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Judô tem uma bicampeã mundial que não tem um país para defender

Do UOL, em São Paulo

26/08/2014 09h59

Em 2009, Majlinda Kelmendi tinha 18 anos quando conquistou o título mundial júnior. Individualmente, já seria uma conquista admirável. Mas aquela medalha de ouro foi bem mais do que isso: marcava o primeiro título mundial de um atleta do Kosovo, região albanesa que sofreu perseguição étnica durante a guerra da Iugoslávia.

Naquele mundial, disputado em Paris, ela usava, nas costas, as letras IFJ, da Federação Internacional de Judô (em inglês). Kosovo ainda não era considerado um país. Nesta terça-feira, Majlinda conquistou sua segunda medalha em Mundiais adultos. Às costas, enquanto suas rivais usavam as siglas de seus respectivos países, seguiam as três letras da entidade internacional.

Um dos principais nomes do judô no planeta, ela é uma atleta em busca de um país. Kosovo proclamou, unilateralmente, sua independência em 2008 e ainda não conseguiu ser reconhecido como nação em boa parte do mundo. O judô foi uma das primeiras modalidades a reconhecer os atletas do país: desde 2009 os atletas do país podem disputar seus torneios e, no ano passado, Majlinda chegou a competir com o KOS às costas. Seu primeiro título mundial foi conquistado assim.

Nas Olimpíadas de Londres-2012, o Comitê Olímpico Internacional proibia os cidadãos kosovares de defender sua bandeira. Para todos os efeitos, não era um país. Majlinda tentou uma autorização para competir sob a bandeira do COI, como atletas das Antilhas Holandesas fariam. Não conseguiu. Mas foi à Olimpíada mesmo assim, defendendo a Albânia.

Depois dessa experiência olímpica, sua carreira decolou. Ela subiu ao pódio 16 vezes desde os Jogos Olímpicos. Mais do que isso, foram 11 medalhas de ouro, incluindo o Mundial do Rio de Janeiro, no ano passado. Nesta terça-feira (26), ela chegou ao Mundial de Chelyabinsk, na Rússia, como líder do ranking mundial de sua categoria, a meio-leve (52kg). Saiu como bicampeão mundial, confirmando que está em um nível diferente de suas rivais de 52 kg.

“[O reconhecimento] É uma questão política. Infelizmente, Kosovo é um país pequeno, sem força política, que não consegue ter influência em alguns assuntos”, lamentou a atleta na época das Olimpíadas.

Seu bom desempenho no torneio russo, porém, carrega uma vitória do Kosovo: na Rússia, um dos países que trava o processo de reconhecimento da independência do país, uma atleta kosovar foi melhor do que todas as outras. Pelo menos no tatame, o reconhecimento chegou.

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