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Brasileiro relata clima de incerteza e insegurança e se diz precupado com conflito militar na Ucrânia

19/01/2022 20h09


Buscando focar no futebol, mas atento aos movimentos militares que acontecem na Ucrânia, Lucas Rangel, atacante do Vorskla Poltava, vive um clima de incerteza. Em entrevista ao LANCE!, o centroavante, que retornou à Europa há dois dias após um período de férias no Brasil, afirmou que há militares russos em Kharkiv, cidade que pertencia à União Soviética e sede do FK Metalist, time de futebol da primeira divisão ucraniana.

CLIMA DE GUERRA FRIA
De acordo com a imprensa internacional e de membros do governo dos Estados Unidos, a Rússia posicionou diversos militares na fronteira com a Ucrânia e os rumores acerca de um conflito crescem. A preocupação toma conta de diversos países do mundo inteiro a ponto do Reino Unido e do Canadá enviarem ajuda bélica ao país em que Lucas Rangel vive com a sua família.

O camisa 73, que está há pouco mais de quatro meses no Vorskla Poltava, relatou uma situação inusitada a qual não está acostumado a conviver por conta da baixa frequência passando por Kiev, capital da Ucrânia.

- Após chegar no aeroporto de Kiev, eu peguei três horas de carro até a minha cidade e vi alguns militares nas ruas. Eu nunca tinha visto isso, pois não costumo fazer essa rota, mas próximo ao aeroporto vi muitos soldados.

Apesar da preocupação, evidenciada principalmente em atletas estrangeiros, Rangel afirma que os jogadores ucranianos estão tranquilos com relação a essas especulações que circulam nos principais veículos mundiais.

- Nós começamos a questionar os ucranianos se essas notícias eram verdadeiras, mas eles dizem que nada vai acontecer. Eles falam que se a Rússia atacar a Ucrânia, poderia gerar uma Guerra Mundial, pois os Estados Unidos iriam intervir. Mas é verdade que há soldados em Kharkiv, que é próxima da minha cidade.

O atacante também demonstrou preocupação ao relatar uma conversa com um amigo que atua no Zenit, da Rússia, e ouvir como a imprensa local tem tratado e repercutido esse assunto. O maior medo é que a cidade de Poltava, onde mora, estaria na mira dos militares da nação comandada por Vladimir Putin.

- Eu tenho um amigo no Zenit e perguntei o que se fala na imprensa russa. Ele me disse que era verdade, que há soldados russos, mas que eles estariam se programando para atacar uma certa região e, infelizmente, a minha cidade está dentro dela. A gente nunca sabe o que pode acontecer ou não.

CIDADES PERDIDAS
Em sua primeira temporada na Ucrânia, Rangel convive com essa situação complicada, mas também lembra que já passou por cidades em que as marcas de outros conflitos ainda são visíveis e que há uma certa tristeza em algumas regiões.

- Teve uma cidade em que fomos jogar, mas não lembro exatamente o nome, que estava tudo destruído. Dá uma tristeza. Nós chegamos, nos concentramos, treinamos, voltamos rapidamente para o hotel, fizemos a partida e voltamos para Poltava. Não foi aquela preparação a vontade, em que a gente fica batendo bola após o treino.

O brasileiro também recorda de Donetsk, que vive um conflito militar há anos, embora esteja tomada pelos russos, e que obrigou o Shakhtar a se mudar de local. O clube que reúne uma legião de brasileiros não atua em casa desde 2014.

Shakhtar, do brasileiro Alan Patrick, atua em Kiev desde 2014 (Foto: Divulgação / Shakhtar Donestk)

- Se você for para cidades mais distantes, algumas estão destruídas e se levantando aos poucos. Os ucranianos me dizem que em Donetsk morre um soldado todos os dias, que a guerra continua. E o Shakhtar não pensa em voltar para lá.

APREENSÃO E INCERTEZA
Lucas Rangel viaja neste domingo para a Turquia para realizar uma mini pré-temporada, uma vez que o Campeonato Ucraniano está paralisado por conta do rigoroso inverno. Ainda não há informações sobre a competição ser paralisada, pois ainda é cedo para tomar qualquer ação, mas o que predomina é a incerteza.

- Entre nós jogadores, a gente se pergunta o que iriam fazer com nossos contratos caso haja essa guerra. Os ucranianos dizem que a gente perderia nossos acordos e que iriam nos mandar de volta para nossos países. Gera uma dúvida, uma desconfiança, mas temos que ver como o país irá suportar essa situação.

Diante de toda essa confusão, o centroavante se agarra na religião para que possa voltar a fazer o que mais ama, que é jogar futebol, e seguir marcando gols com a camisa do Vorskla Poltava. Além disso, o atleta quer ter sua família por perto, uma vez que todos se encontram no Brasil e aguardam uma bandeira branca para que possam chegar na Ucrânia sem riscos e sem medo.

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