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Liderança de Bruno Fratus na natação é questionada após "post auto-ajuda"

Bruno Fratus durante o treino na cidade de Sagamihara - Jonne Roriz/COB
Bruno Fratus durante o treino na cidade de Sagamihara Imagem: Jonne Roriz/COB

Beatriz Cesarini

Do UOL, em Tóquio

24/07/2021 11h05

As nadadoras Ana Vieira, Etiene Medeiros, Stephanie Balduccini e Larissa Oliveira estrearam nos Jogos Olímpicos de Tóquio hoje (24), no revezamento dos 4x100m livre. Apesar de não terem conseguido a classificação — com o tempo de 3m39s19 ficaram na sexta posição da bateria — elas celebraram o fato de estarem representando o país. Assim que deixaram a piscina, elas demonstraram desconforto com uma publicação de Bruno Fratus no Instagram, em que ele assume um papel de capitão.

Um dos mais experientes da seleção brasileira, Fratus compartilhou o que chamou de "carta aberta à seleção olímpica de natação do Brasil" em que disse que os atletas tinham "muito poder". Com o texto, o nadador responsabilizou-se por uma liderança da equipe nacional.

Etiene Medeiros mostrou respeito ao companheiro, mas disse não acreditar em publicações de redes sociais. Segundo a atleta, o corpo fala mais que qualquer palavra. Sem entrar em muito detalhes, ela falou ainda em construção de um ambiente melhor na modalidade.

"Eu vi, sim, essa publicação. Minha opinião, tá? Acredito muito no ao vivo, e nada relacionado a post... Acho que o olhar, o corpo, fala muito mais que qualquer palavra. Então, se a gente está aqui hoje, se o corpo se movimenta de estarmos nos abraçando, é totalmente diferente de qualquer situação que a gente possa ver, ler, ver e traduzir. Fratus é um cara que tem um excelente resultado, a gente apoia muito ele, está aqui no melhor momento dele, mas acredito que, passo a passo, a gente pode construir um ambiente melhor", disse.

Larissa e Ana também demonstraram insatisfação com a publicação de Fratus e quando questionadas se gostariam de expor a opinião, responderam: "Essa eu passo".

Complementando a fala de Etiene, a caçula e estreante Stephanie Balduccini, de 16 anos, salientou que as companheiras de 4x100 se tornaram uma família neste momento e, sem os pais por perto, tem as suas inspirações para cuidarem dela.

"A gente não teve o tempo que queríamos, mas estamos super felizes por estarmos aqui participando. Poder nadar ao lado delas, minhas ídolos... Poder estar aqui com elas é muito mais que palavras, nem consigo descrever em palavras o que eu sinto por estar aqui. Estou longe da minha família, dos meus amigos, mas é tipo uma família entre a gente. Acho que não consigo descrever", apontou.

Ana Vieira, Etiene Medeiros, Stephanie Balduccini e Larissa Oliveira integraram a seleção feminina no 4x100m livre nos Jogos Olímpicos de Tóquio - Satiro Sodré/SSPress/CBDA - Satiro Sodré/SSPress/CBDA
Ana Vieira, Etiene Medeiros, Stephanie Balduccini e Larissa Oliveira integraram a seleção feminina no 4x100m livre nos Jogos Olímpicos de Tóquio
Imagem: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Ainda na saída da piscina, Larissa Oliveira citou "patamar difícil" ao falar sobre o momento da natação feminina e, por esse motivo, celebrou o fato de equipe feminina chegar nas Olimpíadas e manter a modalidade viva no gênero.

"Ficamos dias e dias esperando por essa classificação no 4x100. Foi uma coisa difícil, a natação feminina está em um patamar difícil, mas estar aqui, neste evento, realizando uma coisa que poucas têm, e temos esse privilégio de estar aqui durante a pandemia.. É muita coisa atrás do que vocês estão vendo nesta piscina. Gostei muito de estar nadando hoje, com três meninas incríveis, três melhores do Brasil e do mundo. Estávamos buscando um tempo mais baixo do que realmente foi, mas é isso. Até fiquei nervosa, eu fiquei nervosa, as meninas ficaram nervosas, mas estamos aqui para dar o nosso melhor e o nosso melhor foi esse", disse Larissa.

Ainda durante as sessões de eliminatórias na natação, Felipe Lima - classificado para a semifinal dos 100m peito - falou justamente sobre um papel de liderança na seleção brasileira. O atleta de 36 anos afirmou que sempre procura conversar com mais novos e se mostra aberto.

"Sendo mais experiente, tento puxar essa nova geração. Ontem eu quis reunir o grupo todo masculino pra gente jantar junto e ter essa união, queria mostrar que quero ajudar eles e ser ajudado. A gente troca essa experiência pra gente evoluir junto, defendemos a mesma seleção", destacou.

"Tento sempre mostrar para os mais novos que estou ali para querer ajudar eles e eles me ajudarem também. Acho que todo o dia é dia de aprender. A quer se integrar e se unir. Às vezes eles estão acanhados e tem vergonha de perguntou, mas eu vou até eles para mostrar que estou ao lado deles", concluiu.