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30 anos do bicampeonato brasileiro: Na Colina, Andrade completa o seu penta nacional particular

15/12/2019 09h40

O bicampeonato brasileiro do Vasco ajudou um jogador a cravar seu nome na história. O volante Andrade conseguiu a façanha de conquistar seu quinto título nacional como jogador (fechando uma década com chave de ouro).

Após ter conquistado os Brasileiros de 1980, 1982 e 1983, e a Copa União de 1987 justamente com a camisa do Flamengo, ele desembarcou na Colina com o desafio de fazer a diferença no Cruz-Maltio.

- Eu vinha de uma passagem na Roma, na qual as coisas não aconteceram como eu esperava. O Vasco tinha montado uma grande equipe para aquele Brasileirão, e eu sabia que ia ser uma responsabilidade muito grande. Felizmente, consegui mais esta conquista maravilhosa - recorda-se, ao LANCE!, o jogador.

Seus primeiros passos com a camisa cruz-maltina foram bastante promissores. Na época, a equipe ainda estava sob o comando de Sérgio Cosme.

- Fizemos a excursão para Europa, na qual o Vasco venceu o Troféu Ramón de Carranza (o tricampeonato da equipe na competição aconteceu após um triunfo por 2 a 0 sobre o Nacional-URU, com gols de Sorato e Vivinho, na final). Depois, à medida que o Campeonato Brasileiro transcorreu, o grupo foi se encaixando, entendeu bem o que o Nelsinho (Rosa, treinador campeão brasileiro) pedia e deu tudo certo - disse.

Andrade foi titular em 12 das 19 partidas do Cruz-Maltino no Brasileirão, até que uma lesão afetou sua sequência de jogos na reta final da competição. Mas nada que causasse impacto na sua importância para o grupo.

- Ele foi um dos jogadores que mais nos ajudaram no dia a dia. Com a experiência de já ter conquistado títulos nacionais tantas vezes, trouxe tranquilidade ao elenco, em especial aos mais jovens. A gente teve muito sangue frio graças ao Andrade - acredita o também volante Zé do Carmo.

Não bastava ter pinta de campeão, como a "SeleVasco" demonstrou ter. Bons conselhos foram essenciais para que a caravela rumasse à esperada conquista.

'EU TINHA DE PASSAR TODA MINHA VIVÊNCIA', DIZ ANDRADE

Andrade revelou que, ao desembarcar em São Januário, já sabia que estava ciente da missão de ser uma das referências para o grupo mesclado.

- Nesta minha passagem pelo Vasco, tive duas responsabilidades. Eu era um dos jogadores do elenco que já estavam acima dos 30 anos (tinha 32 quando foi campeão brasileiro pelo Cruz-Maltino). Além disto, vinha de outras conquistas - e, em seguida, detalhou como foi o desafio no decorrer da campanha:

- A gente teve um início de altos e baixos e, nesta hora, o grupo se uniu muito para não se preocupar com o fato de todos nos apontarem como candidatos ao título - completou.

Em seu período na Colina, Andrade também selou uma amizade com Zé do Carmo.

- Nunca nos vimos disputando vaga entre os titulares. O Zé é um grande amigo, bom marcador, nos ajudou muito - declarou.

Zé do Carmo mostra reciprocidade ao falar sobre seu antigo colega de Vasco, e destaca uma diferença no estilo de jogo de ambos.

- Olha, não me firmei como titular no lugar dele porque eu era mais bonito não (risos). Sempre fui muito marcador, mais voltado para força. Andrade é bem mais habilidoso que eu . Agora, o Andrade, além de ter sido meu colega de quarto, foi muito generoso com o elenco. Não só ele, como o Tita, o Tato, que passaram muita coisa para a gente - afirma.

DOS REENCONTROS NA COLINA AO ELENCO QUALIFICADO DO CRUZ-MALTINO

O volante Andrade é um dos jogadores que veem na mescla do elenco o fator primordial para o Vasco ter conquistado o bicampeonato brasileiro. E, inclusive, exalta que se sentiu mais à vontade em São Januário por um motivo.

- Ali pude reencontrar o Bebeto e o Tita, com quem havia jogado no Flamengo. Além disto, o time contava com jogadores vindos da base que tinham muito talento, como William, Bismarck e, ainda se reforçou bem. Chegaram o Quiñonez, o (Luiz Carlos) Winck... Foi montado um time-base sólido - detalha.

O volante exalta a marca pessoal, que ainda se estendeu à beira do gramado.

- Ah, conquistar um título nacional é sempre maravilhoso. Uma competição importante, tão difícil. Ainda mais por eu ter chegado a seis, cinco em campo e um como técnico (pelo Flamengo, em 2009). Não tem preço. Sou muito grato pelas emoções que tive no Vasco.

Andrade, que atuou no Cruz-Maltino até 1990, só teve seu feito em campo alcançado por outros dois jogadores (no formato das competições disputadas a partir de 1971). Zinho foi campeão da Copa União de 1987 e do Brasileiro de 1992 pelo Flamengo, deu a volta olímpica pelo Palmeiras em 1993 e 1994 e, em 2003, saboreou o título nacional pelo Cruzeiro.

Já Dagoberto conquistou o Brasileirão em 2001, pelo Athletico-PR, as edições de 2007 e 2008, pelo São Paulo, e levantou os troféus os 2013 e 2014, pelo Cruzeiro. Mas nenhum deles conseguiu a mesma façanha de Andrade: cinco títulos nacionais em uma só década. Algo que o bicampeonato brasileiro do Vasco proporcionou ao volante.

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