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Com 'temporada em uma semana', futebol na Groenlândia chama atenção pelas curiosidades

09/04/2020 14h09

Jogos decisivos do campeonato nacional em uma semana, cães uivando ao lado de torcedores que ocupam parte de uma montanha e até um 'Real Madrid'. Repleta de curiosidades, essa é a principal competição de futebol na Groenlândia, ilha pertencente ao território dinamarquês, cuja população estimada é de pouco mais de 50 mil habitantes, o que não seria capaz de lotar o estádio do Maracanã, por exemplo.

Devido ao rigoroso inverno, a janela ao ar livre é bastante limitada, principalmente porque os locais ficam cobertos de neve. Na brecha possível, dezenas de times fazem uma seletiva de curtíssima duração e as oito melhores se classificam para os playoffs, disputados em apenas uma semana.

Por conta da dificuldade logística, os oito times encaram as partidas em uma sede única, durante uma semana. A estrutura em que as equipes ficam são espécies de alojamentos próximos ao local dos jogos e, no dia das partidas, eles vão a pé até o gramado. Há compartilhamento de vestiário, pois a estrutura não permite que cada time tenha um para si. Aliás, o narrador também sofre: são jornadas de até três jogos por dia.

Os nomes das equipes também chamam atenção. Muitos times são popularizados pela primeira letra, seguida de um número, que representa o ano de fundação. Por exemplo, o Boldklubben af 1967 é conhecido por B-67. Aliás, ele é o Real Madrid da Groenlândia, apelido concedido após inúmeras conquistas de títulos. Outro exemplo é o N-48 (Nagdlunguak 1948).

Assim como em todas as partes do mundo, os fãs de futebol buscam referências em ídolos, o que deixa o clima mais leve e reforça os valores do esporte. Por exemplo, em 2019, Henning Bajare, de apenas 16 anos, ficou conhecido como 'Fat Mbappé', por conta da sua semelhança com o atacante do PSG (FRA) e por ter um físico mais robusto.

Somente nos últimos anos, o governo implementou gramado artificial, o que melhorou o nível do esporte. E, após a participação da Islândia na Euro-2016 e na Copa do Mundo (2018), o povo e os dirigentes sonham em seguir os passos da nação visando ao crescimento do esporte.

- Isto pode levar alguns anos ainda, mas eu acredito que nós podemos chegar lá. A Islândia nos inspira. Nós queremos mostrar que, mesmo sendo uma nação com poucos habitantes, podemos jogar futebol em alto nível - afirma Patrick Frederiksen, capitão do B-67, durante entrevista a um repórter da The Red Bulletin, revista da Red Bull.

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