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Após terceira cirurgia, Rebeca ouviu a mãe: não desistir antes de tentar

Rebeca Andrade na disputa da final do individual geral em Tóquio - Ricardo Bufolin/CBG
Rebeca Andrade na disputa da final do individual geral em Tóquio Imagem: Ricardo Bufolin/CBG

Denise Mirás

Colaboração para o UOL, em São Paulo

29/07/2021 10h03

Um conselho de mãe foi a base para a inédita medalha de prata conquistada nesta quinta-feira (29) por Rebeca Andrade no individual geral feminino da ginástica artística em Tóquio. Foi Rosa Braga, chorando em uma conversa depois da terceira cirurgia da filha no joelho direito, que a convenceu: deveria ao menos tentar voltar aos treinos. Se não se sentisse bem, Rebeca seria recebida com todo carinho da família na volta à casa, em Guarulhos.

Aos 20 anos, a ginasta do Flamengo aceitou a ponderação da mãe. E se tornou em Tóquio-2020 a primeira mulher brasileira a ganhar uma medalha olímpica na ginástica.

"Essa conversa foi quando ela desmoronou. Quando ela realmente desistiu. Eu e ela, as duas, chorando. Mas me veio uma luzinha. Tive de deixar um pouco o lado de mãe, quando ela chorava dizendo que queria voltar para casa, e virar para o lado de incentivadora, dizendo a ela que ao menos se desse mais uma chance. Que tentasse voltar aos treinos e sentisse seu corpo. Ela ouviu. Dois dias depois me ligou, contente, dizendo que tinha treinado e resolvido ficar no Rio. Falou: 'O joelho não está doendo!'. Ela se recuperou muito rapidamente", conta Rosa.

Um das características destacadas em Rebeca, diz, é escutar conselhos - e absorver. "Naquela conversa, eu falei com ela para não desistir antes de tentar, para só então decidir se iria parar ou não. Que às vezes temos obstáculos que precisamos vencer. Não sei o que deu em mim, mas algo me dizia que ela iria conseguir."

Rebeca é filha de Ricardo, primeiro marido de Rosa, com quem teve cinco filhos. Do segundo casamento, são mais três. "A Rebeca é a quinta, dos oito. Sempre ouviu os mais velhos e mostrou responsabilidade, determinação."

São seis homens e duas mulheres, entre 32 anos e 14, e todos esportistas, como explica Rosa, lembrando que os três mais novos também estão na ginástica: Yago, de 18; Henrique, de 16, e Igor, de 14. No momento, parados, esperando o retorno aos treinos, que dependem da prefeitura de Guarulhos para sua continuidade.