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De goleada sofrida à vitória dedicada aos infectados: L! recapitula a saga do Flamengo no Equador

23/09/2020 05h55

Cerca de 270 km separam Quito de Guayaquil. E, de um ponto ao outro, entre o massacre sofrido diante do Independiente del Valle na última quinta-feira para a suada vitória sobre o Barcelona-EQU, noite passada, houve capítulos de drama e contratempos. A pressão por uma resposta foi acentuada com lesão, casos de Covid-19 e dificuldade para treinar por decorrências de um vulcão. E não parou por aí.

Abaixo, o LANCE! recapitula fatos marcantes que ocorreram enquanto a delegação do Flamengo esteve no Equador, desde o embarque até o recente triunfo, por 2 a 1, dedicado aos infectados pelo novo coronavírus.

- Essa vitória vai para todos aqueles que não jogaram, para todos que não puderam jogar, para nossa torcida também. Espero que a gente possa evoluir e crescer para conquistar mais coisas - falou Pedro, autor do primeiro gol.

Relembre a saga rubro-negra:

GOLEADA NA ESTREIA DE DOME (DIA 17)

O primeiro fato marcante foi o confronto diante do Independiente del Valle. Fora o primeiro compromisso de Dome pela Libertadores; e a lembrança não poderia ser mais traumática: 5 a 0 para os mandantes, com uma atuação apática dos cariocas. A classificação às oitavas passou a ficar ameaçada, assim como o cargo do catalão, que viu boa parte dos torcedores pedirem a sua demissão. A resposta precisava ser imediata.

CONVOCAÇÕES NO CAMINHO (DIA 18)

No dia seguinte à goleada sofrida, Tite convocou Rodrigo Caio e Everton Ribeiro para dois jogos das Eliminatórias da Copa do Mundo, contra Bolívia, dia 9 de outubro, e Peru, dia 13. E mais: Arrascaeta foi chamado para defender o Uruguai. A notícia, na ocasião, trouxe mais dor de cabeça à torcida, sobretudo pela ciência de que o trio desfalcará a equipe por três rodadas do Brasileiro - contra Sport, Vasco e Goiás, todos os jogos no Rio.

COLETIVA DE BRAZ: DOME RESPALDADO (DIA 19)

A goleada em Quito movimentou os bastidores do Flamengo, diante de tamanha pressão em cima do Domènec Torrent, que também havia sido criticado por ter contemporizado o resultado na entrevista coletiva. Assim, coube ao vice-presidente de futebol, Marcos Braz, ir a público dar explicações no último sábado, já em Guayaquil. Ele garantiu que a demissão do treinador não foi discutida em nenhum momento e que há uma unidade de pensamento e planejamento entre a alta cúpula do Fla. Catalão foi respaldado com afinco.

LESÂO DE GABIGOL (DIA 19)

Não bastasse o turbilhão, vivido já com alguns jogadores de peso no departamento médico, como Diego Alves e Pedro Rocha, Gabigol teve constatada uma lesão muscular na coxa direita, no sábado. Passou a ser desfalque e, por ora, não tem previsão para retornar aos gramados.

ATÉ VULCÃO VIROU OBSTÁCULO (DIA 20)

O planejamento em Guayaquil virou de ponta-cabeça. E não estamos mais falando da lesão após exames em Gabigol. A cidade equatoriana, palco do jogo da última noite, amanheceu no domingo coberta por cinzas emitidas do vulcão Sangay. Por conta disso, atividades ao ar livre foram canceladas, como o treino do Flamengo que seria realizado. Treinar como dava no hotel foi a solução.

SURTO DE COVID-19 (DIA 21)

Na segunda, véspera do jogo contra o Barcelona e com a contraprova dos exames realizados do elenco, o Flamengo informou que sete jogadores tiveram resultados positivos para Covid-19 - o clube havia comunicado que seis jogadores haviam sido afastados, anteriormente. Os infectados, e naturais desfalques por pelos menos dez dias, são: Bruno Henrique, Michael, Filipe Luís, Isla, Matheuzinho Diego Ribas e Vitinho. Depois, o chefe do departamento médico, Márcio Tannure, e Juan, da diretoria, também testaram positivo.

VOO COM A GAROTADA (DIA 21)

O técnico Domènec Torrent só contou com todos os relacionados nesta terça, mas o voo trazendo o quarteto de garotos - o zagueiro Nathan, o lateral-direito João Lucas e os atacantes Guilherme Bala e Rodrigo Muniz - saiu do Brasil na noite do última segunda. O quarteto teve de ser chamado às pressas pela comissão técnica e, depois de voo que chegou a ser impedido de entrar no Peru e teve que retornar ao Brasil (Manaus), chegou horas antes em solo equatoriano. Em tempo: nenhum deles foi acionado do banco.

VAI TER? NÂO VAI TER? VAI TER! (DIA 22)

E o dia do jogo ainda reservara um imbróglio daqueles. Nos bastidores, mais precisamente nos corredores do hotel em que a delegação estava hospedada em Guayaquil, a confirmação de novos casos de Covid-19 levou autoridades municipais a irem em massa ao local, no horário de almoço dos jogadores.

Por uma coletiva de última hora, veículos da imprensa foram convocados por órgãos sanitários do município, que chegaram a afirmar que o Estádio Monumental estaria "inabilitado". Contudo, a prefeita da cidade, Cynthia Viteri, minutos depois (inclusive à fala de Braz, avisando que estava à espera de uma posição da Conmebol), negou o veto ao estádio. O jogo se manteve, por fim.

> Confira e simule a tabela da Libertadores

FIM DA EPOPEIA (DIA 22)

E a saga do Flamengo no Equador, digna de uma epopeia, findou com uma vitória dramática contra o Barcelona. Com gols de Pedro e Arrascaeta, justamente os protagonistas da noite, o time de Domènec Torrent superou todas as adversidades citadas, o segundo tempo ruim, e venceu por 2 a 1. Agora, o Rubro-Negro, que voltou ao Brasil em voo particular em seguida, soma nove pontos - os mesmos do líder do Grupo A, o del Valle (adversário da próxima semana, no Maracanã). Ainda há muita emoção pela frente.

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