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"A Exterminadora": quem é australiana que está tirando o trono de Ledecky

Ariarne Titmus, da Australia, celebra medalha de ouro nos 200m livre - Delly Carr/Getty Images
Ariarne Titmus, da Australia, celebra medalha de ouro nos 200m livre Imagem: Delly Carr/Getty Images

Beatriz Cesarini

Do UOL, em Tóquio

28/07/2021 12h00

"Surreal. É a maior coisa que você pode fazer em sua carreira", disse Ariarne Titmus ao conquistar a medalha de ouro nos 400m livre em sua estreia no campeonato de natação das Olimpíadas de Tóquio. A australiana de 20 anos veio da Tasmânia para desbancar ninguém menos do que a norte-americana Katie Ledecky, campeã olímpica e atual detentora do recorde mundial da prova.

Hoje, Titmus ganhou mais uma medalha de ouro ao nadar mais rápido que as adversárias nos 200m livre. Dean Boxall, o técnico dela, foi à loucura na arquibancada do Centro Aquático de Tóquio. Ele pulou, gritou, agarrou e empurrou a grade de proteção e virou meme. Não era para menos. Titmus venceu duas das quatro provas previstas no programa de Tóquio-2020.

"Dean é assim. Ele é muito apaixonado pelo que faz e fica bastante animado. Isso é tanto para ele quanto para mim. Ele sacrificou muito de sua vida familiar com seus filhos e esposa para estar aqui com a gente. Ele se dedica 100% para ser um bom treinador de natação, e eu não estaria aqui sem ele", declarou Titmus.

Não é somente o estado natal que a relaciona com o diabo Taz-Mania. Logo que começou a nadar, aos sete anos, ela ganhou o apelido de "Exterminadora". Eliminar a adversária —e ídolo— Katie Ladecky, foi a principal motivação de Titmus durante esses Jogos.

"Eu apenas agradeço a ela. Eu não estaria aqui sem ela. Ela estabeleceu esse padrão para o estilo livre de meia distância e fez coisas inacreditáveis pelo esporte. Se eu não tivesse alguém como ela para perseguir, definitivamente não estaria nadando do jeito que estou", disse a australiana que saiu abraçada com a norte-americana após a vitória nos 400m livre.

Titmus foi convocada pela seleção australiana em 2017 e, com seu redemoinho, foi destruindo tudo pela frente. No ano seguinte, levou o bronze no revezamento feminino de 4x200m livre no Campeonato Mundial. Em competições internacionais de 2018, ela garantiu medalhas de ouro nos 200m e 400m livre, em que estabeleceu o recorde mundial com 3min56s46.

O primeiro gostinho de derrota de Ledecky em competições internacionais veio com a participação de Titmus, no Mundial da Fina. Esse foi anúncio da chegada do "diabo da Tasmânia" nas Olimpíadas de Tóquio. E apesar de ter esse apelido, a agressividade e agitação da australiana ficam dentro da piscina.

Ariarne Titmus abraça o técnico Dean Boxall após vencer os 200m livre - Maddie Meyer/Getty Images - Maddie Meyer/Getty Images
Ariarne Titmus abraça o técnico Dean Boxall após vencer os 200m livre
Imagem: Maddie Meyer/Getty Images

Nas entrevistas, a atleta sempre se mostra surpresa com os bons resultados, mas não vai à loucura como seu técnico. Somente na noite de terça, ela permitiu celebrar e chorar de emoção, após levar o ouro nos 200m livre.

"Sinto que sou muito boa em conter minhas emoções. É algo que eu tive que fazer muito bem depois da prova de 400m porque os 200m seriam logo depois. Foi um pouco difícil conter as emoções agora e não vou nadar esta noite. Meio que deixei escapar um pouco", comentou.

Agora, ela tem mais duas provas pela frente: o revezamento 4x200m e os 800m livre.

"É uma loucura pensar que estou apenas na metade do meu programa. Os dois que venci são os que eu meio que senti mais pressão. Eu me sinto bem, tenho aproveitado o descanso que tenho tanto quanto posso, então esta tarde vou tentar apenas relaxar e repor o foco para amanhã", encerrou.