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COB muda critérios de divisão de dinheiro e beneficia aquáticos e ciclismo

Bruno Fratus comemora a medalha de bronze nos 50m livre nos Jogos Olimpicos-Tóquio 2020 - Satiro Sodré/SSPress/CBDA
Bruno Fratus comemora a medalha de bronze nos 50m livre nos Jogos Olimpicos-Tóquio 2020 Imagem: Satiro Sodré/SSPress/CBDA
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

14/09/2021 12h00

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) anunciou mudanças nos critérios de divisão de recursos da Lei Agnelo/Piva, das Loterias, principal motor do esporte olímpico no país. Dentre as novidades, duas têm maior impacto: o aumento da importância dos Jogos Pan-Americanos e a criação de um critério por modalidade, não apenas por esporte.

Os dois termos são usualmente tratados como sinônimos, mas na organização do movimento olímpico eles representam coisas diferentes. A Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC) cuida da administração de um esporte, o ciclismo, que tem diversas modalidades, das quais cinco são olímpicas: BMX Freestyle, BMX, pista, mountain bike e estrada.

Mesmo com cinco modalidades distintas para administrar, que têm diferentes campeonatos, equipamentos, comissões técnicas, etc, a CBC recebia proporcionalmente o mesmo montante relativo ao mérito esportivo que uma confederação com apenas uma modalidade olímpica, como o judô, por exemplo. E isso algum tempo vinha sendo contestado internamente dentro do COB.

A partir do ano que vem, isso muda. Metade dos pelo menos R$ 150 milhões/ano distribuídos pela Lei Piva segue sendo dividido igualitariamente entre todas as confederações e 16% a partir de critérios de governança. Mas os demais 34% (mais de R$ 50 milhões) passam a ser repartidos por modalidades, não mais por esportes. O ciclismo, para ficar no mesmo exemplo, participa cinco vezes. O hipismo, três. A canoagem, duas.

Nessa conta, a maior beneficiada é a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), que vai se tornar a entidade com direito a maior fatia dos recursos da Lei Piva depois de ganhar três medalhas na Olimpíada, sendo duas na natação e uma nas águas abertas. Na divisão anunciada pelo COB para 2021, ela era oitava do ranking. A ginástica, que ganhou duas medalhas na artística e participou da Olimpíada na rítmica, também deverá ser bastante ajudada por esse critério.

A outra novidade é o aumento da importância dos Jogos Pan-Americanos. Até esse ano, os resultados do torneio influenciavam a destinação de apenas 3,9% dos ao menos R$ 50 milhões distribuídos por meritocracia. Mas essa taxa já dispara para 16% no ano que vem e chega a 18% em 2023.

Paralelamente, cai o peso dado aos Jogos Olímpicos (41% hoje, 36% em 2024), aos Mundiais adultos (21% hoje, 19% em 2024) e aos Mundiais de Sub-21 (17% hoje, 11% em 2024). Nessa, quem sai perdendo é principalmente a Confederação de Tiro Esportivo, que tem uma medalha de ouro recente em Mundial Sub-21, mas passou em branco no Pan de Lima.