. (...) Não tenho mais nada pra falar desse assunto'.", acrescentou.

Entenda a briga judicial entre Denilson e Belo

Denilson e Belo travam briga jurídica há mais de 20 anos. Antes disso, os dois eram amigos. Em 1999, Belo liderava o grupo de pagode Soweto, enquanto o ex-jogador havia assumido o gerenciamento da banda. Mas a parceria foi rompida em 2000, quando Belo deixou o Soweto para iniciar carreira solo. Denilson processou o cantor alegando quebra de contrato.

Em 2004, a Justiça condenou Belo a indenizar Denilson. Não cabem mais recursos. Com multas e correções, a dívida atual supera R$ 5 milhões.

Veja o comunicado enviado pela assessoria de Belo:

O cantor Belo esclarece publicamente que o bloqueio judicial de valores determinado recentemente pela Justiça de São Paulo se refere somente a juros de uma dívida já quitada anteriormente. Também é importante destacar que a decisão envolve somente a apresentação realizada por meio da turnê "Belo In Concert" no dia 12 de junho, ao contrário do que se afirma em notícias que incluem também o show da véspera, 11 de junho. Não é o caso.

Os espetáculos ocorreram no Espaço Hall, Zona Oeste do Rio, e, além de servirem de alento aos fãs do artista em meio aos dias atuais, ampararam financeiramente dezenas de profissionais envolvidos na produção e desalentados pela pandemia.

O lucro líquido recolhido pela bilheteria não é correspondente ao lucro do artista, como não seria em nenhum evento desse porte.

A defesa de Belo, representada pelo advogado Marcelo Passos, está confiante que irá reverter a determinação. Junto a Passos, estão advogados de outros envolvidos na produção que já comprovaram em juízo que o montante não é somente do cantor e, portanto, não deveria ter sido bloqueado dessa maneira.

Em relação ao ex-jogador Denilson de Oliveira, Belo opta por parafrasear as entrevistas do próprio à imprensa nesta quinta-feira: "A decisão da Justiça já tem há anos. Um assunto que não mudou dos últimos anos. (...) Não tenho mais nada pra falar desse assunto".

Nessas mesmas declarações, Oliveira diz que Belo está "vivendo a vida normal" enquanto a ação judicial tramita.

No entanto, quem acompanha o músico nas redes sociais sabe que ele, na verdade, tem um padrão de vida caseiro e familiar. Isso porque ao longo de trinta anos de carreira, Belo sempre foi e continuará sendo um sujeito semelhante a todos os brasileiros que, em meio a dificuldades, correm o risco de encontrar obstáculos e precisar resolver pendências pelo caminho. E Belo, assim como todos os brasileiros, tem direito a uma "vida normal" enquanto as soluciona, sem ser diminuído por isso.

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