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Escândalo na CBV: delegado aponta contratos fictícios e núcleo político

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

20/05/2021 12h39

A operação que teve a sede da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) como um dos alvos, realizada na manhã de hoje pelo MP-RJ, se baseia em um esquema de R$ 52 milhões que cujo um dos participantes seria Ary Graça Filho, ex-presidente da entidade.

De acordo com Thales Nogueira, delegado responsável pelo caso, sedes e contratos fictícios fazem parte do escândalo, que durou até 2014 - ano em que o mandatário se afastou do cargo.

"Essa investigação apurou a existência de esquema de sonegação fiscal em Saquarema. Existiam dois escritórios que seriam sedes fictícias com mais de mil pessoas jurídicas que, até 2014, se aproveitam de benefícios fiscais concedidos de forma ilegítima", iniciou.

"Dentre elas, foram verificadas algumas empresas de marketing esportivo que recebiam dinheiro da CBV por contratos que nunca foram cumpridos. A organização criminosa se beneficiava tanto dos valores de sublocação dessas pessoas jurídicas - que iam para lá para aproveitar esses benefícios fiscais - como desses contratos da CBV", prosseguiu.

Nogueira ressaltou a existência de dois núcleos no esquema, que também envolve Antônio Peres Alves, ex-prefeito de Saquarema, e seus familiares.

"Um era político, encarregado dos incentivos fiscais, e outro esportivo, encarregado desses contratos da CVB. Os núcleos se cruzavam e tinham sócios de pessoas que eram ligadas a este grupo político."

O delegado disse que os contratos de marketing da CBV, na verdade, eram falsos, já que não havia nenhuma prestação de serviço. "O dinheiro era repartido entre os integrantes da organização criminosa. O total de R$ 52 milhões se dá tanto por contratos fictícios como de valores obtidos com as sublocações dessas pessoas jurídicas que se sediavam em Saquarema".

Os valores, ainda segundo Nogueira, entravam no caixa da CBV, e não há indícios de irregularidades na atual gestão da entidade.

Apreensões

Casa de Ary Graça foi um dos alvos da operação - Divulgação - Divulgação
Casa de Ary Graça foi um dos alvos da operação
Imagem: Divulgação

Na manhã de hoje, a casa de Ary Graça foi um dos alvos do MP-RJ. Lá, foram apreendidos US$ 20 mil e outros R$ 15,1 mil. Em nota, a assessoria do ex-presidente, que está na Suíça, diz que ele "recebeu com surpresa a busca em seu apartamento e a notícia veiculada hoje cedo pela mídia" e que vai contestar as alegações.

Antonio Cesar Alves, irmão do ex-prefeito de Saquarema, também teve a casa inspecionada: Além de R$ 12 mil, 400 euros e US$ 1,1 mil, ele tinha no imóvel uma arma e munição de revólver 38 - Cesar foi preso em flagrante.

Banco do Brasil

Citada pelo MP-RJ como uma das empresas ligadas às parcerias da CBV, o Banco do Brasil emitiu uma nota oficial a respeito do tema.

A empresa disse que "acompanha a apuração e esclarece que grande parte dos fatos narrados já foi objeto de investigações iniciadas em 2014 e que resultaram em melhorias no estatuto da CBV e no contrato de patrocínio com o banco".

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