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Quatro meses de negociação e fracasso: a saga de Botafogo até o 'não' de Zahavi

26/06/2022 08h00


A novela, finalmente, acabou. O capítulo final não foi feliz para o Botafogo: Eran Zahavi recusou a proposta do Glorioso e as negociações entre as partes estão encerradas. O atacante, que era o "Plano A" do clube na busca por um reforço de peso na janela, deve retornar para Israel.

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Foram mais de quatro meses de negociações. O Botafogo iniciou as conversas em fevereiro, ainda quando Zahavi estava no meio dos compromissos com o PSV-HOL. À época, o clube também tinha conversas com Edinson Cavani, considerado como o "grande sonho" de John Textor.

Havia, na época, uma conversa até para uma liberação imediata de Zahavi. Até então o israelense não era titular absoluto do PSV e já sabia que não teria o contrato renovado. O Botafogo, porém, priorizou a situação de Cavani, deixando as conversas com o israelense em segundo plano.

O resultado já é conhecido: o uruguaio recusou as propostas do Botafogo, que então colocou Zahavi como prioridade. A questão é que nesse intervalo o atacante desandou de marcar gols no PSV, que avançou na Conference League e ainda tinha chances de título no Campeonato Holandês. Dessa forma, a liberação imediata foi de ralo.

Ok. John Textor aceitou e manteve conversas com os representantes de Zahavi visando um negócio para a segunda janela. Além do estafe do israelense, o empresário que ajudou a viabilizar as conversas foi Marcos Leite, também envolvido nas contratações de Keisuke Honda e Salomon Kalou no passado.

EXIGÊNCIAS
Apesar da série de pedidos feitos por Zahavi, as negociações estavam avançando aos poucos. O atacante chegou a aceitar os números de salário oferecidos pelo Botafogo no começo de maio. Contando luvas, o atacante iria ganhar cerca de R$ 1,2 milhão por mês - de longe o maior salário do elenco do Glorioso.

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Mas não parou aí. O jogador também pediu residência em bairro nobre do Rio de Janeiro, segurança durante 24 horas e até veículo. Durante as conversas, o empresário de Zahavi - sem ser Marcos Leite - chegou a tentar 'incluir' o atacante Omer Atzili, do Maccabi Haifa-ISR, nas negociações, com a justificativa de que ajudaria Eran na adaptação do Brasil.

Omer Atzili, do Maccabi Haifa (Foto: Divulgação)

O departamento de futebol do Botafogo prontamente recusou. Além de não querer adicionar um salário a mais, a equipe considerou que Atzili não tinha o nível adequado para melhorar a equipe. A questão foi deixada para trás.

Neste intervalo, Zahavi também aproveitou para tirar férias, o que por vezes dificultava a comunicação com o jogador. Aposentado da seleção israelense, o atacante não teve compromissos de meio de ano pela Nations League, o que lhe deu uma folga maior.

RETA FINAL E INVASÃO AO CT
A parte mais complicada, que envolvia as questões financeiras, já havia sido superada, faltando apenas esses itens "fora de campo". Havia confiança no Botafogo e John Textor chegava a considerar Zahavi como reforço da equipe no começo do mês.

Um fator que sempre arrastou a negociação para baixo foi Shay, a mulher do atleta. A esposa de Zahavi nunca foi uma grande fã da ideia de Eran morar no Brasil e, apesar da vontade do atacante em um primeiro momento de atuar na Cidade Maravilhosa, sempre trazia à tona a ideia dele reconsiderar a ideia.

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A invasão ao CT por parte de alguns torcedores no dia 15 foi a gota d'água. Se Shay já não queria vir para o Brasil, a ideia também começou a afetar Eran. O jogador avisou aos representantes do Botafogo que ficou impactado com o que aconteceu e pediu garantias de que o episódio não se repetiria caso ele fosse ao clube.

John Textor, Marcos Leite e diretoria tentaram reverter a situação desde então, afirmando que era um caso isolado e que a segurança seria reforçada, também passando boas ideias sobre o Rio de Janeiro e reafirmando as belezas da Cidade Maravilhosa.

Eran e Shay Zahavi (Foto: Arquivo Pessoal)

Foi aí que Zahavi afirmou o compromisso com o Botafogo. O atacante disse "sim" ao clube no começo da semana, se comprometendo com o projeto. O Alvinegro enviou o contrato, o atacante retornou com alguns últimos ajustes, o clube aceitou e retornou e... nunca recebeu o documento de volta.

Neste intervalo, John Textor, em entrevista ao LANCE!, afirmou que ainda estava conversando com o jogador. Em semblante não muito animado, o norte-americano afirmou que as questões de segurança foram o principal impacto. Com outra proposta em mãos, Zahavi optou pela opção que não desagradaria a maior parte da família, apesar de ter se comprometido com o Alvinegro.

No fim, o Glorioso saiu de mãos atadas. Prevendo um possível risco disso acontecer, a diretoria do Botafogo passou a mapear novos nomes para o setor e chegou a ter reuniões importantes nos últimos dias, mas ainda não há nada tão avançado com outro nome. Zahavi, agora, é passado.

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