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Bronze de Cargnin é reflexo de força-tarefa criada por judocas veteranos

Daniel Cargnin, medalha de bronze no judô em Tóquio-2020 - HANNAH MCKAY/REUTERS
Daniel Cargnin, medalha de bronze no judô em Tóquio-2020 Imagem: HANNAH MCKAY/REUTERS

Beatriz Cesarini

Do UOL, em Tóquio

25/07/2021 14h00

Há algumas horas, Daniel Cargnin conquistou sua primeira medalha de bronze após derrotar o israelense Barush Schmailov na categoria meio-leve (até 66kg) competição de judô das Olimpíadas de Tóquio. Com a vitória, o atleta gaúcho consolidou uma nova geração do Brasil na modalidade.

Ele é a grande revelação do judô masculino brasileiro nos últimos anos. O atleta foi campeão mundial júnior em 2017, em Zagreb, na Croácia, e já tinha um bronze no torneio, de 2015. Além disso, foi vice-campeão dos Jogos Pan-Americanos de Lima, em 2019. A medalha de Daniel é uma das consequências positivas da força-tarefa criada por veteranos do judô nacional.

Em janeiro, quando acabou o Masters de Judô, em Doha, o campeão mundial Luciano Corrêa ligou para o medalhista olímpico Flávio Canto. Os dois estavam preocupados com os resultados do Brasil. A seis meses das Olimpíadas, o país não só não tinha ganhado nenhuma medalha no Masters, como não havia feito qualquer disputa de bronze.

Os resultados estavam escassos, restritos quase que somente aos pesos-pesados e a Mayra Aguiar —que, no início do ano, estava machucada. Com o diagnóstico de que precisariam unir forças para ajudar a comissão técnica, decidiram pensar em uma forma de ajudar. Aos dois, se juntaram os ex-judocas Erika Miranda, Sarah Menezes, João Derly e Leandro Guilheiro.

Eles criaram um grupo de WhatsApp, que ganhou o nome Brainstorm —termo em inglês para uma reunião de pessoas para discutir ideias e propostas. Seis meses depois, o time comemora que a geração que pouco deu resultados até Tóquio chegou ao pódio exatamente na hora que importava.

"A intenção sempre é de fazer o bem, de querer ajudar. Essa conquista lavou a alma, proporcionou um sentimento de que foi concretizada a renovação", comenta João Derly.

Depois que ofereceram ajuda, os ex-atletas passaram a ser chamados para participar de treinamentos da seleção. Luciano Corrêa relembra: "O primeiro que teve disponibilidade foi Leandrinho, que foi para Pindamonhangaba (onde a seleção tem treinado). Em um segundo momento, Derly também foi e bateu um papo com os atletas. A gente tentava fazer com que sempre tivesse um de nós para motivá-los e passar experiência".

Alívio

Em entrevista coletiva realizada logo após a luta de Daniel, o diretor de alta performance na Confederação Brasileira de Judô Ney Wilson se mostrou aliviado com a conquista e exaltou o início de uma nova geração no judô masculino nacional.

"Eu vejo essa medalha com uma importância muito grande. A gente está sendo cobrado por uma renovação... Sempre os mesmos ganhando medalha. Ouvimos que o feminino que estava levando o masculino nas costas. Mas judô é um esporte a longo prazo, é difícil ter resultados imediatos. Mas a gente sempre acreditou no trabalho e na possibilidade de reverter esse quadro para construir uma nova geração", destacou.