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'Ser gay não é uma escolha, ser homofóbico é', posta Giba após polêmica

Giba, em entrevista ao ESPORTE - Alexandre Schneider / ESPORTE
Giba, em entrevista ao ESPORTE Imagem: Alexandre Schneider / ESPORTE

Colaboração para o UOL, em São Paulo

17/05/2021 14h32

O ex-jogador de vôlei Giba usou de seu perfil no Instagram para uma publicação mencionando o Dia Internacional Contra a Homofobia. A frase usada pelo atleta foi: "Ser gay não é uma escolha, ser homofóbico é". A data é comemorada todo dia 17 de maio.

A publicação de Giba, nos Stories, veio à tona dias depois de uma polêmica envolvendo falas do ex-jogador sobre a jogadora Tifanny, do Sesi/Bauru.

Em uma conversa com o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o ex-ponteiro disse que o fato de Tifanny atuar em equipes femininas é "completamente fora do normal" e sugeriu um campeonato disputado apenas com transexuais.

Na ocasião, após a veiculação da entrevista, em contato com a reportagem do UOL Esporte, Giba não quis se pronunciar e disse que entrará em contato direto com Tiffany para uma conversa. Desde então, ele não falou nada sobre o assunto.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) permite que mulheres trans participem de esportes femininos desde que tenham um reconhecimento civil da transição de gênero e mantenham o nível de testosterona dentro do permitido. Tifanny está dentro dessas regras.

Giba, do vôlei, faz postagem em Dia Internacional Contra a Homofobia - Instagram - Instagram
Giba, do vôlei, faz postagem em Dia Internacional Contra a Homofobia
Imagem: Instagram

O que Giba disse

"Se perguntar pra mim, [a resposta é]: faz um campeonato deles [transexuais]. Não tenho problema com gênero, com nada, mas é completamente fora do normal. Joguei com ele [Tifanny] quando ele era homem ainda, hoje em dia joga com mulheres. Ele foi fazer a cirurgia com 30 e poucos anos, e por mais que você faça o tratamento, ele não vai perder aquela força a mais que temos em relação às mulheres", iniciou.

"Uma pergunta que faço para todo mundo pensar um pouco: se uma mulher é pega no doping com testosterona, ela fica quatro anos fora das quadras. E por que isso não é o contrário? É um questionamento que eu deixo para vocês pensarem um pouquinho", prosseguiu o ex-atleta.

Por que há transfobia

Amanda Gondim, advogada atuante em Direitos das Mulheres, LGBTQIA+ e pessoas com deficiência, descreveu para Universa a transfobia como o ódio direcionado à identidade de gênero.

"É diferente da homofobia, que é direcionada a orientação sexual. A transfobia envolve a identidade da pessoa, que é repelida para ser inserida em nossa conjuntura social de padrão cis", disse.

Este preconceito pode se manifestar de diferentes formas, começando por 'piadas' e comentários discriminatórios - no caso de Giba, há a ideia de segregação ao sugerir um campeonato específico para pessoas transexuais. Além disso, Giba tratar a jogadora pelo artigo masculino é extremamente desrespeitoso.

Ativista: 'É uma expressão pública de transfobia'

A militar e ativista trans Bruna Benevides criticou a declaração de Giba sobre Tifanny Abreu. Em participação no UOL News, ela classificou a fala do medalhista olímpico como "expressão pública de transfobia".

"Esse debate não é sobre a defesa ou cuidado com as mulheres e também não é sobre ciência. Existe um fator que é fundamental pra gente entender, que é a transfobia. Essa transfobia, no sentido desumanizante e inferiorizante, que deixa essas pessoas totalmente confortáveis e de forma inconstrangível de estarem dando suas opiniões de forma irresponsável, no sentido de disseminar inverdades sem nenhum tipo de embasamento", disse Bruna.

Exemplo falso

Ao mostrar rejeição em relação ao fato de Tifanny atuar em equipes femininas, Giba utilizou uma notícia considerada como falsa em 2018 pelo site Boatos.org, especializado em desvendar fake news.

"É um caso bem complicado. Eu sou presidente da Comissão Mundial dos Atletas na Suíça e a gente teve essa discussão. Tinham federações que aceitavam, mas as confederações não. Tivemos essa discussão. [...] Um caso que deu embasamento para que a gente não deixe isso acontecer foi o que aconteceu, se não me engano, em um campeonato de luta. Tipo MMA. Uma menina que fez isso da Bélgica, ela deu uma porrada na cabeça de uma tailandesa e a menina morreu com traumatismo craniano. E aí? Como a gente vai deixar isso acontecer?", disse Giba.

De acordo com o site, no entanto, a tal luta sequer aconteceu, já que as lutadoras citadas na notícia simplesmente não existem.

Além disto, as fotos vinculadas à notícia "original" são do velório de outra pessoa - no caso, um diretor de uma delegacia, e não da tal lutadora.

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