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Mãe de Ketleyn homenageia filha em faixa e torce: 'É difícil, mas ela pode'

Família de Ketleyn pendura faixa em sua homenagem em Brasília - Arquivo pessoal
Família de Ketleyn pendura faixa em sua homenagem em Brasília Imagem: Arquivo pessoal

Brenda Mendes

Colaboração para o UOL, em São Paulo

25/07/2021 19h12

A judoca Ketleyn Quadros terá apoio até mesmo em forma de adereços. A família da atleta decidiu pendurar uma faixa nesta semana na porta da casa de sua avó, em Ceilândia, Brasília, homenageando Ketleyn que foi para as Olimpíadas de Tóquio 2020 disputar a categoria até 63kg no judô.

"Minha filha Ketleyn Quadros está nas Olimpíadas de Tokyo", é o que diz a faixa pendurada, que tem recebido muitos comentários dos vizinhos e pessoas que passam pela rua em Brasília, e também nas redes sociais.

Em entrevista ao UOL Esporte, a mãe de Ketleyn, Rosemary de Oliveira Lima, explica que a ideia não é tão nova assim. Na verdade, em 2008, a família também colocou uma faixa, celebrando a ida da atleta a Pequim, que voltou com uma medalha no peito.

"A ideia de colocar a faixa veio da minha comadre, Netinha, madrinha da Ketleyn. Ela viu a família do Luciano Corrêa na outra Olimpíada em 2008, ele morava em Brasília, no Cruzeiro. 'Comadre coloca uma na sua casa'. Em 2008 colocamos, e agora em 2021 minha sobrinha e minha comadre também falaram. Decidimos e colocamos aqui no portão, em frente à casa da minha mãe onde moramos", desvenda a mãe.

Ketleyn - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Família de Ketleyn pendura faixa em sua homenagem em Brasília em 2008
Imagem: Arquivo pessoal

A repercussão da faixa contagiou os brasilienses e foi muito celebrada pela família: "A expectativa está assim, está todo mundo ansioso, os vizinhos, alguns sabiam e outros não. As pessoas passam na rua, as que moram na rua, e às vezes nem moram aqui e comentam: 'Ela está aí? Ela mora aí? Como é essa história?'. Alguns conhecem e parabenizam, falam que estão na torcida, que está todo mundo junto. A rua está super animada, se não fosse a pandemia tava pegando fogo".

Medalhista de bronze nas Olimpíadas de Pequim em 2008, a judoca fez história ao se tornar a primeira mulher a conquistar uma medalha em esportes individuais para o país e hoje retorna às Olimpíadas para dar um passo maior em busca da tão sonhada medalha de ouro.

Nesta edição, Ketleyn Quadros entrou como porta-bandeira na cerimônia de abertura ao lado de Bruninho, do vôlei, escrevendo mais um capítulo da história como a primeira porta-bandeira negra do Brasil, e encheu os familiares e os amigos de alegria e orgulho.

"Vê-la desfilando como porta-bandeira foi maravilhoso, motivo de muito orgulho pra família, os amigos, todo mundo aqui está na torcida. A gente ficou muito feliz em ver ela representando os atletas e representando o Brasil, Ceilândia também, representando o sonho de todas as atletas. Até quem pratica esporte amador e tem sonho a ser realizado, e pode acreditar que vai dar certo", completa Rosemary.

Atenciosa com todos ao seu redor, Ketleyn se mantém perto da família por meio de chamadas de vídeo, ligações e visitas. Durante a pandemia o contato foi mais difícil, mas a atleta se esforçou para retribuir todo o carinho que recebe diariamente.

Vencedora a Ketleyn já é, mas a mãe está confiante de que a medalha dourada virá para casa junto com a atleta: "Estamos com expectativa de medalha, ver ela no pódio, realizando o sonho dela que é uma medalha de ouro. Minha mente está tranquila, coração agitado, mas feliz dela ter conquistado essa vaga, mostra toda raça dela, energia. Como ela mesmo disse: 'A chama nunca apagou'.

"Ela faz o que gosta, gosta de judô, pratica esporte por amor ao esporte, escolheu esse esporte do coração dela, um serviço que faz por amor, e toda recompensa é bem-vinda. A família está aqui, todos juntos, torcendo por ela, queremos ver o sucesso dela, sabemos que onde chegou é difícil, mas ela pode mais. O céu é o limite", filosofa a mãe.

Ketleyn entra no tatame das Olimpíadas na segunda-feira às 23h30, horário de Brasília, e enfrentará Cergia David Guity, atleta de Honduras, na categoria até 63kg.